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Marco Aurélio Cunha fala em ser presidente do São Paulo, revela sua filosofia e questiona: 'Tem algum currículo igual o meu?'

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Torcedor do São Paulo detona Pato, e Birner até faz reverência: 'Quisera toda a torcida entender como você' (0:36)

Veja o conteúdo da mensagem que fez o comentarista se curvar no sofá do BB Debate (0:36)

Marco Aurélio Cunha considera voltar ao São Paulo... E como presidente.

Com eleições no fim de 2020, o tricolor vive momento político conturbado. O presidente Leco é muito criticado pela torcida, e grande parte da mesma pede o retorno de MAC.

Em conversa exclusiva com o ESPN.com.br, após a notícia ser inicialmente publicada pelo UOL, o coordenador de futebol feminino da CBF abriu o jogo sobre uma possível candidatura à presidência do clube paulista.

"Me sinto quase na obrigação de pensar nisso por conta do que eu sou cobrado por torcedores, os verdadeiros são-paulinos. Por onde eu ando fazem essa pergunta, e isso está no meu raciocínio, embora não seja uma decisão tomada, pois tenho que ter apoiadores. Sem apoiadores não tem eleição. É uma iniciativa para eu pensar muito bem, mas a princípio acho que tenho esse dever com os torcedores do São Paulo, que tanto me falam sobre isso."

Questionado se teria apoiadores para a eleição, acredita que pode estar nesse momento atualmente: "Eu não sei. Acho que teria essa chance. Não quero dizer isso competitivamente, estou falando em ideais. Se as pessoas têm ideais de mudanças, de melhorias, de conhecimento, experiência no futebol, maturidade. Então talvez eu esteja nesse momento. Isso me faz pensar nisso. E é claro que para passar por isso, tem que ter apoio."

Opinião sobre a gestão Leco

Ainda numa fase de apenas pensar sobre o cargo, Marco Aurélio não quis falar muito sobre Leco e sua gestão. Entretanto, confirmou o que a torcida tanto reclama.

Olha, eu não costumo falar mal de quem não está bem. Todos sabemos que a gestão do Leco não está bem, não tem tido sorte, não tem tido capacidade... Mas eu não falaria mal porque não acho que é assim que se faz uma eleição: acusando qualquer pessoa. Ser a antítese do que está errado? Eu não sou assim, não uso esse tipo de oportunidade. Aí eu seria desonesto com meus princípios.

Como usar a base

Uma das maiores críticas da torcida são-paulina é a constante venda dos garotos revelados no clube. O ex-dirigente falou sobre isso e ressaltou a importância de criar ídolos.

Nisso eu acho que hoje o futebol está muito enfraquecido por conta do mercado europeu ser extremamente atraente. O jogador já é formado pensando na camisa do exterior. Ele, o agente dele... Não é uma questão simples de resolver, mas eu acho que a prioridade, entre você contratar um jogador mediano e caríssimo, é pegar o jogador da base, para minimizar custos e criar oportunidades. E ficar com esse atleta o máximo de tempo possível, principalmente se ele tiver conquistas.

Os jogadores passam, passam, passam e não marcam presença. Então é importante que um atleta marque presença com sua camisa. Você eterniza sua camisa na figura de um Kaká. Você vai lembrar do São Paulo por conta dos jogadores que lá ficaram mais tempo... É muito importante um jogador fixar seu nome no clube, jogando pelo menos três temporadas, e se possível mais. É muito triste ter que vender jogadores tão cedo. Acho que o mercado muitas vezes força isso, não é culpa do dirigente só. Mas acho que ele pode fazer um trabalho para evitar que isso aconteça com tanta frequência.

Mudanças no clube

Cheio de confiança, Marco Aurélio acredita que tem capacidade de mudar o futebol do clube.

Mudar o clube como um todo é um pouco demais. Todas essas experiências e expectativas de mudanças radicais, em geral, são frustrantes. Eu tenho condições: por conhecimento na área do futebol, porque sou um cara do futebol há 41 anos, faço gestão de futebol desde 1995... Fui muita coisa já em muitos clubes, fora do Brasil, aqui na seleção - já são quatro, cinco anos de CBF. Eu te pergunto da seguinte maneira: "Pega o currículo de qualquer grande são-paulino que tenha capacidade lá no clube. Desportivamente, tem algum igual o meu?"

Eu acho que o problema de você se candidatar a alguma coisa é que você se sinta habilitado. Tem coisas realmente que temos que ter apoio: financeiro, jurídico... Tem que ser pessoas da área, que possam colaborar numa gestão. Uma gestão é feita por mais de muitas pessoas, se eu posso colocar assim. Mas você tem que ter conteúdo para fazer isso. E eu acho que já passei por todas as experiências que poderia passar na área do esporte. Você falar assim para mim: "O banqueiro...". O banqueiro é ótimo de finanças, mas ele sabe de futebol?

Se já pensa em nomes para compor a gestão

Conselheiro vitalício do clube, MAC se mostrou contra usar ídolos para ganhar votos, e ainda falou como seria uma gestão bem formada.

Todo nome que eu disser que for do agrado do torcedor vai parecer politicagem. Vem os nomes dos ídolos, dos grandes são-paulinos, trabalhar juntos... Claro que todo mundo quer isso, pensa nisso. Mas se eu usar um deles em meu benefício, não estaria sendo Marco Aurélio. Honesto. Eu tenho que ir pelos meus valores e agregar valores importantes dos outros. Você só faz uma grande gestão em comunhão. Mas com autoridade sobre ela. Eu não consigo imaginar uma gestão feita por retalhos. Tem que ser por gente capacitada em cada setor.

Não usaria ninguém para me trazer votos, acho isso populismo. É uma gestão que tentará ser o mais técnica possível, se eu for candidato e, depois disso, presidente. Ela tem que ser técnica, ter a emoção do torcedor, mas a razão de um dirigente calejado.

Já falou com a CBF sobre sair deixar o cargo?

De olho em um futuro no clube do Morumbi, o cartola ainda não conversou com a Confederação Brasileira de Futebol sobre seu atual cargo, de coordenador de futebol feminino.

Eu tive uma conversa ainda superficial. Eu estou trabalhando, tenho muitos compromissos, e tive uma conversa superficial com o Menon, isso praticamente escapou. Eu tenho aqui o máximo respeito pelo Rogério Caboclo (Presidente da CBF), e vou falar com ele pessoalmente se eu tomar essa decisão. Eu não posso deixá-lo sem a expectativa de uma substituição.