Nesta sexta-feira (13) o técnico Tite anunciou a convocação da seleção brasileira para rodada tripla das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, e um jogador em especial foi uma grata surpresa na lista: o atacante Raphinha, do Leeds United. Nascido em Porto Alegre, ele jogou pouco no futebol brasileiro - apenas pelo Avaí, em 2015 -, mas já vem sendo reconhecido pelo seu desempenho na Europa.
Em entrevista exclusiva ao repórter da ESPN João Castelo-Branco, antes da estreia na Premier League contra o Manchester United no Old Trafford, neste sábado (14), às 8h30, com transmissão ao vivo e exclusivo da ESPN Brasil, o jogador de 24 anos falou sobre a sua adaptação ao futebol inglês. Ele também contou os bastidores da mudança no número da camisa no clube, já que passará a usar a 10 a partir desta temporada.
Depois da passagem pelo Avaí, em 2015, Raphinha foi para a Europa para atuar no Vitória de Guimarães, em Portugal. Em 2018, se transferiu para o Sporting, onde passou uma única temporada e depois foi para o Rennes, da França. Em 2020, foi contratado pelo Leeds.
Em relação à sua temporada de estreia no Campeonato Inglês, uma das ligas mais poderosas do mundo, Raphinha disse que não considerou "inesperado" o seu bom desempenho dentro das quatro linhas. Ao todo, ele disputou 30 partidas na competição e balançou as redes em seis oportunidades.
"Inesperado acredito que não, a gente tem que estar preparado para qualquer coisa. Em todo lugar que eu chego, eu procuro dar o meu melhor, desde o começo até o último dia, tanto nos treinos como nos jogos. Acho que o que foi essencial na minha adaptação foram os meu colegas, companheiros de time, a própria comissão técnica, o treinador. De alguma forma, todo jogador novo que chega eles tentam te ajudar o máximo a se adaptar ao campeonato, à lingua, aos estilo de jogo. Querendo ou não, o novo jogador que chega vai ajudar o time, então o time ajudando quem chega, acho que todos saem ganhando. Eles foram importantes na minha adaptação rápida aqui", começou por dizer.
Em relação à cidade de Leeds, o atacante disse estar gostando de viver por lá e só reclamou do frio, algo que até o momento ainda não conseguiu se adaptar.
"Estou gostando. Não é um país que faz muito calor, mas estou gostando. Do momento que eu cheguei, mesmo com pandemia e tudo, o pessoal sempre me recebeu super bem, mesmo não tendo contato com os torcedores e tudo mais. Sempre me senti muito acarinhado e isso fez com que eu me adaptasse mais rápido à cidade, ao clube, acredito que é importante. O frio é consequência. Eu como sou de Porto Alegre, já era para estar acostumado com o frio, mas ainda não estou. Em Porto Alegre, no verão, pelo menos faz calor, tem sol para caramba. Aqui teve uns dias de sol, mas o resto é só tempo fechado, chuva, frio. Mas a gente passa por cima de tudo", prosseguiu.
Sobre a visibilidade que ganhou na última temporada com o bom desempenho no Leeds, Raphinha lembrou que até mesmo os torcedores brasileiros, que até pouco tempo ainda não o conheciam por ter saído muito novo do Brasil, já vêm mostrando todo o seu apoio.
"Acredito que a partir do momento que a gente vem fazendo um trabalho bom, digo num modo geral, é normal chamar a atenção em mais lugares. Ano passado eu cheguei aqui, assim como cheguei em qualquer outro lugar que eu vou ou que eu fui, e o meu primeiro pensamento é trabalhar bem, dar o meu melhor nos treinamentos para, consequentemente, nos jogos conseguir corresponder. Graças a Deus vem acontecendo, consegui demonstrar um pouco do meu futebol mesmo num ano de adaptação ao campeonato, ao país, à lingua, cultura, mas acredito que consegui me adaptar super rápido com o estilo de jogo aqui, com o país num modo geral. Acaba sendo normal, quando você chega, você não é muito conhecido, depois quando você faz o seu trabalho bem feito, corretamente, por estar jogando no melhor campeonato do mundo, é normal as atenções voltarem a mim, no caso. Posso dizer que é esperado sim, mas vou continuar fazendo o meu trabalho, me dedicando nos treinamentos e podendo dar alegria aos torcedores nos jogos", disse.
