Na última terça-feira, Ronaldinho Gaúcho conseguiu deixar a Agrupación Especializada de Assunção, onde estava detido desde 6 de março junto ao irmão Roberto Assis por terem entrado no Paraguai com documentos falsos, e agora cumpre uma prisão domiciliar no Hotel Palmaroga, no centro da capital.
Dalia López, a empresária responsável por levar o craque ao país, está foragida desde que seu nome – antes desconhecido dos cidadãos – se transformou no centro de uma investigação profunda do Ministério Público quanto a um esquema de produção de cédulas de identidade e passaportes adulterados com ramificações dentro da política paraguaia.
Uma pessoa, porém, está presa desde o dia 4 de março e pouco se fala ou até mesmo se sabe de sua situação: Wilmondes Sousa Lira.
O empresário do Tocantins foi o elo entre Dalia López e Ronaldinho Gaúcho na confecção dos documentos paraguaios falsos e foi detido no primeiro dia do duas melhor do mundo no Paraguai, no Yacht y Golf Club Hotel, em Lambaré, nas cercanias de Assunção.
Ele foi o único que saiu algemado após a operação do MP e da Polícia Nacional.
Wilmondes está preso na mesma Agrupación Especializada em que Ronaldinho e Assis ficaram por 32 dias, porém ocupa outro pavilhão do local e não teve contato com os irmãos.
A reportagem entrou em contato com Jorge Kronawetter, um dos advogados do empresário, para entender como anda as investigações contra ele.
De acordo com o defensor, nesta semana, Wilmondes Sousa Lira prestou seu primeiro depoimento oral ao Ministério Público desde sua detenção há 36 dias – os primeiros advogados o haviam aconselhado a não falar.
“Ele está sendo acusado de três crimes: uso de documentos falsos, produção de documentos falsos e associação ao crime organizado. No entanto, ele carregou todas essas acusações enquanto não se sabia de toda a participação de Dalia López no caso. A única coisa que Wilmondes queria era documentação autêntica do Paraguai para desenvolver empreendimentos comerciais no país, assim como sua esposa, Paula Lira, já tinha conseguido”, disse Kronawetter.
Paula Lira conseguiu tirar o RG paraguaio original meses antes após entrar em contato com Dalia López, e Wilmondes viu essa possibilidade aberta a ele também. Quando Ronaldinho e Assis - amigos do tocantinense - foram convidados a ir a Assunção para atos da agora extinta Fundação Fraternidad Angelical, eles também solicitaram cédulas de identidade paraguaias.
Ao desembarcarem em 4 de março, os irmãos gaúchos receberam RGs e passaportes falsos e apresentaram à Migração do Paraguai.
Jorge Kronawetter acredita que a situação de Wilmondes Sousa Lira é totalmente reversível depois que as investigações do MP mostraram que Dalia López operava um esquema de produção de documentos falsos para que pessoas pudessem realizar negócios ilícitos no Paraguai. A Fiscalía também vê a empresária envolvida com lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado.
O advogado do empresário brasileiro revelou que a perícia do celular de seu cliente não apontou qualquer ligação maior com Dalia López e por isso deverá entrar na próxima semana na Justiça com um pedido de liberdade definitiva para seu cliente.
“O único crime que ele cometeu foi acreditar que a senhora Dalia o ajudaria com documentação original, como já havia feito para sua esposa. Em nenhum momento ele imaginou que era falsa. A perícia do celular mostrou que ele não tinha qualquer envolvimento com a produção desses documentos falsos”, explicou.
Kronawetter afirmou que não pedirá por uma prisão domiciliar como Ronaldinho Gaúcho, pois Wilmondes Sousa Lira não tem o dinheiro que o astro deixou como garantia (1,6 milhão de dólares, R$ 8,2 milhões na cotação atual) e que os três crimes do qual o acusam não procedem.
“Queremos sua saída definitiva. Não há razão para ele continuar preso, sua família toda está no Brasil e o espera”, declarou o advogado do tocantinense.
O MP paraguaio, porém, vê a situação de Wilmondes como “delicada”, apurou a reportagem: foi ele quem solicitou os documentos a Dalia López e os entregou a Ronaldinho e Assis.
