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São Paulo perde ação e é obrigado a pagar adicional noturno e extra de domingos e feriados a Maicon

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Cartola do clube deu entrevista exclusiva à ESPN (1:38)

O São Paulo teve recurso negado e foi condenado em 2ª instância pela Justiça do Trabalho a pagar adicional noturno e valores extras referentes a trabalho em domingos e feriados ao meio-campista Maicon, atualmente no Grêmio, que defendeu o time paulista entre 2012 e 2015.

A notícia foi dada primeiramente pelo portal UOL e confirmada pela ESPN.

Na votação do recurso, os magistrados da 11ª turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª região entenderam que o clube do Morumbi deve pagar integralmente as verbas pedidas pelo jogador.

A condenação ficou em R$ 200 mil (além das custas processuais, avaliadas em R$ 3,4 mil).

No entanto, com juros e correção monetária, o montante pode chegar aos R$ 700 mil, já que a ação foi iniciada em 2016, há quatro anos.

Em mensagem postada no seu Instagram (veja abaixo), Maicon afirmou que estava cobrando seus direitos.

"Futebol é entretenimento para quem assiste. Para nós, é nosso ganha pão, nossa profissão. E todo trabalhador tem seu direito garantido. Só que, por sermos jogadores de futebol e todo mundo achar que ganhamos muito, jamais teremos que cobrar essas coisas. Está errado", escreveu, em trecho de longo desabafo.

"Independentemente da profissão ou valores de salários, direitos são direitos, e ponto final", completou.

No processo, foram apresentadas diversas súmulas que mostram a participação de Maicon em jogos terminados após 22h, que é o horário em que o trabalhador passa a ter direito ao adicional noturno.

Além disso, foram anexadas outras súmulas que comprovam a participação do atleta em partidas realizadas aos domingos e feriados, o que dá direito a jornada dobrada.

Maicon jogou de 2012 a 2015 no São Paulo, disputando 161 jogos e anotando 9 gols.

Em seguida, ele foi comprado pelo Grêmio, time que defende até hoje.

VEJA DESABAFO DE MAICON

Hoje acordar com vários 'bom dia' diferentes. Aí eu te pergunto: os errados sempre somos nós, jogadores? Parece que não temos família. 2004 e 2005 joguei no Fluminense e estou até hoje sem receber. 2006 joguei quatro meses no Botafogo e só recebi dois, e também estou até hoje sem receber. 2009 cheguei no Figueirense e saí em dezembro de 2011, também fiquei sem receber e liguei para o diretor na época. Com palavras dele: 'Não temos dinheiro para te pagar'. Fui à Justiça e recebi. Aí vou para o São Paulo praticamente de graça, saio em 2015 com três meses de imagem atrasada e só recebi porque o Grêmio me comprou do São Paulo po R$ 7 milhões. Aí corro atrás do meu direito e estou errado? Torcedores do São Paulo: menos 'mimimi' e vá cobrar quem administra seu clube. Tem tantas pessoas que estão acabando com nosso país e sempre vejo notícias de jogadores de futebol. Se a gente ajuda, não faz mais que a obrigação. Se cobramos nossos direitos, somos mercenários. Eu não vi nenhum torcedor desses clubes dos quais saí bater na minha porta e me pagarem o que devem. Aí querem ficar te xingando no Instagram. Menos 'mimimi'. Quero ver se vocês fossem mandados embora dos seus trabalhos, ficassem sem receber e o seu advogado te falasse que você tinha direito, se vocês não fariam a mesma coisa. É muita hipocrisia. Deus abençoe essas pessoas e que ele possa dar em dobro tudo o que me desejam. Só Deus, mesmo. Não fui o primeiro e nem serei o último jogador a cobrar de clubes o que estou cobrando. Além disso, estou cobrando outras coisas também, direito de arena e assim vai. No meu pensamento e de outros jogadores que também estão cobrando, são direitos nossos, independentemente de quanto ganhamos. Isso é lei. Futebol é entretenimento para quem assiste. Para nós, é nosso ganha pão, nossa profissão. E todo trabalhador tem seu direito garantido. Só que, por sermos jogadores de futebol e todo mundo achar que ganhamos muito, jamais teremos que cobrar essas coisas. Está errado. Independentemente da profissão ou valores de salários, direitos são direitos, e ponto final.