O disparo de Vinicius Jr., antes mesmo do relógio completar o primeiro minuto no Maracanã, pareceu um desses eventos que são perfeitos em tudo, exceto pelo instante em que acontecem. Um gol tão precoce costuma ser celebrado pelo impacto no comportamento do oponente e no restante do jogo, mas a visita do Panamá ao Rio de Janeiro não era uma ocasião competitiva. Ao correr para o torcedor em festa e ser abraçado pelos companheiros, Vinicius poderia assinar a última imagem do jogo, não a primeira.
Era cedo demais, claro, para decretar a despedida da Seleção Brasileira rumo à Copa do Mundo. E o que se viu a partir do gol não foi exatamente o conteúdo festivo que se desejava. Por trechos do primeiro tempo, os panamenhos não só encararam o Brasil como se fossem membros da mesma casta futebolística, mas chegaram a se animar com a própria maneira de jogar. Em ritmo de treino – algo natural pelo estágio da preparação, mas não necessariamente agradável de se ver – com uniforme de jogo, a Seleção tardou a gerar volume para merecer coisa melhor do que o 1 x 1, produto de uma cobrança de falta que desviou na barreira e transformou Alisson em mais um torcedor.
Até que Vinicius devolveu a cortesia a Casemiro, autor do desarme que criou as condições para o primeiro gol. Em jogada característica do lado esquerdo, a batida forte do astro do Real Madrid pode ter sido um chute direto, mas o cabeceio do capitão da Seleção a converteu em assistência. A posição limítrofe de Casemiro foi autorizada pelo VAR, validando o 2 x 1 e inaugurando um período no final da primeira parte em que a vantagem quase aumentou com Raphinha. Ficou evidente a impressão de que era necessário elevar o ritmo, com e sem a bola, para que a superioridade técnica do time de Ancelotti tivesse influência.
Dez substituições significaram outra Seleção Brasileira no gramado no segundo tempo. Somente Leo Pereira permaneceu. As razões para a mudança de intensidade podem depender de cada caso, mas é bastante provável que a intenção de aproveitar a chance para impressionar positivamente tenha sido comum a todos. Antes dos 20 minutos, o Brasil já tinha feito mais três gols, com Rayan, aproveitando a pressão na saída de bola; Paquetá, em bonita construção coletiva e Igor Thiago, de pênalti. Com 5 x 1, a despedida ganhou os contornos desejados e o Maracanã, com mais de 70 mil presentes, expressou sua satisfação.
Partindo da premissa que a escalação que iniciou a noite é um desenho do que Ancelotti prepara para a estreia na Copa do Mundo, e que o time do segundo tempo mostrou as opções e/ou tendências de mudanças ao longo do Mundial, é preciso registrar as boas entradas de Paquetá e Danilo Santos, autor do lindo gol que deu ao amistoso um placar tenístico. O Panamá ainda diminuiu num chute forte de fora da área que venceu Ederson. O jogo contra o Egito, no próximo sábado (6), já nos Estados Unidos, dará mais sinais do que Ancelotti está pensando.
