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Neymar 10 anos de seleção: estreia goleadora, títulos, frustrações e nova caminhada em busca do título mundial

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Tite fala sobre 'vínculo de confiança' com Neymar: 'É natural' (1:45)

O treinador da seleção brasileira contou à imprensa como é a relação com o atacante do PSG, que é dúvida para a estreia nas Eliminatórias (1:45)

Será com alguns meses de atraso por causa da pandemia de COVID-19, mas Neymar poderá finalmente celebrar em campo os dez anos completados em agosto passado com a camisa da seleção brasileira.

Ele ainda é dúvida para o duelo que abre as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2022 contra a Bolívia, nesta sexta-feira, em São Paulo, mas não deve ter problemas para atuar no jogo de terça contra o Peru em Lima.

Naquele 10 de agosto de 2010, o então jovem do Santos foi escalado como titular pelo técnico Mano Menezes, também estreante no cargo, no amistoso diante dos Estados Unidos em Nova York.

Ali, de cabeça, o hoje astro do futebol mundial marcava o primeiro de seus 61 gols pelo Brasil. Autor do cruzamento na medida para Neymar balançar as redes, André Santos guarda boas recordações daquele dia especial.

"A estreia do Neymar foi muito bacana, ele era muito novo e estava começando. Ele estava numa ascensão muito boa com Ganso, André e outros jogadores naquela época. Ele chegou muito bem na seleção e se sentiu bem à vontade. É um menino muito extrovertido e brincalhão, para cima", disse o ex-lateral esquerdo.

"Estava um pouco envergonhado porque só tinha cobra: Elano, Daniel Alves, Lúcio, Gilberto Silva, Juan, Robinho, Daniel Alves... Ele chegou mais tímido e aos poucos foi se soltando. No primeiro jogo, já marcou um gol e foi muito bem contra os EUA em Nova York. Fizemos um excelente jogo lá", recorda.

"Era muito bacana porque era um começo de trabalho do Mano e estava tendo uma mescla de jovens como Pato, Ganso e Neymar com outros mais experientes como Robinho, etc... Essa mudança foi muito bacana e foi acontecendo gradualmente".

"Quem chega à seleção tem muito respeito, porque é o ápice, todos querem jogar. Foi uma troca de experiência incrível. Todo mundo que chega recebe um trote. Pedimos para ele subir na cadeira, cantar uma música e agradecer o pessoal da comissão técnica. Dissemos que íamos raspar o cabelo dele. Quem coordenava isso era o pessoal da mesa da frente com Robinho e Dani Alves. Era uma forma de entrosar com o grupo e deixarem à vontade".

Sobre o jogo, André Santos se lembra do lado "diferenciado" de Neymar já sendo mostrado a todos.

"Ele jogou muita bola. Toda hora chamava o jogo e ia para cima. Ele sempre foi diferenciado e mostrou essa personalidade. Não foi à toa que deu certo, porque sempre teve esse status de estrela na base do Santos e, quando chegou no profissional e na seleção, nada mudou, foi só um patamar a mais que ele atingiu", analisou.

"A gente conversou muito, brincou e passou tranquilidade para o Neymar dentro do vestiário. A gente colocava música para deixá-lo tranquilo, e isso facilitou bastante. A gente passava a experiência que tínhamos na Europa e na seleção".

"No aquecimento, a gente sempre brincava com o exercício do [preparador físico] Paulo Paixão e pegávamos no pé, e o Neymar entrou na onda. Tanto é que quando eu dei assistência e o Neymar fez o primeiro gol dele na seleção, ele brincou com o Paixão do exercício na comemoração do gol", diverte-se.

Desde aquela estreia, Neymar atuou em 101 jogos pela seleção, disputou duas Copas do Mundo (2014 e 2018) e duas Copas América (2011 e 2015), conquistou a Copa das Confederações de 2013 e também a Olimpíada de 2016 em casa.

Sofreu com uma contusão nas costas que o tirou da Copa de 2014 antes da semifinal, foi suspenso por brigar na Copa América de 2015 e quatro depois se lesionou em amistoso antes da campanha vitoriosa no torneio continental.

Agora, aos 28 anos, Neymar se prepara para sua terceira disputa de eliminatórias como principal nome da seleção de Tite e com um objetivo claro: liderar a conquista ao título mundial que o Brasil não vê desde 2002.