Dezembro de 2019. Na décima posição da Premier League e distante até do sonho europeu, o Arsenal anunciava Mikel Arteta para seu comando. Aos 37 anos, o espanhol chegava para o lugar do interino Freddie Ljungberg para seu primeiro trabalho como treinador efetivo.
Para entender como aquela aposta devolveria os rumos do time para o topo do futebol inglês, o ESPN.com.br foi atrás de brasileiros que conviveram com o ex-jogador. Em pauta, o menino, o capitão, o veterano, o comandante e até mesmo o vilão. Histórias cujos fins levam e até ultrapassam o destino traçado para um pupilo de Pep Guardiola.
Sete anos depois de assumir o comando dos Gunners, Arteta colhe os frutos da longa trajetória do jogador do Everton de 2005 a 2011 e do líder do Arsenal entre 2011 e 2016. Da aposentadoria, foi direto para a comissão técnica de Guardiola no Manchester City, por onde perdurou por mais de três anos.
"O Arteta mostrava esse potencial muito grande dentro de campo e eu tive a felicidade de ter ele também como auxiliar do Guardiola. Conversando com ele, a gente até brincou uma vez, eu e o Fernandinho, falamos: 'putz, se você for o treinador, leva a gente como auxiliar', porque a gente via esse potencial nele, essa qualidade que ele tinha não só como treinador, mas como gestor de pessoas".
As palavras acima são de Fernando, que vivenciou histórias com o espanhol dentro e fora de campo. Ídolo do Sevilla após deixar os Citizens, em 2017, o ex-volante brasileiro também descobriu o que era enfrentar o antigo aliado.
"Eu enfrentei várias vezes esse Arsenal do Arteta e é uma equipe muito sufocante, que joga realmente para ganhar títulos. Ele conseguiu pegar aquilo que o Guardiola fazia de muito bem e ainda deu uma incrementada. Acho que ele ainda deu uma melhorada no que o Guardiola fazia no City na forma de pressionar, sempre em cima, abafando independente do adversário", completou.
Padrinho em Paris
Se hoje o treinador de 44 anos se aproxima da principal glória de sua carreira à beira dos gramados, quem viu seus primeiros passos dentro deles não se surpreende com a direção. É o caso de Christian. Há 26 anos, quando estava no PSG, o ex-atacante da Seleção Brasileira recepcionou o então jovem Mikel, da base do Barcelona, que chegava para um período na 'Cidade Luz'.
"Os jogadores que estão há mais tempo dentro da casa têm essa obrigação moral de recepcionar os mais jovens e procurar ajudar na adaptação o mais rápido possível, porque todo mundo acaba se beneficiando. O Arteta chegou no meio da temporada 2000/01, num momento de mudanças, com mudança de treinador, e a gente recebeu bem, mas Paris, quando entra num momento conturbado, é difícil", recorda.
Mesmo com as turbulências na capital francesa, o espanhol não deixou de chamar a atenção do brasileiro. "Era um menino inteligentíssimo, de fino trato, que veio, somou, agregou, fez uma carreira fantástica como jogador e segue no meio como um grande treinador. Um profissional sério, um menino com uma característica técnica fantástica. São as lembranças que eu tenho dele no dia a dia", lembra o ex-goleador de Internacional, Grêmio e São Paulo.
Ex-jogador concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br
Passaporte para a glória
Depois de conduzir o Arsenal à final da Champions League após 20 anos, Arteta se aproxima de devolver os Gunners ao topo do futebol inglês após mais de duas décadas e três vice-campeonatos consecutivos para o City de Guardiola. Para quem conviveu com ele em Londres, chegou a hora de outro espanhol.
"Ele aprendeu muito com o Guardiola, aproveitou bastante esse tempo de estudar com ele, foi campeão no Manchester City e viu que chegou o momento dele. Acredito que agora seja o momento dele se sagrar um dos melhores treinadores do mundo, porque realmente ele mudou e aprimorou o conceito do futebol do Arsenal", analisou André Santos, que atuou com o ex-meia entre 2011 e 2013.
Apesar do curto período juntos, o brasileiro mantém contato com o espanhol até hoje, e ainda sobra cobrança para o lado do treinador.
"Eu estive em Londres em novembro e a gente conversou bastante. Eu falei para ele que esse ano ele seria campeão da Premier League e da Champions League e que eu estaria lá para aplaudi-lo. Já liguei para cobrar os ingressos da final da Champions. A gente sempre teve uma relação muito bacana, familiares, a gente tinha um box no estádio que nós dividíamos com as famílias, um ciclo de amizade muito bacana, com o Cazorla, o Mertesacker, o Szczesny", conta.
Próximos jogos do Arsenal:
Crystal Palace (F) – 24/05, 12h (de Brasília) - Premier League, com transmissão ao vivo pelo plano premium do Disney+
PSG (N) – 30/05, 13h (de Brasília) – Uefa Champions League
