Os advogados do presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo, entregarão nesta quarta-feira (7) a defesa de seu cliente para as acusações de assédios moral e sexual na Comissão de Ética da confederação.
Após mais de um mês afastado, o cartola aposta em pareceres assinados por diversos juristas para convencer a câmara de julgamento da Comissão de Ética de que é inocente diante das evidências apresentadas por uma funcionária da confederação.
A mulher, que trabalhava diretamente no gabinete de Caboclo, acusa o cartola de causar constrangimentos com perguntas de cunho sexual e com comentários sobre sua vida íntima. Em um episódio durante reunião na casa de Rogério, a funcionária disse que o presidente tentou obrigá-la a comer um biscoito para cães enquanto a chamava de “cadela”.
Diante do caso, a Comissão de Ética o afastou preventivamente por 30 dias, renovando a decisão por mais 60 dias (até o início de setembro), enquanto investiga o caso. A defesa de Caboclo será assinada pelos advogados Fernanda Tórtima, Felipe Maranhão e Wladimyr Camargo. O trio teve acesso aos autos do processo em 16 de junho e, desde então, se debruçou sobre o caso na tentativa de reverter a situação do cartola.
Caboclo repetiu ao longo dos últimos dias que apresentaria sua defesa com “fartas provas e inúmeros notáveis pareceres de sua inocência”.
O presidente afastado ainda reforçava o discurso de que seu afastamento antes mesmo de ser ouvido pela comissão de ética era um golpe político “orquestrado” pelo ex-presidente banido do futebol Marco Polo Del Nero.
“Conforme foi amplamente noticiado pela imprensa, membros da Comissão de Ética têm fortes ligações com Del Nero. Eles recebem salários bem acima da média de mercado e são demissíveis pela diretoria da CBF, que também é formada, na maioria, por fiéis aliados nomeados pelo dirigente banido do futebol e investigado pelo Ministério Público Federal”, disse Caboclo.
Presidentes de federações se encontram no Rio
Diante da guerra política em meio ao escândalo de Caboclo, a quarta-feira (7) reserva outra importante agenda no Rio de Janeiro. Presidentes das mais diversas federações de futebol do país se reunirão ao longo do dia para debater o caso do presidente afastado.
Com a proximidade de um possível desfecho por parte da comissão de ética, os cartolas debaterão os próximos passos da política da CBF. Após a decisão do órgão, a Assembleia Geral Administrativa (composta pelas 27 federações) se reunirá para decidir se acata ou não o veredito da investigação. Caboclo só pode ser destituído do cargo caso 80% das entidades aprovem a possível e aguardada decisão da comissão.
Enquanto as federações e a alta cúpula da CBF se movimentam, Caboclo busca apoio. Em ligações durante todo o dia para cartolas de outros estados, ele tenta provar sua inocência e “virar votos” que o devolvam à cadeira da presidência.
No Rio de Janeiro há algumas semanas, ele se encontrou recentemente com o presidente da federação local, Rubens Lopes. “Recebi o Sr. Rogério Caboclo na sede da FERJ e ouvi as suas ponderações a respeito do caso, da mesma forma como ouvi as ponderações de vários membros da diretoria e vice-presidentes da CBF. Assim será com quem queira e tantas quantas forem às vezes necessárias para se colher subsídios a uma decisão imparcial e justa, no momento oportuno”, confirmou Lopes.
Nesta quarta-feira, Caboclo tem um encontro previsto com o presidente de outra federação importante, a paulista. Inimigo política de Marco Polo Del Nero, o mandatário da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, estará no Rio de Janeiro ouvindo colegas de outras federações e o presidente afastado.
Aos mais próximos, Rogério diz que teria os apoios de Reinaldo, Rubens Lopes e do presidente da federação pernambucana, Evandro Carvalho na Assembleia Administrativa. Interlocutores do trio ouvidos pela reportagem, no entanto, asseguram que o cenário não é exatamente esse. Todos alertam que ouvir eventuais explicações e posições de Caboclo não significa votar a favor de seu retorno diante de uma condenação da comissão de ética.
Após mais de um mês da denúncia da funcionária, o caso ainda está longe de chegar ao fim. No entanto, com a defesa de Caboclo entregue, alguns dos cartolas envolvidos acreditam que uma decisão da comissão de ética possa ser tomada nos próximos dias. Na sequência, a Assembleia decidirá se acata ou não o veredito.
Caso acate e Caboclo perca o mandato, o presidente em exercício, Coronel Nunes, tem 30 dias para convocar uma eleição entre os vice-presidentes para decidir quem assume de forma definitiva até abril de 2023 – data original do fim do mandato do cartola afastado.
