A derrota na final da Champions League do ano passado para o Real Madrid deixou traumas no Liverpool, quando o antigo goleiro, Loris Karius, cometeu duas falhas graves no jogo que terminou 3 a 1 para os merengues. Por isso, os Reds resolveram investir pesado na contratação de Alisson, que chegou da Roma por 62,5 milhões de euros (R$ 278 milhões).
A aposta de Jurgen Klopp deu certo. O atleta conquistou o primeiro título com o Liverpool, contra o Tottenham na final da Liga dos Campeões.
A ascensão do brasileiro foi impressionante. Após um ano em que levou o Roma para as semifinais da Liga dos Campeões, o brasileiro foi o principal goleiro da Premier League, passando 21 partidas sem sofrer gols, uma marca que não era atingida desde 2008/09, quando o holandês Van Der Sar registrou o mesmo número.
Rogério Maia, treinador de goleiros que trabalhou com Alisson em 2013 no Internacional, afirmou que o jogador ainda não atingiu todo seu potencial. “Depois que foi da Roma para o Liverpool, ele deu um salto de qualidade e visibilidade. Está no lugar certo, o que tem casado com a qualidade dele”, comentou.
“É muito rápida a sua evolução e a tendência é crescer mais. Quando chegou à Roma era um bom goleiro. No Liverpool cresceu e ainda pode melhorar. A cobrança aumenta, mas o rendimento também. Ele está entre os melhores do mundo.”
“Ele sai muito bem do gol e tem uma excelente condição física. É um atleta que tem biótipo favorável e se cuida muito para estar em alto nível”, comentou.
“Sempre foi um pegador de pênaltis desde a base. O Alisson tem muita explosão e espera o momento certo para fazer a defesa. Ele tem o domínio da ansiedade e uma técnica apurada, assim consegue reagir na bola. É inato.”
PRIMEIRO CONTATO
Quando Maia conheceu Alisson, o goleiro ainda era da base do Internacional e estava acostumado a acompanhar o treino do irmão Muriel. Em 2013, o atual goleiro da seleção se profissionalizou, e foi alçado ao time titular pelo então técnico do clube gaúcho, Dunga. Ao todo, foram cinco jogos na temporada.
“Ele tinha uma liderança na postura e no comportamento, sempre um exemplo aos demais, até no jeito de andar e se posicionar”, afirmou Rogério Maia. “Quando falava todo mundo escutava. Ele demonstrava uma liderança não em excesso, mas algo natural.”
“Ele tem personalidade e muito poder de concentração, isso foi o que mais me chamou a atenção. Ele é comunicativo, mas sem excesso. Nunca fala demais, mas também não fica calado. Quando entra para trabalhar, está muito focado.”
COPA DO MUNDO DE 2018
Além de trabalhar com Alisson no Internacional, quando o jogador ainda era novo, Rogério Maia ajudou Taffarel durante a Copa do Mundo da Rússia de 2018. “Sinto uma sincronia profissional muito grande entre eles. Junta a experiência do ex-atleta com um profissional com excelente formação, e isso só engrandece”, comentou.
“Além de ser o treinador de goleiros da seleção brasileira, (Taffarel) representa muito a história do Inter. Tem uma grande história no futebol brasileiro e todos nos espelhamos nele. O Alisson também o têm como referência.”
De acordo com ele, a interação com o titular do Liverpool é sempre muito boa, mesmo quando não se encontram a muito tempo.
“É um cara muito simples e que transmite muita sinceridade. Valoriza pequenas coisas como beber chimarrão, tocar violão e ficar com a família. Ele reconhece todos os profissionais que trabalharam com ele na formação. De alguma maneira, no mínimo no comportamento, nós contribuímos.”
Após conquistar seu primeiro título na Europa, Alisson pode erguer seu primeiro troféu pela seleção brasileira. Ele deve ser titular na Copa América, que será realizada a partir de junho no Brasil.
