Não confunda: o time que vai disputar a final da Champions League feminina contra o Barcelona neste sábado (23), às 13h (de Brasília), com transmissão ao vivo no plano premium do Disney+ , se chama OL Lyonnes, e não Lyon.
É o mesmo clube, mas com uma mudança importante de nome na equipe feminina. A troca aconteceu há pouco mais de um ano, em maio de 2025, graças a uma empresária bilionária que já foi chamada na França de a "anti-Textor", em referência a John Textor, dono do Botafogo e ex-líder do time francês.
A responsável pela nova de marca de um dos principais times do futebol feminino é Michele Kang, de 66 anos, que se tornou acionista majoritária da equipe em 2023. A troca seguiu o lema de "nova história, mesma lenda" e teve o objetivo de dar mais protagonismo às mulheres no esporte. Não à toa, Lionnes significa leoas em francês. O time usou o "y" para continuar com uma conexão com o clube masculino e com a cidade de origem. O escudo é próprio: uma leoa rugindo.
Kang, que em 2025 apareceu na Forbes com fortuna estimada em 1,2 bilhão de dólares (mais de R$ 6 bilhões), prometeu uma "revolução" no OL Lyonnes, investindo parte do seu próprio dinheiro. Além do novo nome e logo, citou a necessidade de um novo centro de desempenho e definiu que o time mandaria suas partidas no estádio Groupama, com capacidade para 59 mil pessoas, e não mais em um CT.
A empresária mostrou objetivo de fazer o time feminino ter uma cara diferente do masculino. "A pior coisa que podemos fazer com o futebol feminino é 'copiar e colar' o que o futebol masculino vem fazendo há décadas", chegou a dizer, à ESPN. "O nosso produto, na nossa opinião, é fundamentalmente diferente – e creio que os donos de equipas masculinas dirão o mesmo".
'A anti-Textor'
Foi com esse termo que o jornal L'Equipe, da França, apresentou Michelle Kang em um perfil. A publicação aconteceu em novembro do ano passado e elogia a empresária, que se tornou presidente do Lyon em julho daquele ano, assumindo a vaga de John Textor, que renunciou depois de o Lyon ser rebaixado por conta de problemas financeiros (um chamado rebaixamento administrativo). Ela, que já comandava o time feminino, assumiu também o masculino e "recolocou o Lyon nos trilhos".
"Ela quem impediu o rebaixamento administrativo do Lyon para a Ligue 2 no verão passado. Michele Kang, que se associou a John Textor na aquisição do Lyon em 2022, rapidamente deixou sua marca ao sucedê-lo como presidente do clube em 30 de junho", destacou o jornal.
"Houve um tempo em que o OL pertencia a um chefe distante que chegava sem avisar, tomava decisões que não eram realmente discutidas e ia embora sem ter definido claramente uma direção. Neste verão, tudo mudou. Michele Kang, vizinha de John Textor na Flórida, gerencia o clube remotamente de Londres, sua base preferida. Mas, ao contrário de seu antecessor e ex-sócio, ela visita Lyon com frequência, onde tenta aproveitar ao máximo suas estadias, conciliando suas responsabilidades com a gestão das equipes masculina e feminina", acrescentou.
O jornal pontuou que funcionários do clube elogiavam Kang, vista como organizada e estruturada, sem intromissão direta com a comissão técnica, algo que era feito por Textor. A gestão financeira também foi citada.
"Enquanto John Textor arriscava o dinheiro de outras pessoas à frente do Eagle, Michele Kang investiu parte de sua fortuna no projeto. Ela é uma empresária muito mais alinhada ao ideal europeu. Sob sua liderança, o Olympique Lyonnais se reconectou com a economia local, desde líderes empresariais regionais a fornecedores, e restaurou a confiança de seus patrocinadores".
Em busca de mais um título
Enquanto Kang conseguiu equilibrar os bastidores políticos do time francês, a equipe feminina, nesta última temporada, alcançou mais uma final da Champions League. O time é o maior campeão da competição, com oito troféus, e terá a chance de levantar a nona taça nesta sábado (23). É a quarta final contra o Barcelona.
O retrospecto, até agora, é favorável para o OL Lyonnes, que bateu as espanholas em 2018/19, por 4 a 1, e 2021/22, por 3 a 1. A única derrota foi em 2023/24, por 2 a 0.
A decisão, desta vez, será disputada em Oslo, na Noruega, no estádio Estádio Ullevaal.
