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Gabriel Jesus abre o jogo à ESPN: seleção sem Neymar, provocação a Aguero e resposta para Messi

Sorridente, cheio de caretas e sem papas na língua. Gabriel Jesus atendeu a reportagem da ESPN na última quinta-feira em um hotel luxuoso em São Paulo, em meio ao período de férias do Manchester City, disposto a falar. E falou.

Respondeu as declarações de Lionel Messi, que disse que a Copa América estava armada para o Brasil ganhar, explicou a comemoração que fez ao marcar contra a Argentina --afinal, o gesto foi ou não uma provocação a Agüero?-- e também disse que é impossível imaginar a seleção brasileira sem Neymar, a quem definiu como o melhor jogador brasileiro da atualidade.

"É um cara que joga coletivo também, não só individual. Ter um jogador da qualidade dele que o individual resolve muito, óbvio que você vai falar. Nem precisa falar, ele sabe disso, todos nós sabemos que, às vezes, ele vai puxar para o individual e vai resolver", disse.

Gabriel Jesus tem motivos para sorrir. Terminou a Copa América em alta. Foi decisivo para a seleção brasileira na semifinal contra a Argentina (um tento e uma assistência) e na final (um tento, uma assistência e uma expulsão).

Confira a íntegra da entrevista dele para a ESPN.

ESPN - O que esse título de Copa América mudou no Gabriel Jesus?
Gabriel Jesus:
Não só para mim, mas para todos os jogadores para a comissão, para a seleção. É muito importante você ganhar um título em casa, no Maracanã, um templo do futebol mundial. Foi muito importante, bom, satisfatório, tomara que aconteça várias vezes.

ESPN - As cobranças que recebeu durante a última Copa do Mundo, quando não fez nenhum gol, e até marcar nessa Copa América foram corretas ou foram muito duras, na sua avaliação?
Gabriel Jesus:
Cara, cobrança sempre vai existir. Se são duras ou não, eu tiro delas a melhor coisa. Muitas cobranças não são tão relevantes, pois, às vezes, acaba se tratando mais do lado pessoal do atleta e não do profissional. Eu quero evoluir sempre. Como eu disse, se tem crítica ou elogio para eu evoluir, vou arcar e levar em frente aquilo comigo. Pode acontecer com qualquer um e aconteceu comigo, felizmente. Mas, segui firme e com a cabeça no lugar e evolui. É como eu sempre penso, evoluir como pessoa e jogador, foi o que aconteceu.

ESPN - O que o Gabriel Jesus fazia para amenizar a cobrança pela falta de gols em jogos oficiais da seleção?
Gabriel Jesus:
Estava de boa. 'Não fez gol em Copas, em jogos oficiais'. Mas eu tinha feito dois gols contra a República Tcheca, fiz um contra o Catar e dois contra Honduras [jogos amistosos]. Não tinha aquilo 'O Gabriel está há 10, 15 jogos sem fazer gols'. Infelizmente, não tinha feito na Copa e a Copa América nem tinha terminado e já se falava [da seca]. Como eu disse, muitas vezes as críticas não são objetivas, eu procuro pegar as críticas que eu posso evoluir em cima delas, pego quando tem e vão existir sempre. Assim como os elogios. “Obrigado, mas eu não concordo, não acho que sou isso ou aquilo”. Críticas e elogios às vezes são demais ou de menos, é normal.

ESPN - Antes era você ou Firmino como titulares na seleção. Os dois juntos, não. Como foi para você estar junto com ele em campo? Dá para repetir mais vezes e ser uma tendência nos jogos do Braisl?
Gabriel Jesus:
Não só com o Firmino, mas, com todos ali, eu me senti bastante confortável naquela posição, que eu já tinha feito antes. Cabe ao Tite agora, ele é bastante competente e vai achar uma forma que ele pense que vá dar certo. Aconteceu de dar certo na Copa América, pode ser que dê certo em outros momentos e pode ser que não, mas eu vou trabalhar e quero ajudar.

ESPN - Acha que pode ser uma referência ou melhor um exemplo para você e Agüero jogarem como titulares no City?
Gabriel Jesus:
São dois jogadores completamente diferentes. O estilo de jogo é diferente. Deu certo com o Agüero em algum determinado momento. Às vezes não dá. É normal se tratando de você jogar com dois centroavantes. Antes tinha jogado com o Firmino durante a partida, sem iniciar. Joguei de centroavante com o Firmino, não de ponta. Vejo de outra forma, não jogamos com dois centroavantes. Como eu disse, o Guardiola é muito competente para decidir, como o Tite também é competente para decidir.

