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Paulistão tem até treinos vetados pelo Governo de SP, Federação estuda três outros estados, mas já tem um 'não'

O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, revelou, em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta quinta-feira (11), que três estados brasileiros aceitaram receber os jogos do Paulistão 2021, após a confirmação da paralisação do futebol no Estado de São Paulo a partir do próximo dia 15 de março, incluindo os treinos, pelo Governador João Dória. Apesar do decreto, o dirigente ainda gantiu que o estadual será encerrado na data prevista, 23 de maio. O Rio de Janeiro, que havia sido um dos estados que se ofereceu, porém, voltou atrás na decisão pouco tempo depois.

"Primeiro a gente tem que deixar muito claro que o futebol de São Paulo, os clubes de São Paulo são todos sensíveis à situação que vive o Estado e o Brasil, estamos numa situação extremamente delicada, com mortes, internações e nós todos temos uma preocupação enorme, é por isso que os clubes de São Paulo, desde o ano passado, têm um cuidado enorme com a ciência, com a medicina, com seus funcionários, atletas e comissões técnicas. Não há nenhum caso de contaminação dentro de uma partida de futebol, dentro do centro de treinamento. Quando ela acontece, vem de fora pada dentro. Qual é a diferença de um clube de futebol? Cuida muito do seu time, equipe, funcionários e colaboradores, são testes no mínimo semanais. Logo detectado, são tomadas providências. O que a gente defende é poder continuar cuidando dessas pessoas. Parar futebol não significa que a pandemia vai melhorar por causa disso, o futebol gera entretenimento e o futebol cuida muito dessas pessoas, não há nenhuma atividade econômica que cuide tanto dos seus colaboradores com o futebol. Até agora, 35 mil testes, feitos do clube mais poderoso ao mais humilde. O protocolo é único, é o mesmo. Isso que vamos levar novamente ao governo, ao MP e ao Centro de Contingência da COVID-19 para justificar a permanência do futebol. Queremos continuar podendo cuidar de pessoas", começou por dizer.

Sobre a possibilidade de o Paulistão ser disputado em algum outro estado brasileiro, Carneiro revelou que Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul se colocaram à disposição para receberem os jogos do estadual. Entretanto, segundo ele, a premissa é manter a disputa em São Paulo.

"A prioridade é jogar em São Paulo, mas também na reunião que terminamos agora com os clubes, nós vamos terminar o campeonato na data prevista, ainda não estamos julgando nem pensando em mudar de estado, pode ser Rio, Minas, Mato Grosso do Sul. Mas neste momento não está em análise isso. Queremos mostrar às autoridades que podemo fazer e jogar aqui (em São Paulo)", revelou.

"Rio, Minas e Mato Grosso do Sul. O presidente Cesário, do Mato Grosso do Sul, o presidente Rubens Lopes, no Rio de Janeiro, e o Dr. Adriano Aro, em Minas Gerais. Sim (os três se ofereceram) , mas não é a nossa prioridade neste momento, o que a gente pensa é jogar em São Paulo, mostrar o trabalho que os clubes fazem", prosseguiu.

"Vamos tratar disso após a reunião de segunda-feira (15) com os clubes, com o governo, e na reunião marcada novamente com os clubes para às 15h o A1 e às 17h a A2. Nosso trabalho é feito para jogar em São Paulo", prosseguiu.

Por fim, o presidente da FPF ainda falou sobre a decisão de João Dória, de deixar as medidas de prevenção à COVID-19 ainda mais restritivas em São Paulo, e negou que a intenção da federação seja romper com o Estado.

"Eu não sou especialista, mas pela própria coletiva do governo hoje, a paralisação foi somente por uma recomendação do MP, não se questionou a ciência, medicina, nem o protocolo que os clubes de São Paulo usam para as suas partidas de futebol", disse.

"A possibilidade de romper com o Governo de São Paulo não existe. Vamos tomar atitude e termonar o campeonato na data prevista. Os clubes de São Paulo e o futebol de São Paulo prezam pelo diálogo, mas com firmeza, vamos tomar a atitude que for necessária para continuarmos e terminarmos o campeonato", finalizou.

Em relação ao Rio de Janeiro, minutos após a declaração de Carneiro, o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro (PSC), que havia sido consultado e dado aval para a disputado do Paulistão no estado, voltou atrás na decisão e emitiu comunicado.

"O governador em exercício Cláudio Castro foi consultado sobre abrir estádios do Rio para o Paulistão, mas negou por conta do avanço dos números da COVID-19 no estado", escreveu a assessoria do governo do Rio de Janeiro na noite desta quinta.

Além dos estádios da capital (Maracanã, São Januário, Nilton Santos, Luso-Brasileiro e Conselheiro Galvão), também estariam aptos - no entendimento dos dirigentes - o Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, o Eucy Resende de Mendonça (Bacaxá), em Saquarema, o 'Laranjão', em Nova Iguaçu, e o Eduardo Guinle, em Nova Friburgo.

Alguns componentes do corpo diretivo da federação do Rio de Janeiro não aprovaram a iniciativa, por considerarem que a sobrecarga de jogos iria prejudicar os gramados.

Sobre a proibição dos treinamentos no estado de São Paulo a partir da próxima semana, a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo afirmou que os treinos também fazem parte da paralisação do futebol.

"O setor está fechado. Os treinos fazem parte do setor", declarou.

De qualquer forma, o prazo que a FERJ estabeleceu para a FPF se posicionar quanto à marcação de jogos no estado é na próxima segunda-feira (15).

O Campeonato Paulista realizará normalmente sua 4ª rodada neste fim de semana, no sábado e no domingo. A 5ª rodada, contudo, ainda está indefinida.