Um dos poucos finalistas que já conquistaram a Conmebol Libertadores, Marcos Rocha é um jogador com muitos títulos ao longo da carreira. Antes disso, porém, o lateral sofreu para se firmar na carreira e superar as críticas. Formado na base do Democrata-MG, ele foi descoberto após enfrentar o Atlético-MG em uma partida do Mineiro sub-20, em Sete Lagoas.
O FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h.
“Durante o jogo eu gostei dele e conversei com o preparador físico, que me disse: ‘Ele é bom, mas faz muita falta e entra muito forte’. Fiquei com o nome dele na minha cabeça para que pudesse vir para o Atlético”, disse o técnico Marcelo Oliveira, que comandava a equipe de juniores do Galo à época, ao ESPN.com.br.
Pouco mais de um mês depois da partida, o irmão do treinador, que era preparador físico, soube que Marcos Rocha estava sem clube e o indicou para o Atlético. Em poucos dias de treino, ele foi aprovado no testes e rapidamente virou titular na base.
“Falavam que Marcos era um lateral que não marcava e que atacava muito. Eu disse que ele era o jogador que mais roubava bola e continua sendo assim. Era um atleta técnico, disciplinado e determinado porque gosta de trabalhar. Fazia atividades depois dos treinos para se aprimorar. Era um garoto mais reservado e não era de falar muito”, defendeu o treinador.
Em 2008, Marcelo Oliveira foi comandar na Série B o CRB-AL, que tinha parceria com o Atlético-MG. Ele levou o lateral junto com outros jogadores que haviam acabado de subir aos profissionais e que não tinham chances.
Depois de ter se destacado na competição, ele voltou ao Atlético-MG em 2009 para ser comandado pelo técnico Émerson Leão. Teve uma sequência na Estadual e ganharia um reajuste no salário quando completasse 10 jogos como titular. Após a nona partida, porém, foi sacado do time para a entrada do zagueiro Werley, que daria mais consistência defensiva ao time.
Marcos atuou em 23 jogos e fez três gols, antes de sair novamente do Galo. Logo na pré-temporada de 2010, ele soube que não seria utilizado por Vanderlei Luxemburgo e foi jogar o Campeonato Paulista pela Ponte Preta. Em Campinas, porém, ele sofreu com a torcida e o fraco desempenho da equipe no torneio.
Volta por cima
Após o fim do Estadual, ele tinha tudo certo para trabalhar outra vez com Marcelo Oliveira no Paraná Clube, mas uma inesperada ligação do América-MG o fez mudar de planos. Convidado para jogar a Série B com o objetivo de conquistar o acesso, o lateral preferiu ficar em Belo Horizonte porque a filha estava para nascer e poderia ficar mais perto de casa.
Destaque na Série B e no Brasileirão de 2011, Marcos teve ofertas de Figueirense, Bahia, Atletico-PR, Coritiba e Vasco. O técnico Cuca, porém, vetou todas e disse à pessoas próximas ao jogador que desejava tê-lo de volta no Atlético-MG.
“Toda vez que comandava clubes como Ipatinga, Paraná e Coritiba eu tentei levar o Marcos, mas não consegui”, disse Marcelo Oliveira.
Cuca, que era muito contestado porque havia levado uma goleada por 6 a 1 do Cruzeiro na última rodada do Brasileiro, só não caiu porque o presidente Alexandre Kalil e diretor Eduardo Maluf o seguraram. A dupla atendeu ao pedido do treinador e manteve Marcos Rocha no elenco.
Na estreia do Mineiro de 2012, porém, o lateral começou como reserva na Arena do Jacaré, contra o Boa Esporte. No segundo tempo, Cuca colocou Marcos Rocha na vaga de Carlos César quando o Atlético já vencia por 2 a 0.
Depois disso, ele nunca mais saiu do time. Pessoas próximas ao jogador acreditam que esse jogo foi importante na carreira porque ele foi bancado quando menos se esperava. Existia muita afinidade entre Cuca e Marcos Rocha, mesmo nos períodos mais complicados. No começo, ele foi bastante cobrado e vaiado pela torcida por causa das atuações irregulares, sobretudo na parte defensiva. Mesmo assim, o treinador sempre passou muita confiança e deu liberdade para que o comandado jogasse da forma que gostava.
“Os empréstimos fizeram muito bem para o Marcos porque às vezes um jovem pode se queimar ao ser lançado em um momento ruim do clube. Ele voltou mais maduro”, afirmou Marcelo.
Com o passar do tempo, ele passou a ser destaque da equipe mineira e foi chamado duas vezes para a seleção brasileira, ainda sob comando de Luiz Felipe Scolari. Além disso, firmou-se como um xodó da torcida atleticana.
Lateral é escanteio
Uma das jogadas mais famosas do jogador é o lateral dentro da área.
“Desde a base ele tinha essa jogada de alguém receber a bola atrás da defesa adversária. O arremesso dele é um dos melhores porque ganha muita distância”, explicou Marcelo.
Isso ficou imortalizado contra o São Paulo no Horto. Ronaldinho pediu água para o goleiro Rogério Ceni e ficou parado próximo à linha de fundo. Marcos Rocha viu o colega sem marcação e mandou a bola com força. O meia cruzou na medida para Jô fazer o gol.
Quando o Atlético-MG tinha um lateral perto da linha de fundo, o posicionamento na área adversária era idêntico ao de um escanteio, tamanha a força que Marcos conseguia lançar a bola. Nos treinos, Cuca costumava gritar: ‘Lateral é escanteio’.
Depois de ser um dos pilares do time em toda campanha da Conmebol Libertadores, Marcos não jogou a decisão contra Olimpia, no Mineirão, porque levou um terceiro amarelo na primeira partida da final. O lateral comemorou o título sem participar do último jogo. Neste sábado, ele terá a chance de reescrever a história.
“É um jogador que tem atuações muito equilibradas. Fico feliz por ter crescido e virado um lateral que sabe chegar ao ataque. Ele fez uma carreira muito boa. Torço muito por ele”, finalizou Oliveira.
