<
>

ESPN Na Lata! Paulo Calçade lista só 'esquadrão' ao eleger os três melhores times brasileiros que já viu

Chegou a vez de Paulo Calçade estrear no ESPN Na Lata!, quadro que tem como objetivo tirar os participantes do meio termo, da dúvida, e colocá-los nas saborosas polêmicas que sempre surgem nas redes sociais. E a regra principal é simples: não pode ficar em cima do muro, tem que responder de forma direta. Ou melhor: Na Lata!

A empreitada do ESPN.com.br teve início no dia 18 de maio, quando Mauro Cezar Pereira ‘chutou’ o óbvio ao escolher os três maiores atacantes e os três maiores meio-campistas que já viu.

Calçade, assim como Gian Oddi, Gustavo Hofman e Leonardo Bertozzi, também convidados, ainda vai responder estas perguntas acima, mas desta vez teve que encarar outra questão: quais os três maiores times que você já viu do futebol nacional e por quê?

“Aí é pergunta para arrumar confusão, né?” Foi assim, de forma bem-humorada, que ele começou a responder, deixando bem claro que sabia a ‘encrenca’ em que havia se metido.

Calçade citou verdadeiros esquadrões do passado, mas preferiu se ater aos que de fato viu jogar, fazendo jus à pergunta. E fez sua lista do terceiro para o primeiro lugar, que é para manter o bom e velho suspense.

Bronze

“Em terceiro lugar, eu vou ficar com o Palmeiras de 1996, o Palmeiras que tinha um timaço, durou só seis meses, que ganhou o Campeonato Paulista. Poderia ter feito muito mais? Também! E por que está [nesta lista]? Porque tem uma lembrança ali de excelência, de um futebol fenomenal, de um futebol lindo de assistir”, explicou ao colocar o time paulista no terceiro lugar do pódio.

E lamentou: “É um time que está na minha mente até hoje, até com tristeza, porque durou muito pouco, acho que aquela equipe poderia, se continuasse daquela forma, marcar história no futebol brasileiro, não só no Brasil, mas na América do Sul e no mundo.”

Medalha de prata

"Vou pegar o Flamengo. Se o Palmeiras [de 1996] não ganhou títulos mais importantes, o Flamengo ganhou. Foi campeão brasileiro, este Flamengo do Jorge Jesus, campeão da Libertadores, disputou o título mundial, então, ele está muito recente, é muito gostoso ver o Flamengo jogar."

A equipe de Gabigol, Bruno Henrique, Éverton Ribeiro, De Arrascaeta, Gérson e cia. comandada pelo português encantou o jornalista com o futebol envolvente, fulminante e que sobrou no cenário nacional a partir da segunda metade de 2019.

E o 'troféu Calçade' vai para...

Calçade deixou claro que cobrir aquele time ainda em seus tempos de repórter talvez tenha muito a ver com a escolha, mas não titubeou.

"E o primeiro da lista é o São Paulo do Telê Santana! São Paulo de Telê Santana campeão mundial, um técnico que buscava a excelência, cobrava isto dos seus jogadores, tinha um time muito maduro, muito gostoso de ver jogar."

Calçade, que normalmente é avesso a listas no estilo 'melhor x pior' por enxergar o futebol de maneira, como ele mesmo diz, mais densa, profunda, ainda finalizou com um recado para os fãs de esporte.

"Poderia tirar estes três, colocar outros, colocar equipes que chegaram mais longe em competições mais importantes, mas aí eu estou falando o que a minha emoção, a minha memória vai guardar durante um bom tempo. Então, não sofra com as escolhas, tá bom?"

O Palmeiras de 1996, comandado por Vanderlei Luxemburgo, foi um timaço que durou apenas meia temporada, mas deixou seu nome na história pelo que fez no Campeonato Paulista daquele ano, com direito a espetáculos que resultaram em um título com muita sobra. Em 30 jogos, 27 vitórias, dois empates e apenas uma derrota. 102 gols marcados (média de 3,4 por duelo), só 19 sofridos (0,6 por duelo) e campeão dos dois turnos, o que lhe garantiu a taça sem necessidade de final.

Ao todo, aquele esquadrão fez 45 partidas e balançou as redes 138 vezes (3,06). Tinha como principais atletas Velloso, Cafu, Sandro Blum (Cláudio), Cléber e Júnior; Amaral (Galeano), Flávio Conceição, Djalminha e Rivaldo; Müller (Elivélton) e Luizão.

O Flamengo de Gabigol e Jorge Jesus está mais recente na memória. Passou a jogar com força máxima mesmo a partir do segundo semestre de 2019 e aí sobrou. Conquistou o Campeonato Brasileiro com folga, levou a Libertadores com uma virada épica nos minutos finais sobre o River Plate e fez boa apresentação contra o poderoso Liverpool na decisão do Mundial de Clubes. Em 2020, já levou a Recopa Sul-Americana e a Supercopa do Brasil. O time principal tinha/tem Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Mari (que já foi para o Arsenal)/Léo Pereira e Filipe Luís (Renê); Willian Arão, Gerson, De Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabigol.

O São Paulo de Telê Santana e Raí foi, de fato, surpreendente. O timaço tricolor venceu os Paulistas de 1991 e 1992, levou o Campeonato Brasileiro de 1991, ganhou duas Libertadores da América seguidas (1992 e 1993) - por pouco não foi tri em 1994, quando perdeu a decisão para o Vélez Sarsfield-ARG nos pênaltis -, foi bicampeão da Recopa Sul-Americana (1993 e 1994), levou as Supercopa da Libertadores de 1993 e a Copa Conmebol de 1994 e ainda bateu os poderodos Barcelona e Milan nas finais da Taça Intercontinental, equivalente hoje ao Mundial de Clubes.

Aquele esquadrão teve, entre 1991 e 1994, Zetti, Cafu, Adílson, Ronaldão e Ronaldo Luís (André Luiz); Pintado (Doriva), Dinho, Toninho Cerezo, Raí (Leonardo); Müller e Palhinha (Juninho Paulista).


* Texto e Produção: Jean Santos e Lucas Garbelotto | Edição de vídeo: Clayton Bianchi