Inglaterra aponta para domínio no futebol europeu, e Copa do Mundo confirma força da Premier League

Que a Premier League é a mais forte e badalada liga nacional do planeta quase ninguém discute mais. Mas estamos vendo isso ganhar proporções ainda maiores neste final de temporada europeia e às portas de mais uma Copa do Mundo. São quase 150 jogadores do Campeonato Inglês defendendo as mais diversas seleções no principal torneio do futebol (contando já com os recém-promovidos Coventry, Ipswich Town e Hull City). Isso dá 12% dos atletas inscritos para a disputa. O Arsenal, que eu considero o maior clube da Europa sem o maior título interclubes do Velho Continente, saiu da fila depois de 22 anos na Premier League e chegou à final da Champions League (escrevo o texto antes da final contra o favorito Paris Saint-Germain), sendo mais uma vez referência global como já foi em outras décadas desde os primórdios da bola e do WM.

O tradicional Aston Villa, campeão da Europa em 1982, fez 3 a 0 na final da Europa League em cima do Freiburg no último dia 20 em Istambul. No ano passado, o Tottenham já havia superado o Manchester United por 1 a 0 em uma final 100% inglesa da Europa League. Na decisão da Conference League, o Crystal Palace superou por 1 a 0 o Rayo Vallecano neste último dia 27 (são três títulos em um ano para o clube londrino sob o comando de Oliver Glasner). Lembro aqui que, na temporada passada, a taça do terceiro interclubes europeu ficou com o Chelsea, que amassou o Betis: 4 a 1 (os Blues ainda venceram o Mundial de Clubes). Diante desse cenário todo, na próxima temporada a Europa verá cinco clubes na Champions League (Arsenal, Manchester City, Manchester United, Aston Villa e Liverpool), três na Liga Europa (Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace) e um na Conference League (Brighton), todos muito competitivos.

Arrisco dizer que, se a Bola de Ouro fosse entregue agora ao final da temporada europeia, o vencedor seria facilmente Harry Kane, o capitão da Inglaterra que bateu recorde gols no Bayern de Munique (61 tentos somando todos os torneios, número digno de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo no auge). O centroavante da Inglaterra é sério candidato a ser artilheiro da Copa do Mundo, mesmo com o técnico Thomas Tuchel tendo enfraquecido bastante a equipe deixando de fora um time completo de bons selecionáveis: Pope; Alexander-Arnold, Maguire, Colwill e Luke Shaw; Wharton, Alex Scott e Gibbs-White; Bowen, Cole Palmer e Phil Foden. A Inglaterra venceu tanto o Mundial sub-20 quanto o Mundial sub-17 em 2017 e vem produzindo cada vez mais talento, mesmo tendo uma liga nacional recheada de estrangeiros (a desculpa maior dada para os fracassos da Itália é a “invasão” de gringos na liga local, o que estaria matando a formação de novos talentos italianos). Eu continuo colocando a Inglaterra na lista dos maiores candidatos ao título da Copa, ela ocupa uma prateleira abaixo apenas de Espanha e França. Caso não venha a taça para os ingleses, um outro troféu importante pode pintar em Londres daqui a dois anos. A Eurocopa de 2028 será no Reino Unido e na Irlanda, o que aumenta as chances de sucesso da forte seleção inglesa. O clima de “país do futebol” (Three Lions - Football's Coming Home) na Inglaterra vai só aumentar até o final desta década, mesmo com a saída de Guardiola do Manchester City. A liga é forte demais, não depende de um clube (como Bayern e PSG) ou de dois gigantes (como Real Madrid e Barcelona) ou mesmo de um treinador histórico que fez, aliás, o melhor trabalho de sua vida como vitorioso técnico justamente na Premier League.

A Inglaterra, que ocupa atualmente a quarta posição no ranking da Fifa, vai fazer seus três jogos da fase de grupos nesta Copa nos Estados Unidos, sua antiga colônia, longe de ser um território hostil. A única coisa que não está em alta há um bom tempo no futebol inglês é a produção de técnicos (nenhum treinador inglês foi campeão da Premier League ainda, e um alemão tem a missão de tirar a seleção mais velha do mundo da fila que vem desde 1966). Porém o comandante da boa seleção sueca é Graham Potter, um coach inglês que é conhecido por flexibilidade tática, treinos progressistas e nada do velho conservadorismo britânico. Sinal dos tempos. Potter pegou uma seleção que vinha fazendo campanha sofrível nas eliminatórias e a colocou no Mundial. Com seu estilo ofensivo, promete dar trabalho no equilibrado grupo com Holanda, Japão e Tunísia. Outro treinador inglês na Copa é Darren Bazeley, que dirige a Nova Zelândia. Dois treinadores do país que inventou o futebol em um torneio com 48 seleções pode ser pouca coisa, mas lembro aqui que, pela primeira vez na história, não teremos nenhum treinador brasileiro na Copa do Mundo.

