Sem atuar desde 2019, o zagueiro Dedé busca, mais uma vez, ressurgir na carreira. O defensor, que está livre no mercado após rescindir contrato com o Cruzeiro, conversou com o ESPN.com.br e abriu o jogo sobre contusões, recuperação e futuro.
Recuperando da quarta lesão no joelho, Dedé passou por muitos momentos complicados, principalmente em relação às críticas. O zagueiro de 33 anos revelou ter recebido muitas mensagens maldosas.
Sobre o rótulo de 'bichado', destacou que a dor é muito maior nos familiares do que em si próprio.
"Dói muito, nossa senhora, tá maluco. É uma situação horrível de você ver. Por exemplo, eu pego e leio uma parada assim, para mim é mais tranquilo do que para as pessoas que estão à nossa volta, cuidando, lerem isso. Acho que você sofre ainda mais de ver a tristeza das pessoas que estão te olhando, tipo a minha mãe, minha sobrinha...minha sobrinha me perguntou 'por que o pessoal te chama disso? Por que falam que você está bichado?',a minha sobrinha já entende um pouco mais. E eu falei 'não, o tio Dedé machucou, as pessoas estão com pouco amor no coração, não liga para essas paradas não, quando for assim pergunta para mim'. E os próprios chegam para a gente depois, encontram a gente na rua, e é isso que mata, e pedem fotos, falam que a gente ajudou muito. Aí vão na internet e descem a lenha", começou por afirmar o zagueiro.
"A gente tenta desviar as coisas para outro foco, lá em casa, isso ameniza muito também de se sentir mal, mas as pessoas não estão nem aí. Eu lembro que de 2015 e 2017, eu fui muito agredido também, porém, de uma forma menor, mais em relação à lesão, e quando eu voltei em 2018 eu fui bem, voltei para a seleção. São muitos, milhares de torcedores, de me parar, pedir foto e pedem desculpas. Eu não conheço a pessoa e eu pergunto o motivo. 'Não, eu te agredi muito, eu falava que você era bichado, que você era chinelinho, que você não ia voltar, que eu não acreditava'. Pessoas conhecidas também me chamaram para conversar e pedir desculpa. No Instagram, eu ia lá e bloqueava eles e eles falavam para eu desbloquear, assim mesmo, eu juro", completou.
Mensagem aos críticos
Se no gramados busca dar a volta por cima mais uma vez, na vida, o defensor já teve contato com os críticos com palavras que o machucaram. Ainda assim, Dedé mandou um recado aos haters e pediu mais empatia ao ser humano.
"Eu acho que não leva em nada, não acrescenta em nada, pelo contrário, só tenta destruir uma pessoa que está vivendo o seu mau momento quando a pessoa agride. A gente vê vários casos horríveis de pessoas indo para baixo, caindo em depressão e não conseguindo se suportar. Acho que em momentos difíceis assim, as pessoas só têm que pensar, transmitir um pouco mais de amor para as outras porque é o que precisamos hoje, por tudo aquilo que estamos vivendo. É o que eu penso. A gente não entende o que o outro está passando e quer agredir da mesma forma, só tenta parar um pouco para pensar no que o outro está sentindo antes de agredir. A única coisa que eu senti nesse momento de agressão", disse o zagueiro.
Nos momentos mais duros da carreira, Dedé destacou dois pilares que o sustentaram: a fé e o emocional forte.
"Eu tenho muita fé, muita fé, muita mesmo, é absurda a minha fé, mas o meu emocional é muito forte e eu não sei de onde, não sei se é familiar. É difícil eu me abalar, sou um cara muito emotivo, você vai me ver chorando, mas muito forte psicologicamente. Eu tenho quase certeza que é a minha fé que eu tenho, em Deus, nossa senhora, todas as minhas orações diárias que me deixam fortalecido psicologicamente".
Futuro
Se recuperando de lesão, Dedé vem treinando forte à parte e revelou que, acompanhado de sua equipe de preparação física, já até realizou um coletivo no Clube da Aeronáutica, na Barra da Tjuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Disposto a ouvir possíveis interessados, o zagueiro deixou claro que ainda não recebeu ofertas.
"Os meus empresários têm conversado bastante com algumas pessoas, mas ainda não teve nenhum clube me procurando não, nada, nenhum clube ou interesse, estou só trabalhando e esperando oportunidade. As pessoas estão achando que, como eu era do Cruzeiro com um salário muito alto, as pessoas acham que a gente briga por um salário alto e pelo contrário. Estou muito à disposição de voltar a viver o futebol", disse o zagueiro, antes de revelar que estaria disposto a aceitar contrato de produtividade.
"Aceito, com certeza. Acho que um contrato de produtividade, ainda mais no meu caso, que estou querendo ressurgir, viver de novo o futebol, acho que deve ser feito. Independentemente se for um clube enorme, um clube querendo crescer, faria até por mim. Eu tenho que render para o clube antes. Eu quero ser ajudado pelo clube, mais do que o pensamento financeiro. Eu quero entrar no clube e dar o retorno para o clube, o retorno que o clube tem a me oferecer em questão de estrutura. Hoje eu não penso no financeiro, penso no meu retorno, em jogar, vestir a camisa e suar, estar ali vivendo o futebol. Contrato de produtividade é certo, até eu sugereria isso para o clube", finalizou.