"Por ter saído tão cedo do Brasil, eu não era tão conhecido assim e hoje percebo que sou mais conhecido lá. O próprio torcedor brasileiro me manda mensagem de apoio e tudo mais, coisas que não aconteciam frequentemente. Hoje eu percebo que acontece um pouco mais", concluiu.
Ele também lembrou dos bastidores de como herdou a camisa 10 do clube inglês, após chegar com a de número 18.
"Para te falar a verdade, eu não sabia que o Alioski iria sair, o pessoal comentou na rouparia que ele poderia sair, se eu não queria pegar a camisa dele e tal. Eu comentei que eu gosto de jogar com a 11, mas se tivesse liberada a 10, 11... nós brasileiros estamos acostumados a jogar com numeração do 1 ao 11, então o pessoal ter me oferecido a 10, me senti muito honrado, muito importante de alguma forma e fico feliz de ter acabado de chegar no clube e o pessoal, de alguma maneira, fazer questão para eu trocar de camisa", revelou.
Permanência de Bielsa
Após recolocar o Leeds na elite do futebol inglês, o experiente técnico argentino Marcelo Bielsa também conseguiu fazer uma boa campanha no retorno à Premier League, com a sua equipe terminando em 9º na tabela. Agora, ele está de contrato renovado e Raphinha comemorou a sua permanência. Ele também revelou que o treinador sequer tirou férias.
"Para a gente é muito importante. Não só para mim, como também para os outros jogadores. É um cara que tem uma filosofia de jogo única, só dele, e a gente já está acostumado com a maneira de jogar, com a maneira dele de cobrar a gente. Acredito que, pelo resultado que tivemos no campeonato, ninguém esperava e no final, tanto nós ficamos felizes por saber que ele iria ficar, quanto ele, acredito que tenha ficado feliz com o grupo de trabalho", disse.
"Segundo ele, ele ficou aqui no clube tratando de algumas coisas, algumas reformas, enfim, deve ter feito alguns trabalhos. Ele ficou na Inglaterra, não foi de férias e deve ter ficado assistindo todos os jogos que passaram na televisão (risos)", complementou.
Por último, a grande novidade na lista de Tite ainda projetou o confronto contra o United, e na casa do rival para o clássico. Segundo ele, a intenção é sair com a vitória ou, no mínimo, um empate. Ele ainda disse que a meta do Leeds é terminar a Premier League numa posição ainda melhor que a da última temporada.
"O que podemos fazer é a nossa parte. Vamos entrar na partida com o foco de vencer ou sair de lá com um ponto. Essa é a nossa maneira de jogar, buscando sempre a vitória, buscando pontuar. O Manchester tem uma grande equipe, uma grande história. Assim como eles têm uma história, nós também temos. Na temporada passada provamos que o nosso time é de muita qualidade, as outras equipes têm que ter cuidado também. Assim como respeitamos as outras equipes, acredito que conseguimos o respeito dos outros times. A gente vai lá, jogar de igual para igual, tentar o melhor resultado possível. Se sairmos com a vitória é bom, se não sairmos, vamos tentar sair com o empate. Sair com um empate já no primeiro jogo fora de casa, num clássico, é gostoso também", declarou.
"Pelo que fizemos na temporada passada, acho que os próprios jogadores, a comissão, a diretoria, enfim, todo mundo do clube viu que somos capazes de chegar numa boa colocação no campeonato. Estamos bem ansiosos para esta temporada e preparados para o que vier. A partir do momento que a gente consegue um resultado, no ano seguinte é normal a nossa ambição aumentar, a gente querer um pouco mais e acredito que não vai ser diferente aqui. Vamos buscar melhores colocações, resultados, acredito que pela história que tem o clube merece estar lá no topo da tabela", finalizou.
