Manchester City tentará 'manobra' para disputar próxima Champions mesmo após punição da Uefa, diz jornal

O Manchester City poderia jogar a Uefa Champions League na próxima temporada, apesar de ter sido excluído por dois anos da competição da Uefa.

E, segundo o Mundo Deportivo, jornal da Catalunha, grande parte da estratégia é saber como usar o tempo. Atual vice-líder da Premier League, o time está com uma vaga muito encaminhada para a competição continental na próxima temporada. Presente nas oitavas da Champions atual, um título também já garantiria o direito do City de jogá-la novamente ano que vem.

"É muito provável, praticamente certo, que o time busque medidas cautelares no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS)", contou John Mehrzad, advogado de esportes, para a Reuters. "É a única maneira de ele solicitar a suspensão da sanção, já que o TAS tem jurisdição exclusiva em termos de apelação, de acordo com os Estatutos da Uefa", sendo assim a última instância esportiva à qual eles podem recorrer.

De acordo com a reportagem, Christopher Flanagan, editor-chefe do International Sports Law Journal, acredita que um processo rápido daria a ambas as partes menos tempo para preparar seus argumentos, deixando assim o City inclinado a solicitar medidas de precaução.

"Isso é muito provável, pois daria ao City alguma certeza enquanto se prepara para uma audiência completa, sem arriscar suas chances de participar da próxima Champions", disse à Reuters. "Seria uma aposta calculada, já que uma audiência completa, mais lenta, só pode ocorrer após o início da competição".

O TAS examinaria o caso o mais cedo possível em julho Dado o prazo normal do TAS para agendar audiências, o caso da cidade pode não ser ouvido até o início de 2021, embora os prazos variem de vez em quando. Se o caso fosse expedido, poderia ser tratado em julho.

Caso os ingleses obtivessem as medidas cautelares, mas o TAS decidisse manter a sanção da Uefa após o início da Champions de 2020-21, a exclusão de dois anos entrará em vigor nas duas temporadas seguintes.

Segundo Mehrzad, o TAS poderia dar uma pista sobre a força do apelo: “Será muito revelador ver o que o tibunal faz em caso de solicitação de medidas provisórias. Um dos fatores que o presidente deles levará em consideração ao decidir se concede tais medidas cautelares é a probabilidade de êxito do recurso”, afirma o advogado de direito esportivo.

O City tem até o dia 24 de fevereiro para registrar a apelação no TAS, cuja decisão sobre o pedido hipotético de medidas cautelares poderá ser tomada no final de março.

Entenda o caso

Além da exclusão, o clube inglês foi multado em 30 milhões de euros (R$ 140,2 milhões) pela entidade que rege o futebol europeu.

Segundo a Uefa, a punição se deve pelo fato dos Citizens terem descumprido e fraudado as regras de fair play financeiro da entidade.

As irregularidades foram reveladas pela revista alemã Der Spiegel, em novembro de 2018.

O time de Manchester pode apelar à CAS (Corte Arbitral do Esporte), na Suíça.

A punição passará a valer a partir da temporada 2020/2021 - ou seja, o City ainda poderá continuar na disputa da Liga dos Campeões neste ano.

Por meio de um comunicado, os Citizens afirmaram que estão "desapontados", mas "não surpresos" com a decisão da Uefa, a quem acusam de premeditar o resultado do julgamento.

O clube salientou que buscará agora um "julgamento imparcial" na CAS assim que possível.

E AGORA, PREMIER LEAGUE?

A ESPN apurou que a Premier League, ao menos por enquanto, não vai se pronunciar oficialmente sobre o assunto porque o Manchester City irá recorrer.

Acompanhar o que a liga fará é importante porque executada a decisão, o G4 da disputa, que dá vaga na Champions, pode virar um G5, uma vez que o clube comandado por Pep Guardiola é o atual 2º colocado - veja a classificação.

Caso isto ocorresse, o beneficiado hoje seria o Tottenha, 5º colocado, que é perseguido pelo modesto e recém-promovido à elite Sheffield United.

LEIA O COMUNICADO DO CITY

O Manchester City está desapontado, mas não surpreso, com o anúncio feito hoje pela Uefa.

O clube sempre salientou a necessidade de ser encontrado um órgão independente que pudesse considerar de forma imparcial as evidências irrefutáveis que dão razão ao Manchester City em seu posicionamento.

Em dezembro de 2018, o chefe de investigação da Uefa previu de maneira pública o resultado do julgamento e as sanções que ele queria aplicar sobre o Manchester City, antes mesmo que as investigações fossem iniciadas.

O processo seguinte, constantemente vazado e com diversas falhas, que ele supervisionou mostrou que havia poucas dúvidas no resultado final.

O clube reclamou formalmente com o Comitê Disciplinar da Uefa, em uma reclamação que foi referendada pela Corte Arbitral do Esporte.

De maneira simples, esse foi um caso iniciado pela Uefa, processado pela Uefa e julgado pela Uefa.

Agora, com o fim desse processo prejudicial, o clube irá buscar um julgamento imparcial o mais rápido possível e, por conta disso, irá buscar o início de um procedimento de recurso na Corte Arbitral do Esporte assim que possível.