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Guardiola, reforços questionáveis e paralelo com United: o que está por trás da 'má fase' do Manchester City

Enquanto tenta encontrar uma razão para o pior início de temporada do Manchester City desde que assumiu o cargo de técnico, em 2016, seria fácil sugerir que Pep Guardiola perdeu a mão no Eithad. Afinal, a fase ruim dos Citizens não veio do nada.

O empate por 1 a 1 no sábado (24) com o West Ham, durante o qual Sergio Aguero saiu mancando com uma lesão muscular, foi a terceira vez em cinco rodadas que o City perdeu pontos, marcando seu pior início desde 2014.

O time falhou em propor qualquer tipo de desafio ao Liverpool na temporada passada da Premier League, e a campanha na Champions League chegou ao fim contra o Lyon. Estaria a "má fase" do City se tornando uma tendência?

É justo dizer que City e Guardiola perderam o ar de invencibilidade que desenvolveram na conquista de títulos consecutivos, mas apenas uma parte da culpa pode ser atribuída a Guardiola.

Os problemas do City foram se desenvolvendo ao longo do tempo e estão enraizados na maneira como o time contratou jogadores nos últimos três anos. Em muitos aspectos, eles estão cometendo os mesmos erros que o Manchester United durante os últimos anos de Sir Alex Ferguson no comando. O City está contratando jogadores que não são tão bons quanto aqueles que deveriam substituir e, quando isso acontece, os efeitos negativos aparecem de pouco em pouco.

No United, a queda gradual do time só começou a pesar depois que Ferguson se aposentou em 2013, deixando um rastro de sucessores com a impossível tarefa de manter o sucesso do clube com jogadores inferiores aos que Ferguson teve ao longo de sua carreira. Tudo começou com a venda de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid por 80 milhões de libras em 2009. Ronaldo foi substituído por Antonio Valencia, uma contratação de 16 milhões de libras, com Michael Owen também contratado.

Então vieram nomes como Chris Smalling e Phil Jones, identificados como substitutos de longo prazo para Rio Ferdinand e Nemanja Vidic, e outras contratações baratas, como Bebe, Gabriel Obertan e Alex Buttner.

Ferguson disse que o United estava encontrando "valor no mercado", enquanto o City gastava muito com nomes como Carlos Tévez, Yaya Touré, David Silva, James Milner e Aguero.

Quando o United venceu o City na corrida para contratar Robin van Persie em 2012, foi o suficiente para reconquistar o título naquela temporada, mas o estrago já havia sido feito. Muitos grandes nomes foram substituídos por jogadores menos capazes e o United ainda está pagando o preço, quase uma década depois.

O City ainda não está nessa fase, mas o alarme tem que estar tocando no Eithad porque o clube perdeu a noção do mercado de transferências. Seus críticos argumentarão que eles gastaram mais que todos os seus rivais sob o comando de Guardiola, que, de acordo com a Transfermarkt.com, torrou 832,4 milhões de libras em novos jogadores desde que substituiu Manuel Pellegrini como treinador em julho de 2016.

Mas isso não se traduz automaticamente em valor para o campo - o United na era pós-Ferguson é um ótimo exemplo disso - e embora eles tenham gasto grandes quantias, sua contratação mais cara é surpreendentemente baixa em comparação com outros clubes europeus importantes: 64,3 milhões de libras por Rúben Dias, zagueiro do Benfica.

United, Liverpool, Arsenal e Chelsea contrataram jogadores mais caros do que o City, embora o City tenha contratado sete jogadores que custaram mais de 50 milhões de libras desde que Guardiola assumiu o comando, então eles têm constantemente abastecido seu time com contratações caras.

Com exceção de algumas, como a de Robinho em 2008 (32,5 milhões de libras) ou as 35 milhões de libras por Aguero em 2011, o City sempre gastou na parte de cima do mercado, mas nunca no topo dele. Mas embora eles tenham investido muito, já faz muito tempo que o City não faz um upgrade significativo em alguma posição do elenco.

Aymeric Laporte tem sido um grande sucesso desde que chegou do Athletic Bilbao por 58,5 milhões de libras em janeiro de 2018, mas ele é uma raridade. Vincent Kompany ainda não foi devidamente substituído - Dias e Nathan Aké foram contratados por um total combinado de pouco mais de 100 milhões de libras para fazer isso nesta janela - embora ainda não haja sucessores óbvios para Yaya Touré ou David Silva.

O City tentou substituir Fernandinho antes de ele partir, mas apesar de gastar 56,4 milhões de libras em Rodri em 2019, Fernandinho continua a ser o melhor volante do time aos 35 anos de idade.

Aguero, cujo contrato termina no ano que vem, é o melhor atacante do City de longe; Gabriel Jesus não está no mesmo patamar. As opções de ataque de Guardiola não vão muito além do jovem brasileiro.

E enquanto o City está animado com o potencial de Ferrán Torres, que custou 20 milhões de libras, é difícil vê-lo sendo uma melhora na posição após a saída de Leroy Sané, que foi vendido para o Bayern de Munique no início deste ano.

Além de Laporte, as janelas de transferência recentes têm sido um conto de altos gastos e baixo retorno para o City. Outras contratações caras, como Riyah Mahrez (61 milhões de libras), João Cancelo (27,6 milhões de libras) e Benjamin Mendy (51 milhões de libras), até agora, decepcionaram os torcedores.

Guardiola é claramente o culpado por grande parte dessa queda, mas quando você perde jogadores grandes e os substitui por outros inferiores, há apenas um caminho para o time seguir.