ESPN - Ainda no tema Copa América. A comemoração que você fez contra a Argentina, imitando o gesto típico de Agüero, foi uma provocação ou não foi?
Gabriel Jesus:
Na verdade, não quis zombar com ele. Também nada de aposta. Naquele momento eu quis fazer porque o Ederson faz bastante também, quis fazer. Lembrando um pouquinho da comemoração dele, mas nada de zombar, de tirar onda, acabou acontecendo. Ele não me ligou nada, ele está de férias e eu estou [curtindo as minha]. Daqui a pouco estaremos juntos no City. Como eu disse, quanto eu estou na seleção eu procuro defender meu pais, mas Brasil x Argentina eu esqueço, claro que eu respeito muito ele, mas procuro esquecer o companheirismo dentro de campo. Ali é rivalidade total, eu defendendo o meu e ele o dele.

ESPN - Na zona mista do Maracanã, após o título brasileiro, muitos jogadores mostraram chateação com a declaração de Messi. Qual sua avaliação sobre a afirmação dele de que a Copa América estava armada para o Brasil?
Gabriel Jesus:
Mesma coisa falar que quando a Argentina ganhou foi armado. A gente nem tinha ganho e ele falou isso. Vou seguir na linha do Daniel Alves. Messi acaba julgando o trabalho de todo mundo. [Foram] quase 50 dias de preparação, acaba falando que foi em vão, senão porque a gente teria se preparado? Acho que ele foi infeliz. Ele é um cara muito inteligente, acho que foi o momento também. Se fala muito do Messi, que ele é diferente na seleção. Eu não vejo, acho que o Messi vai ser o Messi para sempre, tanto na seleção como no Barcelona. É um jogador, para mim, o melhor que eu vi jogar junto com o Ronaldo Fenômeno. Sou muito fã dele, mas acho que ele foi infeliz na fala dele, até porque foi tudo mentira o que ele falou, não teve nada comprado, foi muito trabalhado e suamos muito para conquistar. Foi um jogo muito bom contra eles, não vejo que faltou olhar o VAR, seguiu. Eles perderam, às vezes quando você perde você tenta procurar uma desculpa, mas acho que eles têm que aceitar que perderam.

ESPN - O vídeo de comemoração da CBF mostra você dando um abraço em Neymar. Mesmo com ele fora desta seleção por causa da lesão no tornozelo, a presença dele foi bem forte?
Gabriel Jesus
: Eu o considero como um irmão mais velho. Gosto bastante, tenho muito carinho por ele e pela família dele, pelos amigos dele, como ele comigo. Sou suspeito a falar, trato como irmão. Todo mundo sabe da qualidade dele no futebol, mas, como pessoa, quase ninguém o conhece, só mesmo quem vive ali. Ele é um moleque muito alegre, que espalha alegria por onde passa, o ambiente fica leve. O abraço foi sentimento de que ele fazia parte. Infelizmente se machucou antes da competição começar, mas ele fazia parte, é uma referência hoje, vem sendo faz tempo para o nosso futebol, ele é o nosso melhor jogador. Tem que ser respeitado e coroado pelo trabalho, infelizmente não jogou, mas faz parte disso.

ESPN - Alguns críticos passaram a discutir que o título da Copa América mostrou que a seleção pode jogar sem o Neymar. Pode?
Gabriel Jesus:
Se coloca no lugar do técnico, da seleção. Você tendo o jogador como o Neymar, o melhor brasileiro da atualidade, você não vai contar com ele? Impossível. É um cara que joga coletivo também, não só individual. Ter um jogador da qualidade dele que o individual resolve muito, óbvio que você vai falar. Nem precisa falar, ele sabe disso, todos nós sabemos que, às vezes, ele vai puxar para o individual e vai resolve para gente. E é um cara que, pela qualidade dele, ele vai puxar para o individual e vai resolver. Normal eu concordo e aceito, acho que todo mundo deveria aceitar porque ele espalha alegria dentro de campo e resolve os jogos. Não tem essa 'só porque ganhou'. A gente sabe muito da qualidade do Neymar e sabe o que ele representa para o nosso futebol.

ESPN - Você ainda está de férias e se reapresenta ao City daqui a alguns dias. Como projeta a próxima temporada? O que o Gabriel Jesus quer no City?
Gabriel Jesus:
Assim como foi a temporada passada, sempre quero estar jogando e ajudando minha equipe, respeitando meu treinador e companheiro de posição, mas óbvio que espero estar jogando. Temporada passada não joguei tanto, espero e desejo jogar um pouco mais, não cobrando nada e sim me cobrando. Às vezes por minha conta eu acabo não jogando tanto. Tenho que puxar, ser firme, trabalhar bastante e, quando eu tiver oportunidade, não deixa passar.