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Comissão de Ética da CBF rejeita pedido de Caboclo e prorroga afastamento por mais 60 dias

A Comissão de Ética da CBF tomou duas decisões importantes neste sábado (3). Na primeira, rejeitou um pedido do presidente afastado, Rogério Caboclo, para retornar ao comando da entidade.

Na sequência, o órgão ainda prorrogou por mais 60 dias o afastamento do cartola enquanto investiga as denúncias apresentadas por uma funcionária de assédio cometido pelo dirigente.

Afastado pela mesma comissão em 6 de junho por 30 dias, Caboclo aguardava o fim da punição para esta segunda-feira (5). O despacho do órgão, no entanto, prorrogou tal decisão.

Em nota (leia o texto na íntegra ao fim do texto), Caboclo falou em "inconformismo e indignação" com a decisão, chamou a manobra de "golpe orquestrado" pelo ex-presidente Marco Polo Del Nero e garantiu ter "fartas provas" de sua inocência.

Caboclo deixou a cadeira da presidência da CBF após acusações de assédio moral e sexual feito por uma funcionária. Desde então, que comanda a entidade interinamente é o Coronel Nunes, vice mais velho entre os cartolas da cúpula.

Por outro lado, o presidente em exercício, Coronel Nunes, em manobra política para evitar qualquer brecha que permitisse o retorno de Caboclo nos próximos dias, publicara uma resolução interna na última sexta-feira (2) afastando Rogério do comando da entidade também por 60 dias.

Agora, são duas decisões impedindo que o cartola acusado de assédio comande a entidade até, pelo menos, o início de setembro.

Leia nota completa enviada por Rogério Caboclo:

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, recebe com inconformismo e indignação a decisão do Conselho de Ética da entidade que negou, na noite deste sábado, o pedido de sua defesa para reconduzi-lo ao cargo e ainda prorrogou por mais 60 dias seu afastamento.

Este é mais um episódio do inédito golpe orquestrado e comandado pelo ex-presidente Marco Polo Del Nero, banido do futebol, por meio de aliados na confederação.

Conforme foi amplamente noticiado pela imprensa, membros da Comissão de Ética têm fortes ligações com Del Nero. Eles recebem salários bem acima da média de mercado e são demissíveis pela diretoria da CBF, que também é formada, na maioria, por fiéis aliados nomeados pelo dirigente banido do futebol e investigado pelo Ministério Público Federal.

Durante esta semana, Caboclo provou que foi Del Nero quem apresentou proposta de próprio punho de R$ 12 milhões em troca do silêncio da funcionária que o acusa de assédio.

Rogério Caboclo sequer foi ouvido sobre as acusações que lhe são imputadas. Isso demonstra claramente que foi montada uma espécie de tribunal de exceção para impedir que ele retorne ao cargo que lhe foi arrancado de forma arbitrária e ilegal.

Coincidentemente a decisão da Comissão de Ética é idêntica à nula decisão definida pela reunião de diretoria, na última quinta-feira, e que não surtiria nenhum efeito por ser absolutamente ilegal e antiestatutária.

Trata-se de mais uma decisão desesperada, tomada num fim de semana, para tentar evitar a volta de Caboclo ao cargo para o qual foi eleito com 96% dos votos.

Importante dizer que não consta entre as várias atribuições da Comissão de Ética o afastamento do presidente, conforme corrobora parecer do ilustre jurista Fábio Ulhoa Coelho.

“A diretoria da CBF não tem competência para afastar o presidente da entidade em nenhuma hipótese, seja em caráter preventivo ou definitivo, mesmo que considere ter havido infração contra disposição estatutária ou regulamentar”, diz o parecer.

O presidente da CBF apresentará sua defesa no prazo legal e com fartas provas e inúmeros notáveis pareceres de sua inocência.