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Arsenal: Mesut Özil desaparece dos holofotes com salário nas alturas e futebol preocupante

Craque ou superestimado? Maestro ou preguiçoso? Entre altos e baixos, a carreira de Mesut Özil no futebol é extremamente vitoriosa e há de ser respeitada. Entretanto, hoje, aos 30 anos de idade e com (disparadamente) o maior salário do Arsenal, quase não consegue emplacar jogos como titular da equipe.

De destaque na Copa do Mundo a "esquecido" durante seu auge; afinal, quando as coisas começaram a dar errado para o alemão?

Ascensão

Logo aos 17 anos, Mesut Özil impressionava com sua qualidade de passe. Não à toa, após brilhar pelas categorias de base do Schalke 04 em 2007, o menino de Gelsenkirchen subiu ao profissional e já começou com seu trabalho de criar chances para os atacantes. Em pouco mais de 20 jogos, entrando na segunda etapa, o alemão distribuiu 5 assistências. Era o começo de uma era.

Não demorou muito para que todos os times da liga se interessassem pelo futebol do meio-campista, que logo se transferiu ao Werder Bremen para jogar ao lado de jogadores como os brasileiros Naldo e Diego, e os atacantes históricos do clube, Hugo Almeida e Claudio Pizarro. Em sua temporada de estreia, Özil teve “apenas” 23 assistências e 5 gols.

O Bremen terminou a temporada campeão da Taça Alemã (DFB-Pokal) e vice-campeão da Copa UEFA, que hoje conhecemos como Liga Europa. Na final, foi derrotado para o Shaktar Donetsk de Jadson, Ilsinho, Fernandinho, Willian e Luiz Adriano. Seu cartão de visita estava dado e todos os olhos do mundo voltados para o jovem dos olhos saltados.

Sua atuação na Copa Europeia Sub-21 apenas coroou uma linda temporada. Özil liderou um time com uma defesa impecável (e futuramente campeã) de Höwedes e Boateng, além do meio campo com Khedira, para uma conquista memorável. O meio-campista foi eleito o melhor em campo na final contra a Inglaterra, na qual fez um gol da goleada por 4 a 1 e acertou dois passes para gol. O primeiro título com a Alemanha.

Os números não pararam de impressionar. Foram 29 assistências em 2009/10 até que chegou o momento do jovem desfilar seu futebol no maior palco. A Copa do Mundo da África do Sul foi um teste de fogo, e Özil passou. Goleada logo de cara contra a Austrália, e elogios marcantes de Tim Cahill: “créditos ao jovem. É um ótimo jogador e o jeito que abre a defesa é diferente.”

Sumido contra a Sérvia, cresceu contra Gana e fez seu primeiro gol em copas do mundo. Na hora do primeiro mata-mata, deu show. Já era procurado pelos ingleses na época, e ajudou a Alemanha a liquidar a Inglaterra (4x1).

Brilhante nas quartas, em outra goleada por 4 a 0, a eliminação só veio na semifinal, quando Özil esteve um pouco abaixo e a futura campeã Espanha despachou os alemães. Todo mundo, no entanto, queria o menino de 21 anos que havia jogado como gente grande em uma Copa do Mundo.

Consolidação

Com os holofotes voltados para Özil, chegou a hora dele corresponder às expectativas. Quem contratou o alemão foi o maior time do mundo, o time de Galáticos: o Real Madrid. Se por algum acaso existiam dúvidas se um garoto de 22 anos conseguiria reger um time desse tamanho, o meio-campo fez questão de anulá-las. No meio da temporada, era eleito o 13° melhor jogador do mundo.

O time teve o azar de disputar todos os títulos da temporada com o Barcelona de Guardiola, em seu auge. Foi o líder de assistências da Champions, eliminado na semifinal pelo Barça. Foi vice-líder de passes para o gol na La Liga - com 19 - ofuscado pelo título do Barcelona, disputado até o final.

Foi apenas na Copa do Rei, que conseguiu erguer seu primeiro caneco com a camisa merengue e bater o tão temido Barcelona, na prorrogação. 29 assistências para Özil, que não devia nem um pouco no pessoal, mas podia mais com seu time. Subiu duas posições na lista do Balon D’Or, terminando na 11ª colocação

O Real sabia que precisaria de algo extraordinário para bater aquele Barça. Qualquer time do mundo seria campeão de um campeonato com 95 pontos, mas os madrilenhos tiveram que fazer 100 para levantar o caneco.

Özil provou sua sinergia com Cristiano Ronaldo e foi líder de assistências no título. Mais 28 para a conta dele e outro ano de ótimas atuações. O alemão já estava consolidado como um dos melhores do mundo, mas acabou ficando de fora da lista dos 11 melhores.

