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A história do atacante que não brilhou no Liverpool de Klopp, mas mudou vida de jovem com paralisia cerebral com um beijo

Fazer a diferença tem de ser o objetivo de um finalizador. Fazer a diferença é a meta de vida de Danny Ings, atacante que voltou ao seu time de coração.

A carreira profissional começou perto de casa. Depois de perceber que teria poucas chances na base do Southampton, Danny Ings, apoiado pelo pai, deu os primeiros toques na bola como profissional no Bournemouth, cidade que fica a menos de 50 quilômetros de sua casa.

Um gol ou outro e muita entrega, Danny Ings começava a cumprir o seu propósito e aceitou encarar uma vida diferente e uma viagem bem mais longa. Ele saiu do Sul e foi para o Noroeste da Inglaterra, mas lá acabou reencontrando Eddie Howe. Nem tanta gente sabe, mas Eddie Howe, histórico treinador do Bournemouth, teve uma curta passagem pelo Burnley.

Ings fez a diferença. Com a camisa 14 e depois com a 10, o artilheiro mostrou muita qualidade na hora de definir as jogadas e colocou o time na Premier League. Danny não olhava apenas para a meta adversária, para a tabela de classificação ou para a bola. Atento ao que se passava ao seu redor, o atacante percebia vários garotos que ficavam em suas cadeiras de rodas atrás de um dos gols.

A temporada 2012-2013 estava no fim, o Burnley se despediria de seus torcedores em casa, contra o Ipswich. Vitória por 2 a 0. Danny Ings foi titular, mas não marcou gol. Ao término da partida, Ings atravessou o campo e foi até um dos meninos, deu um beijo em sua testa e depois ofereceu as chuteiras ao rapaz (linda imagem pode ser vista no site da Premier League).

A cena, devidamente registrada, fez a diferença na vida de Ings e de Joseph Skinner - o menino que ganhou o beijo e as chuteiras. Em entrevista ao site oficial do Southampton, Danny Ings contou um pouco do que foi aquele dia. "Ele tem paralisia cerebral, então ele não pode usar tão bem as mãos, mas eu lhe entreguei minhas chuteiras, dei-lhe um beijo na testa e fui fotografado fazendo isso sem perceber. A partir daí, tudo foi diferente. Ficou louco naquele fim de semana - minha mídia social explodiu - e a partir daquele dia tudo mudou; o impacto que eu e outros jogadores de futebol podemos ter na comunidade e nas pessoas que não têm a sorte de ter jornadas semelhantes às nossas. Começamos com 30 pessoas com deficiência por semana. A partir de então, apenas cresceu e cresceu e cresceu. A BT Sport e a Premier League começaram a investir no projeto e cresceu.”

Danny Ings foi o fundador e patrocinador do Danny Ings Disability Sport Project. O Burnley já atuava com projetos semelhantes na comunidade local, mas Ings fez tudo ficar diferente. Anos depois, o próprio Joe Skinner se tornou treinador voluntário no Turf Moor, estádio do Burnley (veja mais no site do clube).

Aquela cena mexeu com a vida de Ings, de Skinner e de muitos outros meninos que passaram a ter a oportunidade de se sentirem incluídos em uma sociedade marcada pela exclusão.

A carreira de Ings tomou outros rumos e ele abriu um imenso sorriso ao ser apresentado no Liverpool. Os tempos eram outros e Ings lutava pelo seu espaço. A entrega, característica marcante do jogador, foi interrompida por uma grave lesão no joelho.

Ings aproveitou o tempo de recuperação para comprar um novo barco para o pai e para estudar economia. Ele teria muito mais tempo. Já com Klopp como técnico, Ings teve uma nova oportunidade e sentiu uma nova lesão, agora em outro joelho.

O tempo do atacante no Liverpool não foi proveitoso no campo, mas ele sempre se sentiu amado pelos companheiros e foi aplaudido quando, pelo Southampton, voltou ao Anfield.

Ings está de volta. Hoje ele visita os avós e sai de barco com o pai com muita frequência. Os números dele na temporada no clube de coração são ótimos. Foram 29 jogos e 15 gols, Ings está a apenas um gol de chegar em Mohamed Salah - os dois até fizeram uma aposta nas redes sociais - e a quatro de Jamie Vardy. Os Saints marcaram apenas 35 gols e Ings fez 15!

Danny Ings, dentro ou fora de campo, faz ou não a diferença?