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Entrada violenta em jovem e mais: jornal relembra anos tensos de Felipe Melo na Juventus após ataque de Chiellini

A polêmica entre Giorgio Chiellini e Felipe Melo ganhou um capítulo novo nesta segunda-feira, 11 de maio, com a publicação de uma reportagem do jornal “Tuttosport” relembrando as duas temporadas do jogador do Palmeiras pela Juventus, entre 2009 e 2011.

A Juventus não conquistou nada no período em que Felipe Melo defendeu a equipe e a publicação afirma que, assim como declarou Chiellini (leia mais abaixo), o jogador não evitou situações tensas.

Cita como exemplo uma entrada violenta que o volante brasileiro deu em um jogador da categoria primavera (sub-20) durante um treinamento. O periódico não revela o nome do jovem --nada foi publicado na época--, mas diz que ele “quase perdeu a canela”.

O jornal também recorda uma declaração forte do brasileiro desafiando os torcedores da Juventus que estavam criticando seu comprometimento. A afirmação teria sido: “Não me importa em nada [com o que pensam] os torcedores”.

Em uma busca pelo noticiário da época, a frase mas próxima dessa foi dada após a Copa do Mundo de 2010, edição em que a seleção brasileira caiu nas quartas de final para a Holanda com erros individuais do volante. Ele disse:

“Os torcedores da Juventus me avaliaram após o jogo de hoje e a temporada terminou em preto e branco? Não dou a mínima para o que eles pensam”, disse ao jornal italiano “Corriere dello Sport”, referindo-se também aos fracassos pela Juventus.

Outro episódio relembrado pelo “Tuttosport” é referente à saída de Felipe Melo do clube, no verão italiano de 2011 (agosto). A publicação diz que o jogador procurou os companheiros para cumprimentá-los antes do início do retiro de pré-temporada.

“Com um sorrisinho cínico, fez uma felicitação irônica de que eles venceriam o Scudetto”, publicou. Vale lembrar que a Juventus não era campeã desde 2002/03, tendo em vista que as conquistas de 2004/05 e 2005/06 foram revogadas após comprovação de corrupção.

Ao final da temporada 2011/12, a Juventus voltou ao pódio da Série A (iniciando uma série de oito conquistas consecutivas) e “os jogadores levantaram seus copos no vestiário [após a conquista] e relembraram a ‘profecia’ de Felipe Melo”.

Início da polêmica

A chama dessa história foi acessa com a revelação de trechos da biografia de Chiellini (“Io, Giorgio”) em que ele atacava Balotelli (companheiro na Azzurra) e Felipe Melo.

“Felipe Melo é o pior dos piores. Não consigo lidar com pessoas que não respeitam ninguém. Estava sempre focado em arrumar problemas e criar conflitos, praticando o contrário do que todos faziam. Avisei os responsáveis do clube acerca disto: ‘temos uma maçã podre’”, escreveu Chielini, em trecho recortado do livro e publicado pelo jornal “La Reppública” no sábado.

Em entrevista ao periódico, Chiellini confirmou que o trecho está na sua biografia, assim como os ataques a Balotelli.

“Confirmo, mas não tenho rancor nem estou interessado em ter. Se tiver que compartilhar algo com eles, eu toparia fazer. Não sou o melhor amigo de todos, mas eles são os únicos que ultrapassaram um limite aceitável. Como eu já disse, o problema não é se você joga bem, mal ou se, às vezes, sai à noite, mas [o problema] é se você não respeita. Uma vez ou outra é aceitável, mas quando se torna recorrente, não”, disse.

Felipe Melo respondeu a entrevista de Chiellini em entrevista à versão digital de “La Gazzetta dello Sport”. Mostrou-se surpreso e também atacou o capitão da Juventus.

“Antes de tudo, seria interessante conhecer os episódios a que ele se refere. De qualquer forma, para mim não há problema em responder a 'esse defensor'”, disse inicialmente.

“Quando eu estava em Turim, nunca desrespeitei ninguém: meus companheiros de equipe, os gerentes, a Juventus em geral. Nesse ponto, portanto, não tenho nada contra ele. E eu nunca vou ter. Agora, ele diz que Balotelli deve levar um tapa e que eu sou o pior dos piores e que ele sempre se via metido em uma briga por minha causa? Bem, ele sempre usava isso... E, me desculpe: é muito fácil falar mal dos outros em um livro. Talvez 'esse zagueiro' ainda esteja com raiva de mim porque, quando fui para o Galatasaray, nós os eliminamos na Champions”, prosseguiu.

“[Talvez esteja irritado] porque a Inter venceu tudo. E eu sou interista. Ele é assim: ele sempre faz algo... E outra coisa vem à mente: vencemos a Itália por 3 a 0 na Copa das Confederações de 2009, que foi conquistada pelo Brasil. Aqui, talvez ele esteja se roendo com isso. Além disso, em nível internacional, ele não ganhou nada. Então, encerro: dizer que certas coisas provaram não ser profissionais. Isso é desrespeito. Paro por aqui e não adiciono mais nada, certas coisas devem permanecer nos vestiários”, finalizou Melo.

Felipe Melo defendeu a Juventus por duas temporadas (2009/10 e 2010/11) sem título, algo raro em uma equipe que dificilmente passa mais do que uma temporada em branco. E os resultados foram decepcionantes.

Em 2009/10, a Juventus amargou apenas a sétima posição na Série A. Foi eliminada na fase de grupos da Champions League, nas oitavas da Liga Europa e nas quartas da Copa da Itália. Na temporada seguinte, novamente um sétimo lugar no Campeonato Italiano e eliminações na fase de grupos da Liga Europa e nas quartas de final da Copa da Itália.

Contratado da Fiorentina por 25 milhões de euros em 2009, na época uma quantia recorde, Felipe Melo jogou 78 partidas e fez quatro gols pela Juventus. Depois se transferiu para o Galatasaray, onde virou ídolo. Foram quase cinco temporadas completas na Turquia.

Ele ainda defendeu a Inter de Milão em 2015/16 e em 2016/17 (apenas dez jogos), mas não ganhou nada. Vale lembrar que os neroazzurri e os bianconeri são os maiores rivais na Itália.

Após a saída de Melo e outros jogadores, a Juventus começou a trilhar um caminho vitorioso. Venceu as oito edições seguidas da Série A italiana (recorde absoluto) e foi duas vezes vice da Champions League, seu maior objetivo.