Apelidado como “presidente raiz” pelos torcedores do Cruzeiro justamente por exibir momentos boêmios nas redes sociais, Wagner Pires de Sá mais uma vez aparece com o nome ligado a gastos abusivos no cartão corporativo do clube, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019. Além dos quase R$ 14 mil em férias com a família na Bahia, o ex-mandatário teria gasto R$ 75 mil em restaurantes de luxo, clínica de estética, compras, exames e até delivery de chope.
A informação é do portal de notícias “SuperEspostes” desta sexta-feira, 24.
De acordo com a publicação, só em restaurantes e bares de Belo Horizonte, o ex-presidente gastou R$ 42.734. O local preferido era o D’Artagnan, bistrô localizado no bairro de Lourdes. Ele pagou R$ 13.133 com o cartão do clube. No Mudesto Butiquim, foram R$ 3.580.
Outros locais visitados pelo cartola foram: restaurante do Hotel Fasano (R$ 3.383), A Favorita (R$ 2.813), Armazém Medeiros (R$ 2.194), Kei Cozinha Japonesa (R$ 1.999), Vecchio Sogno (R$ 926), Glouton, do chefe global Leo Paixão (R$ 818) e Udon Restaurante Japonês (R$ 441).
O ex-presidente também fazia compras com o cartão corporativo. Os gastos equivalem a R$ 22.417, nos seguintes locais: Restaurante Bar 14 Bis, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio (R$ 3.663), NB Steak, em Porto Alegre (R$ 2.763) e Sanduka, também no Rio (R$ 1.349).
Até mesmo em uma rede de delivery de chope o cartola usou verba do clube. A investigação aponta um gasto de R$ 2.002.
Wagner de Sá Pires também usou o cartão de crédito corporativo em uma clínica estética de Belo Horizonte. Pagou R$ 9.943. Ele também utilizou as verbas do Cruzeiro para comprar meias de compressão (R$ 355) e para pagar exames no laboratório Hermes Pardini (R$ 150).
Procurado pela reportagem do portal, ele não se manifestou para esclarecimentos.
Vice na mira
As investigações e auditorias apontam que não foi apenas o ex-presidente que abusou do cartão de crédito corporativo. O ex-vice também está na lista, com movimentações nos dois últimos anos.
Hermínio Lemos gastou R$ 3.652 no Restaurante Donde Augusto, no tradicional Mercado de Santiago, 24 horas antes de o Cruzeiro enfrentar a Universidad de Chile pela Copa Libertadores do ano passado. O “SuperEsportes” diz que o cartola dividiu a mesa com outras pessoas.
Já na Argentina o ex-vice-presidente quitou três compras em restaurantes, todas acima de R$ 500. Foram ‘La Cervecaria’ (R$ 521), ‘Siga La Vaca’ (R$ 515) e ‘La Brigada Restaurante’ (R$ 502).
O montante total gasto pelo ex-vice durante as viagens do Cruzeiro para o Chile e para a Argentina equivale a R$ 5.190. Há ainda despesas de R$ 1.731 com serviço de chope delivery.
Em resposta à reportagem do “SuperEsportes”, Lemos disse que usou o cartão corporativo do clube apenas para serviços relacionados ao clube, mas que tinha o hábito de emprestar para outros dirigentes. Negou o uso em restaurantes e delivery de chope.
“Eu sempre emprestei o meu cartão de crédito corporativo a outros diretores quando o Cruzeiro não tinha crédito. Lá estão compras de material de construção (R$ 6.003), compras de lojas de departamento (R$ 3.347 em Casas Bahia e Americanas), já comprei uma televisão para o Cruzeiro. Tem nota fiscal de tudo, basta ligar para os chefes de compra e responsáveis pelo departamento financeiro”, disse Hermínio Lemos para a reportagem do portal.
O “SuperEsportes” também procurou Waneimar Pereira, gerente de compras do Cruzeiro, que afirmou que o gasto em Santiago foi um almoço de confraternização com dirigentes da Universidad de Chile, além de conselheiros que faziam parte da delegação celeste.
“Eu confirmo que, quando necessário, pegávamos os cartões para comprar coisas para o clube. O processo de compras do nosso departamento é extremamente correto. Utilizamos os cartões para conseguir prazo, parcelamentos”, disse Pereira para a reportagem do portal.
Ele também confirmou o uso em compra de chope por delivery. “A gente já fez isso. Compramos chope ou demos parte do valor do contrato com cartões corporativos. Tudo para nossas festas, como Churrascão, Festa Junina, Festa Italiana, entre outros”, disse.
