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Por que Grêmio não teme possíveis processos trabalhistas de Maicon e outros jogadores de seu elenco

Na semana passada, a ESPN mostrou que o meio-campista Maicon, do Grêmio, venceu ação na Justiça do Trabalho contra o São Paulo, na qual pedia indenização de R$ 200 mil por falta de pagamento de adicional noturno e jornada dobrada (quando há serviço em domingos e feriados). A condenação ficou na casa dos R$ 700 mil com juros e correção monetária.

Com o precedente aberto, fica a dúvida: será que o atual clube de Maicon não teme sofrer um processo semelhante do atleta (ou de qualquer outro jogador do elenco)?

Em entrevista à ESPN, o diretor-jurídico do Imortal, Leonardo Lamachia, garantiu que, no Tricolor, não há qualquer temor de enfrentar uma ação semelhante.

O dirigente salientou que a equipe cumpre "rigorosamente" suas obrigações, e que vê os contratos bem resguardados.

No entanto, admitiu que, se algum jogador interpretar as cláusulas de maneira diferente, pode, sim, procurar a Justiça, e aí serão os magistrados que resolverão a questão.

"O Grêmio não tem temor de receber ação judicial dessa natureza. Nenhum receio. O Grêmio cumpre rigorosamente a legislação trabalhista, os contratos, absolutamente tudo", disse Lamachia.

"É claro que o direito de petição é um direito de qualquer trabalhador, seja ele atleta ou outro tipo de profissional. Ações acontecem. O Grêmio, inclusive, tem ações às quais responde na Justiça do Trabalho, porque o direito não é uma ciência exata, vai conforme a interpretação", salientou.

"Então, efetivamente, se há uma determinada cláusula ou um determinado artigo de lei que o clube interpreta de uma forma, depois da rescisão de contrato, se o jogador interpretar difrente e aí for buscar seus direitos, é a Justiça quem vai determinar quem está com a razão. Mas o Grêmio não tem nenhum temor dessa natureza", complementou.

Questionado sobre como o clube se protege de processos trabalhistas da mesma natureza dos de Maicon contra o São Paulo, Lamachia explicou.

"O Grêmio se resguarda em relação a esses temas por meio de cláusulas nos contratos, que regram o pagamento e a forma de prestação de serviço nestas situações de jogos noturnos, viagens, etc. As situações já estão previstas em contratos", observou.

"Só não posso detalhar as cláusulas porque os contratos com os jogadores têm cláusulas de confidencialidade, então não posso detalhar o teor, mas posso afirmar que, nestas situações que foram objeto desses processos tornados públicos recentemente, todas estão previstas nos contratos do Grêmio, o que só reforça minha manifestação de que não temos temor deste tipo de ação", assegurou.

A EXPLICAÇÃO DE MAICON

No dia em que foi noticiada sua vitória na ação contra o São Paulo, Maicon usou suas redes sociais para se manifestar.

Em tom de desabafo, ele afirmou que estava apenas "correndo atrás de seus direitos", e incentivou outros trabalhadores a fazerem o mesmo.

Leia abaixo:

Hoje acordar com vários 'bom dia' diferentes. Aí eu te pergunto: os errados sempre somos nós, jogadores? Parece que não temos família. 2004 e 2005 joguei no Fluminense e estou até hoje sem receber. 2006 joguei quatro meses no Botafogo e só recebi dois, e também estou até hoje sem receber. 2009 cheguei no Figueirense e saí em dezembro de 2011, também fiquei sem receber e liguei para o diretor na época. Com palavras dele: 'Não temos dinheiro para te pagar'. Fui à Justiça e recebi. Aí vou para o São Paulo praticamente de graça, saio em 2015 com três meses de imagem atrasada e só recebi porque o Grêmio me comprou do São Paulo po R$ 7 milhões. Aí corro atrás do meu direito e estou errado? Torcedores do São Paulo: menos 'mimimi' e vá cobrar quem administra seu clube. Tem tantas pessoas que estão acabando com nosso país e sempre vejo notícias de jogadores de futebol. Se a gente ajuda, não faz mais que a obrigação. Se cobramos nossos direitos, somos mercenários. Eu não vi nenhum torcedor desses clubes dos quais saí bater na minha porta e me pagarem o que devem. Aí querem ficar te xingando no Instagram. Menos 'mimimi'. Quero ver se vocês fossem mandados embora dos seus trabalhos, ficassem sem receber e o seu advogado te falasse que você tinha direito, se vocês não fariam a mesma coisa. É muita hipocrisia. Deus abençoe essas pessoas e que ele possa dar em dobro tudo o que me desejam. Só Deus, mesmo. Não fui o primeiro e nem serei o último jogador a cobrar de clubes o que estou cobrando. Além disso, estou cobrando outras coisas também, direito de arena e assim vai. No meu pensamento e de outros jogadores que também estão cobrando, são direitos nossos, independentemente de quanto ganhamos. Isso é lei. Futebol é entretenimento para quem assiste. Para nós, é nosso ganha pão, nossa profissão. E todo trabalhador tem seu direito garantido. Só que, por sermos jogadores de futebol e todo mundo achar que ganhamos muito, jamais teremos que cobrar essas coisas. Está errado. Independentemente da profissão ou valores de salários, direitos são direitos, e ponto final.