Na sua temporada de despedida, Özil foi um pouco menos participativo, num time que não conseguiu segurar um Borussia Dortmund muito forte, parando mais uma vez nas semis da Champions. No Espanhol, ficou com mais um vice e teve de se contentar com um título de Supercopa da Espanha.

Com um encerrar de um ano com 24 assistências, os tabloides traziam especulações sobre clubes da Premier League que queriam contar com seu futebol. Enquanto isso, Gareth Bale, principal destaque da própria Liga Inglesa naquele momento, tinha seu nome cada vez mais cogitado nos corredores do Santiago Bernabéu, e sua aquisição custaria muito dinheiro para os cofres do clube. Não havia espaço – nem cédulas – suficientes para os dois

E assim, pela “modesta” quantia de 43 milhões de euros (182 milhões de reais na cotação atual), Özil arrumou suas malas e foi para a Terra da Rainha em mais uma empreitada.

Protagonismo

Nova camisa, novo país, novas responsabilidades. A partir de 2013, o alemão agora tinha o desafio de ser a cara e “o cara” do Arsenal, um gigante “adormecido”, mas com grandes ambições. A princípio, teve sucesso.

Terminou sua primeira temporada em Londres com um saldo positivo, apesar de ter perdido um pênalti decisivo em duelo contra o Bayern de Munique nas oitavas de final da Champions League.

Guiado por constantes boas atuações do meia, o Arsenal terminou a Premier League na quarta colocação e encerrou uma sequência de nove anos sem títulos ao levantar o troféu da FA Cup.

Em seguida, ele foi ao Brasil para disputar a Copa do Mundo com a seleção alemã. Titular e o principal polo criativo de um time eficiente e metódico, anotou o gol da vitória contra a Argélia na prorrogação das oitavas de final e contribuiu com uma assistência no massacre por 7 a 1 contra os donos da casa. Com total merecimento, pode ostentar pelo resto da vida o status de ter sido campeão mundial.

De volta à Inglaterra, a contribuição continuou em alta. Durante as três temporadas seguintes, chegou ao tricampeonato da FA Cup com vitórias ao final de 2015 e 2017.

Além disso, bateu um recorde que escancara sua dominância dentro do futebol inglês: em apenas 137 partidas da Premier League, o maestro bateu craques como Eric Cantona, Dennis Bergkamp, Cesc Fábregas e David Silva ao tornar-se o atleta que precisou de menos jogos para chegar à marca de 50 assistências no campeonato.

Entretanto, apesar das conquistas, nem tudo são flores na relação entre Özil, Arsenal e torcida.

Contrato exorbitante, futebol “barato”

Após ter seu nome especulado em diversas equipes europeias durante a janela de transferências do início de 2018, o meia recebeu um belo incentivo para permanecer no Emirates Stadium.

Com direito à bagatela de 350 mil euros por semana (praticamente um milhão e meio de reais), o que o transformava no jogador mais bem pago da história do Arsenal, ganhando mais do que o dobro em relação à maioria do elenco, estendeu seu vínculo com os Gunners por mais três temporadas.

Hoje, porém, aos 30 anos de idade - momento que deveria marcar seu auge nos gramados - Özil vive uma realidade oposta. Desde a assinatura do novo contrato, não conseguiu mais desempenhar boas atuações tanto no clube quanto na seleção.

Junto à Alemanha, fez parte de um vexame histórico e não conseguiu levar sua equipe à fase de mata-matas na Copa da Rússia em 2018. Depois do Mundial, entrou em conflito com o técnico Joachim Low e anunciou que não estava mais interessado em representar seu país a partir de então.

Na atual temporada, passa talvez seu pior momento de sua vitoriosa trajetória no futebol. Nos últimos 15 compromissos do Arsenal na Premier League, por exemplo, foi titular em apenas dois. Além disso, convive no meio de um atrito com o atual técnico, Unai Emery, que seja por motivos táticos ou técnicos não o fornece muitas chances, fato que retraz à tona as dúvidas sobre seu futuro em Londres.

Com críticas constantes de torcedores e imprensa sobre sua linguagem corporal, dedicação e adaptabilidade ao futebol moderno, as interrogações parecem o seguir a todo momento, e pelo menos agora, a perspectiva de mudança não parece ser grande.

No final das contas, apesar do momento turbulento, uma coisa é certa: para o fã do futebol bem jogado, Mesut Özil em boa fase é garantia de espetáculo. Resta agora saber quais e como serão seus próximos capítulos.

Com ou sem seu camisa 10 entre os titulares, o Arsenal entra em campo nesta domingo, em clássico contra o Manchester United. A partida terá transmissão ao vivo da ESPN Brasil e do WatchESPN a partir das 13h20.