Ronaldo, Romário, Bebeto, Edmundo, Amoroso, Luizão, Evair, Müller. A lista é longa, facilmente ampliável e não chega nem à metade de atacantes acima da média que competiam por um lugar na Seleção Brasileira na década de 1990. Algo muito diferente do que acontece de tempos para cá.
Quem viveu aquela época em campo e hoje acompanha já de longe, aposentado, só consegue pensar em uma coisa.
"Nascemos na época errada, né? Poderia ter sido um pouco mais para a frente", brincou Túlio Maravilha, histórico artilheiro e ídolo do Botafogo, com passagens por outros clubes como Goiás, Corinthians, Vitória e Cruzeiro, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
Túlio também teria espaço na lista que abre a reportagem. Entre 1994 e 1995, o goleador botafoguense foi chamado por Zagallo e chegou a se firmar como titular da Seleção Brasileira, em uma época que o técnico vivia às turras com Romário, após a conquista da Copa do Mundo nos Estados Unidos.
Ao lado de Edmundo, Ronaldo, Viola, Sávio e outros, Túlio foi bem na Copa América de 1995 e anotou 13 gols em 15 partidas. Um rendimento alto, mas que, em uma época cheia de concorrentes, não lhe garantiu sequência. A partir do ano seguinte, o atacante foi preterido por Zagallo e não voltou mais a ser convocado.
"Eu fiz história com a camisa da Seleção Brasileira. Soube aproveitar as oportunidades, mas Copa do Mundo é momento, né? Lembro que em 1994 eu tinha acabado de chegar na Suíça e a Seleção estava praticamente formada", relembrou o ex-atacante.
"Em 1998, eu não estava em um momento técnico favorável, então isso pesa muito. Depois, em 2002, eu já estava com 33 anos e já era considerado um jogador veterano, em fim de carreira. Era muito mais difícil ingressar na Seleção. Mas eu não amarelei com a camisa do Brasil, ao contrário de muita gente hoje que acaba tremendo".
Túlio não tem dúvida que, se fizesse parte da atual geração, teria cadeira quase que cativa dentro da Seleção Brasileira dirigida por Carlo Ancelotti. E não só ele.
"Eu, Romário, Ronaldo, Luizão, Jardel, Luiz Fabiano, Fred. Vou ficar aqui colocando dez ou 20 nomes aqui e todos esses que eu falar com certeza hoje seriam titulares, porque realmente o nível técnico naquela época era muito alto, muito grande", analisou Túlio.
"Todos aqueles jogadores seriam convocados e titulares absolutos. Da minha época, se você colocar os que nem foram para Copa, dava para montar outra Seleção praticamente do mesmo nível".
Autor de mais de mil gols na carreira, de acordo com suas próprias contas, Túlio tem os centroavantes preferidos do momento. O curioso é que nenhum dos citados foi chamado por Ancelotti para a Copa.
"Se eu fosse o treinador, levaria o Pedro. Acho que o Pedro e o João Pedro são os que, no momento, estão melhores, tecnicamente falando. Mas a gente sabe que o Ancelotti tem outras prioridades, outras preferências".
Caso nenhum corte aconteça, Ancelotti terá à disposição três opções para a função de camisa 9: Igor Thiago, vice-artilheiro da Premier League, e também Endrick e Matheus Cunha, que executam funções diferentes em seus clubes.