Vamos agora à convocação da Premier League para a Copa do Mundo deste ano, deixando de lado na lista abaixo os vários atletas que atuam na Segundona da Inglaterra (Championship vai ter simplesmente Millwall x West Ham na próxima temporada) e que estarão no nobre torneio da Fifa na América do Norte. Se você torce para um time da elite do futebol inglês, certamente vai se sentir um pouco ou muito representado na Copa.

Arsenal

Jurriën Timber (Holanda), Raya, Mikel Merino e Zubimendi (Espanha), Saliba (França), Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli (Brasil), Saka, Declan Rice, Madueke e Eze (Inglaterra), Odegaard (Noruega), Trossard (Bélgica), Havertz (Alemanha) e Gyökeres (Suécia)

Aston Villa

Dibu Martínez (Argentina), Konsa, Morgan Rogers e Ollie Watkins (Inglaterra), Lindelöf (Suécia), Digne (França), McGinn (Escócia), Onana e Tielemans (Bélgica) e Guessand (Costa do Marfim)

Bournemouth

Justin Kluivert (Holanda), Gannon-Doak e Ryan Christie (Escócia), Rayan (Brasil) e Tyler Adams (Estados Unidos)

Brentford

Ajer (Noruega), Hickey (Escócia), Jordan Henderson (Inglaterra) e Igor Thiago (Brasil)

Brighton

Verbruggen, Van Hecke e Wieffer (Holanda), Kadioglu (Turquia), De Cuyper (Bélgica), Diego Gómez (Paraguai), Pascal Gross (Alemanha) e Ayari (Suécia)

Chelsea

Hato (Holanda), Penders (Bélgica), Sarr e Nicolas Jackson (Senegal), Malo Gusto (França), Cucurella (Espanha), Reece James (Inglaterra), Enzo Fernández (Argentina) e Pedro Neto (Portugal)

Crystal Palace

Dean Henderson (Inglaterra), Lacroix e Mateta (França), Kamada (Japão), Ismaïla Sarr (Senegal), Daniel Muñoz e Lerma (Colômbia), Yéremy Pino (Espanha), Strand Larsen (Noruega), Richards (Estados Unidos) e Chadi Riad (Marrocos)

Coventry

Haji Wright (Estados Unidos)

Everton

Pickford (Inglaterra), Patterson (Escócia), Gueye e Ndiaye (Senegal)

Fulham

Castagne (Bélgica), Berge e Bobb (Noruega), Raúl Jiménez (México), Robinson (Estados Unidos) e Issa Diop (Marrocos)

Hull City

Ivor Pandur (Croácia) e Hadziahmetovic (Bósnia e Herzegovina)

Ipswich

George Hirst (Escócia)

Leeds

Gudmundsson (Suécia), Tanaka (Japão), Okafor (Suíça) e Aaronson (Estados Unidos)

Liverpool

Gakpo, Gravenberch e Van Dijk (Holanda), Alisson (Brasil), Konaté (França), Robertson (Escócia), Endo (Japão), Mac Allister (Argentina), Wirtz (Alemanha), Salah (Egito) e Isak (Suécia)

Manchester City

Reijnders e Aké (Holanda), John Stones, Marc Guéhi, O’Reilly e Trafford (Inglaterra), Khusanov (Uzbequistão), Gvardiol e Kovacic (Croácia), Bernardo Silva, Rúben Dias e Matheus Nunes (Portugal), Rodri (Espanha), Doku (Bélgica), Marmoush (Egito), Cherki (França) e Haaland (Noruega)

Manchester United

Lammens (Bélgica), Bayindir (Turquia), Lisandro Martínez (Argentina), Dalot e Bruno Fernandes (Portugal), Diego León (Paraguai), Casemiro e Matheus Cunha (Brasil), Mainoo (Inglaterra), Diallo (Costa do Marfim) e Mazraoui (Marrrocos)

Newcastle

Thiaw (Alemanha), Burn, Livramento e Gordon (Inglaterra), Bruno Guimarães (Brasil), Elanga (Suécia), Wissa (Congo) e Woltemade (Alemanha)

Nottingham Forest

Gunn (Escócia), Bindon e Wood (Nova Zelândia), Sangaré (Costa do Marfim), Anderson (Inglaterra) e Ndoye (Suíça)

Sunderland

Brobbey e Roefs (Holanda), Alderete (Paraguai), Xhaka (Suíça), Habib Diarra (Senegal), Sadiki (Congo), Wilson Isidor (Haiti) e Talbi (Marrocos)

Tottenham

Van de Ven (Holanda), Kinsky (Tchéquia), Romero (Argentina), Kevin Danso (Áustria), Spence (Inglaterra), Pedro Porro (Espanha), Bergvall (Suécia) e Pape Sarr (Senegal)