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Champions: herói do Bayern, Coman já foi maior promessa do PSG, saiu de graça e quase se aposentou aos 22 anos

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Bayern superou PSG e foi campeão da última Champions League (1:04)

Lewandowski e Thomas Müller terão pela frente novamente Mbappé e Neymar (1:04)

Na primeira final de Champions League de sua história, o PSG viu um jovem revelado em suas categorias de base ser decisivo. O problema é que Kingsley Coman, mais de sete anos depois de sua estreia, já vestia outra camisa, a do Bayern de Munique, o novo campeão europeu.

Coman foi a maior surpresa do time titular do técnico Hans-Dieter Flick. Retribuiu a aposta aos 14 minutos do segundo tempo, quando recebeu cruzamento de Joshua Kimmich e cabeceou para vencer Keylor Navas. Nove minutos depois, foi substituído e viu do banco o título.

Entre os reservas foi também como ele passou a maior parte do tempo que esteve entre os profissionais do PSG. No total, apenas quatro partidas no time de cima. A falta de espaço o motivou a não renovar e decidir deixar o clube, de graça, em julho de 2014, rumo à Juventus.

Não deixa de ser curioso para um jovem que surgia como uma das maiores promessas parisienses. Em fevereiro de 2013, por exemplo, estreou e se tornou o mais novo a já vestir a camisa do PSG, com 16 anos, oito meses e quatro dias, em derrota para o Sochaux.

Coman foi descoberto pelo PSG no pequeno US Sénart-Moissy, sendo contratado em 2004. Nos nove anos de base, passou por todas as seleções inferiores da França, desde o sub-16.

Não faltaram interessados em apostar no talento do atacante. Antes da estreia entre os profissionais do PSG, foi seguido de perto por olheiros de Manchester City, Manchester United e Arsenal. No momento da ida à Juventus, Tottenham e Newcastle também o procuraram.

“Escolhi a Juventus por sua história. Foi o clube de Platini, Zidane e Trezeguet”, disse ele, citando a admiração por ícones do futebol francês.

Neste domingo, aliás, Coman se junta a um deles, como o quinto jogador do país a marcar em uma final de Champions. Antes do atacante do Bayern, Benzema (2018), Zidane (2002), Marcel Desailly (1994) e Basile Boli (1993) haviam conseguido o feito. Só Coman, porém, fez contra um time francês.

Na Alemanha, a história de Coman começou em agosto de 2015, quando foi contratado pelo Bayern por empréstimo – inicialmente, por 7 milhões de euros. Em 2017, enfim, exerceu a opção de compra definitiva, pagando mais 21 milhões de euros pelo seu agora herói.

Naquele ano, inclusive, Coman chegou a concorrer ao prêmio Golden Boy, como melhor sub-21 da Europa – foi superado pelo compatriota Anthony Martial, do Manchester United.

A troca de Pep Guardiola por Carlo Ancelotti prejudicou o desenvolvimento de Coman, que chegou a admitir que pensou em deixar o Bayern. A partir da temporada 2017/18, porém, reencontrou seu melhor nível, até viver seu auge neste domingo, com o gol na decisão da Champions – ainda que, com Flick, já não seja mais um titular absoluto do time.

Com a França, Coman foi vice-campeão da Eurocopa de 2016 e ficou de fora da seleção que venceu a Copa do Mundo de 2018 – esteve na “lista de espera” do time de Didier Deschamps. Foi prejudicado por uma lesão, que chegou a fazê-lo pensar em abandonar o futebol.

“Não vou fazer mais nenhuma operação. Espero não ter que reviver o que passei, pois estou farto”, desabafou ele, aos 22 anos, em dezembro de 2018.

“Se o meu pé não foi feito para isso, então mais vale procurar outro trabalho. O ano está sendo muito difícil. Tudo desmoronou quando me lesionei a primeira vez e só espero não voltar a passar por isso. Se acontecer, é sinal que não sou feito para este nível. Então vou viver uma outra vida, uma anônima”, completou Coman, que não largou o futebol.

Sorte do Bayern. Pior para o PSG...