Diante do maior público nesta Copa América e da maior renda da história do futebol nacional, o Brasil sagrou-se campeão do torneio ao derrotar o Peru por 3 a 1, neste domingo, na partida que marcou o retorno da seleção ao estádio do Maracanã após 84 jogos e também o primeiro título desde a Copa das Confederações de 2013. Foi a nona conquista continental brasileira na competição.
A exemplo da semifinal, o personagem do dia foi Gabriel Jesus. Ele deu a assistência para Everton Cebolinha abrir o placar aos 14 minutos do primeiro tempo. Depois, quando o jogo estava empatado, anotou o tento que mudou o placar para 2 a 1, aos 47 da etapa inicial.
Um gol e uma assistência foi o mesmo que fez contra a Argentina, no triunfo por 2 a 0, há cinco dias, no Mineirão, em Belo Horizonte.
A diferença dessa vez foi que o atacante foi expulso aos 24 minutos do segundo tempo, quando cometeu falta em Tapia. Deixou o campo revoltado e acusando a arbitragem de roubo. Ainda deu um soco na cabine do VAR (árbitro de vídeo) na saída.
O terceiro tento do Brasil foi de pênalti, de Richarlison, aos 44 da etapa final, já sem Jesus em campo.
O gol peruano foi de um velho conhecido do Maracanã: Paolo Guerrero.
Ele quem converteu uma polêmica penalidade, aos 23. O lance teve longa revisão do VAR porque a bola tocou no braço esquerdo do zagueiro Thiago Silva, quando ele deu um carrinho para bloquear o cruzamento do meia Cueva.
Para a comentarista de arbitragem dos canais ESPN, Renata Ruel, não foi pênalti. "Tocou no braço de apoio", analisou.
Ainda assim foi a primeira vez que o goleiro Alisson foi vazado nesta Copa América.
Com a conquista, o Brasil amplia a galeria de troféus. Foi vencedor do torneio mais antigo do continente nove vezes: em 1919, 1922, 1949, 1989 (todas as edições citadas foram no país), 1997, 1999, 2004, 2007 e 2019. Jamais perdeu a taça em casa.
O Peru continua com dois troféus: 1939 e 1975. Os recordistas são Uruguai (15) e Argentina (14).
Rumo ao título
Até os dez minutos do primeiro tempo, o retrato do jogo apontava dois chutes ao gol do Peru contra nenhum do Brasil. Mais de 60% de posse de bola para os brasileiros e o restante para os peruanos. Um duelo confuso, pouco organizado.
Tudo mudou quando Gabriel Jesus recebeu o segundo lançamento no lado direito do ataque. Ele deu um drible espetacular em Trauco --o famoso lance de "vídeo-game"--, deixando o lateral do Flamengo perdido e cruzou na área. Everton Cebolinha apareceu livre e finalizou.
O gol foi aos 14 minutos e a reação do técnico Ricardo Gareca resume o sentimento peruano: ele deu as costas para o jogo, voltou ao banco de reservas e, irritado, nem conversou com sua comissão técnica.
Na sequência, a seleção canarinho teve duas chances para ampliar. Aos 23, quando Coutinho finalizou dentro da área para fora. E, aos 35, em cabeçada de Firmino, que passou por cima do gol. O goleiro peruano não precisou fazer nenhuma intervenção nesses lances.
A partida esfriou e o público também. Foi preciso um susto para acordar a todos. Aconteceu aos 40 minutos.
Ao cortar um cruzamento de Cueva, Thiago Silva deu um carrinho e viu a bola bater em seu braço esquerdo. O árbitro chileno Roberto Tobar Vargar marcou a penalidade, mas resolveu consultar o VAR para esclarecer a marcação.
Demorou mais dois minutos e confirmou o que já havia apitado. A cobrança foi aos 42 no lado esquerdo de Alisson.
A torcida peruana começou a sua festa, enquanto a brasileira se calou. Mas a equipe de Tite reagiu rapidamente.
Aos 47, Firmino recuperou uma bola no campo de ataque, onde ele mesmo fora desarmado. Tocou para Arthur, que carregou até chegar perto da área e rolar para Gabriel Jesus. O jogador do City recebeu e finalizou. Dois a um no placar e fim do primeiro tempo.
Expulsão e tensão
Durante quase metade do segundo, a torcida não viu lances de gols, exceto um chute e uma cabeçada de Firmino, aos 8 e aos 11 minutos, respectivamente. O que se viu no Maracanã foi mais faltas, menos jogadas criadas e um ambiente tenso.
Especialmente quando Gabriel Jesus virou alvo dos peruanos.
Recebeu faltas fortes de Zambrano, Advíncula, Abram, Tapia... Muitas vezes foi ao chão. Quando reagiu, errou a medida. Acabou derrubando Tapia por trás e foi expulso. Houve muito protesto. O VAR não foi chamado.
O atacante deixou o campo inconformado. Fazendo gestos de que a arbitragem estava roubando o Brasil. Ainda deu um soco na cabine do VAR. Ao se aproximar do assistente número 4 da arbitragem, ele ainda chamou o ocorrido de vergonha.
Após a expulsão, mais tensão em campo. Do lado brasileiro, receio de sofrer o gol. Do lado peruano, ansiedade para empatar.
A tensão diminuiu aos 44, quando Richarlison converteu uma penalidade para o Brasil. A infração foi marcada após Everton Cebolinha ser derrubado na área por Zambrano. O árbitro chileno ainda consultou o VAR e manteve a decisão.
FICHA TÉCNICA:
BRASIL 3 x 1 PERU
COPA AMÉRICA 2019 - FINAL
DATA: domingo, 7 de julho de 2019
HORÁRIO: 17h (de Brasília)
LOCAL: estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
PÚBLICO: 69.986 presentes (58.584 pagantes + 11.402 não pagantes)
RENDA: R$ 38.769.850,00
ÁRBITRO: RobertoTobar Vargas (Chile)
ASSISTENTES: Christian Schiemann Alonso (Chile) e Claudio Rios Ortiz (Chile)
GOLS: Everton Cebolinha (BRA), aos 14 min, e Paolo Guerrero (PER), aos 42 min, e Gabriel Jesus (BRA), aos 47 min do 1º tempo; Richarlison (BRA), aos 44 min do 2º tempo
CARTÃO AMARELO: Gabriel Jesus, Richarlison e Thiago Silva (BRA); Advíncula, Tapia e Zambrano (PER)
CARTÃO VERMELHO: Gabriel Jesus (BRA), aos 24 min do 2º tempo
BRASIL: Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos e Alex Sandro; Casemiro, Arthur e Philippe Coutinho (Militão); Gabriel Jesus, Roberto Firmino (Richarlison) e Everton Cebolinha (Allan). Técnico: Tite
PERU: Gallese; Advíncula, Zambrano, Abram e Trauco; Tapia (Christofer González)), Yotún (Ruidiaz) e Carrillo (Andy Polo); Cueva, Guerrero e Flores. Técnico: Ricardo Gareca
