Em entrevista coletiva após a vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, neste domingo (31), pelo Campeonato Brasileiro, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, elogiou a atuação do árbitro Felipe Fernandes de Lima nos minutos finais da partida.
Apesar de ter considerado excessivos os seis minutos de acréscimo dados pelo juiz na etapa complementar, o treinador afirmou que ele teve "coragem" e acertou ao anular o gol da Chape por falta de Neto Pessôa em Murilo, além de ter marcado pênalti de Khellven no último lance do duelo.
Para Abel, o único equívoco de Lima foi ter expulsado Allan no primeiro tempo - no seu entendimento, a falta era para amarelo.
"É verdade que tivemos sorte no final, com um árbitro corajoso de marcar um pênalti que tinha que marcar e uma falta que tinha que marcar. E um árbitro que não deveria ter dado seis minutos de acréscimos, e, no vermelho do Allan, poderia perfeitamente ter dado amarelo, mas decidiu dar vermelho e nos tirar o jogador mais desequilibrante", argumentou.
"O árbitro fez o trabalho que fez e nós conseguimos, nesse contexto de dificuldade e desafio, fazer aquilo que, para nós, era o mais importante: passar esse ciclo, porque também avisei os jogadores, a comissão e a direção, que, com um calendário como esse, chegar ao final do calendário vivos em todas as competições, não é para todas as equipes", acrescentou.
"O cartão vermelho do Allan... Vocês viram o vermelho que levou o Pedro Rocha (do Coritiba) na entrada no Vitão (do Flamengo)? Ele acerta não um pisão, é na canela, e está correto o vermelho. Hoje, qualquer que fosse, amarelo ou vermelho, eu iria aceitar. O árbitro vem correndo para dar amarelo, e tenho a certeza que alguém lhe apitou no ouvido: 'É vermelho, é vermelho, é vermelho'. Ele muda o lado (do bolso) e dá o vermelho. Está certo. O árbitro não teve dúvida nenhuma. O Allan, que, com certeza era um dos nossos melhores jogadores, fora. Estava 0 a 0", lembrou.
"A segunda: seis minutos de acréscimo, foi o jogo contra o Boca Juniors (na Libertadores de 2023), lembra-se? Sabem quantos minutos o juiz deu naquele dia com aquela pouca vergonha de cera o segundo tempo inteiro? Cinco minutos! Então, seis minutos de tempo extra por quê? Falta do Murilo: se ele deu o amarelo para o Luís (Pacheco), vocês viram o lance que o Allan passa e um jogador o deita abaixo, e o árbitro não dá amarelo? Por que não deu o amarelo depois? Há, sim, um empurrão no Murilo. Aliás, o VAR nem deveria ter entrado para intervir se ele tivesse marcado falta", observou.
"E o último: pênalti clarinho. Não sei se é dentro ou fora, mas a falta é clara. Então, para mim, o árbitro acertou em umas e errou em outras. Como te disse: o Allan foi penalizado de forma demasiada, pois ele vinha para dar amarelo e deu vermelho. A segunda: seis minutos de acréscimo, não entendi. A terceira: a falta no Murilo é falta, é empurrão. E, se vocês se lembram, aconteceu isso várias vezes durante o jogo. Se compararmos esse árbitro com o último árbitro aqui em casa [jogo contra o Junior Barranquilla], ele não deu nada, e o de hoje era falta, falta, falta. Empurrão nas costas, falta. Ele deveria ter marcado a falta. Agora, o pênalti no final... É preciso ter coragem para marcar, e ele teve. O VAR viu, chamou e ele marcou", admitiu.
"Infelizmente, para nosso adversário, e sorte nossa, porque também precisamos ter um pouquinho de sorte... Ao contrário do que aconteceu contra o Remo, porque anularam nosso gol e a gente poderia estar com mais pontos, e aí, sim, ficamos com menos dois pontos, porque as regras são claras. Portanto, acho que o árbitro teve boas ações e outras não tão boas, como qualquer pessoa em uma partida de futebol", complementou.
Abel, porém, fez um desabafo fortíssimo contra a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) por ter mantido a data da partida deste domingo, obrigando o Palmeiras a jogar sem seus convocados para a Copa do Mundo.
"Gostaria que esse jogos, se os clubes e a CBF quisessem realmente cuidar daquilo que são os interesses do futebol brasileiro, esse jogo não poderia ter existido. Já disse mais de uma vez que foi o único país no mundo que se autorizou que jogassem sem oito jogadores convocados. Em condições normais, esse jogo nunca deveria ter existido", bradou.
"Eu referi a isso na entrevista anterior. Ainda ontem eu estava vendo Toluca x Tigres [pela final da Concacaf Champions Cup] e os jogadores convocados (pelo México) estavam atuando, foram dispensados depois. Os clubes fixaram uma data, e a Fifa posteriormente alterou... Eu tenho a certeza absoluta que a CBF e os clubes querem fazer o melhor para o futebol brasileiro, mas eu não consigo encontrar uma única razão para CBF...", seguiu.
"O Fluminense e o Flamengo adiaram um jogo de um dia para o outro. A CBF, o Fluminense e o Flamengo adiaram uma partida de um dia para o outro. Por que não adiaram os jogos desta rodada, pelo menos os dos clubes que tiveram jogadores convocados? Só essa pergunta eu queria saber a resposta. Os constrangimentos para essa partida começaram com os clubes e a CBF. Algo de certo não está errado, ou algo de errado não está certo", ironizou.
Próximos jogos do Palmeiras:
Coritiba (F) - A definir - Campeonato Brasileiro
Atlético-MG (C) - A definir - Campeonato Brasileiro
Vitória (F) - A definir - Campeonato Brasileiro
