<
>

Presidente de LaLiga diz que caso de injúria racial a Diakhaby segue sendo investigado e revela que Cala pode não ter sido o autor

play
Cicinho explica importância de Zidane para Vinicius Jr. e dispara: 'Às vezes, ele vai trocar um gol por um drible' (1:47)

Ex-lateral deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil (1:47)

Javier Tebas, presidente de LaLiga, falou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (8) sobre o caso de injúria racial ao zagueiro do Valencia Mouctar Diakhaby. Segundo informou o mandarário, um áudio está sendo analisado pela entidade e, por ora, julga-se que Juan Cala, do Cádiz, pode não ter sido o autor das palavras de cunho racista ao defensor francês.

"Temos um áudio de um minuto e meio após do incidente e quem fala tem sotaque sul-americano. Portanto, não é Cala. Temos trabalhamos muito nisso. Essa expressão não é de Cala. O que encomendamos é a limpeza das gravações para ver o que pode ser ouvido. Encomendamos uma pesquisa de leitura labial. Cala diz alguma coisa, mas vamos analisar. Haverá um relatório. As coisas serão esclarecidas", disse Tebas.

Após o episódio, que aconteceu no último domingo (4), durante a derrota do Valencia fora de casa por 2 a 1 para o Cádiz, pelo Campeonato Espanhol, Diakhaby veio a público na terça-feira (6) para falar sobre o episódio.

"Quero falar sobre o que aconteceu em Cádiz, no domingo (5). Houve um lance onde um jogador me insulta e as palavras são 'negro de m...'. O jogador me disse isso e é intolerável, eu não posso aceitar isso. Vi a minha reação e isso não pode acontecer na vida normal, e sobretudo no futebol, que é um esporte de respeito. Depois do ocorrido, eu e os meus colegas de equipe decidimos ir para os vestiários, uma boa decisão, e logo um jogador do Cádiz perguntou a um jogador nosso se o Cala pedisse desculpa, voltaríamos ao campo. Eu e os meus colegas dissemos que não, porque as coisas não são assim. Não se pode fazer alguma coisa, pedir desculpa e seguir em frente", disse.

"Hoje me sinto bem, mas me doeu muito. É a vida, mas espero que a Liga Espanhola consiga ter provas para que tudo fique claro e possa tomar atitudes. E quero agradecer ao Valencia, aos meus companheiros, aos meus treinadores e aos torcedores pelo carinho e apoio que me deram. E quero dizer que estou bem. Obrigado", completou.

Juan Cala, que também é zagueiro, por sua vez, se pronunciou e, em entrevista coletiva pelo Cádiz, negou ter falado qualquer palavra de cunho racista ao jogador francês do Valencia. Ele ainda classificou a situação como "um circo".

"Devemos agir de forma decisiva com o que está acontecendo. Porque sem provas, sem que o juiz ouça, isso acontece, estamos criando um precedente muito perigoso... o que realmente aconteceu e a repercussão que tomou, é um verdadeiro circo. Existem duas opções. Ou Diakhaby inventou ou não entendeu. O resto é um circo", disse.

"Se a Liga exige um protocolo contra o racismo, aqui está o meu apoio. Eu reitero e reivindico esse apoio. Não há racismo no futebol espanhol", completou.

Entenda o caso

No último domingo, o zagueiro francês acusou o espanhol Juan Cala de racismo ainda aos 29 minutos do primeiro tempo. Revoltado, Diakhaby procurou o árbitro e disse que Cala o havia chamado de 'negro de m***'. Todo o elenco do Valencia se sensibilizou com a causa e deixou o gramado.

Após 20 minutos, os atletas do Valencia retornaram ao gramado para não perderem a partida. Diakhaby, no entanto, não voltou. O árbitro relatou na súmula as palavras do zagueiro francês de acusação contra Juan Cala.