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Palmeiras: Conheça Paulo Turra, o auxiliar moderno de Felipão que os jogadores adoram

"Acho que o grande ganho do Felipão no Palmeiras foi a saída do Murtosa - nada contra o Murtosa, muito pelo contrário -, e a chegada do Paulo Turra. O Murtosa traria para o Felipão as mesmas ideias que ele tinha lá atrás. O Turra traz ideias das quais o Felipão talvez só tivesse ouvido falar, e agora está vivenciando no dia-a-dia".

Foi assim que o ex-meia Alex, ídolo do Verdão e comentarista da ESPN, analisou a adição decisiva que o técnico Luiz Felipe Scolari fez em sua nova comissão técnica quando retornou ao Brasil para comandar o time do Palestra Itália, no início de agosto.

No lugar de Murtosa, fiel escudeiro de tantos anos, mas que teve que resolver problemas pessoais e preferiu não assumir o compromisso, Felipão escolheu o ex-zagueiro Paulo César Turra para ser seu auxiliar ao lado de Carlos Pracidelli - eles já vinham trabalhando juntos desde 2016 no Guangzhou Evergrande, da China.

E o sucesso da parceria, por enquanto, é notável.

Turra vem se destacando no comando dos treinos alviverdes, e conta com enorme apreço do elenco, que vê trabalhos modernos, bem estudados e encaixados tanto às características do plantel quanto às ideias de futebol das quais Scolari não abre mão.

Não à toa, ele tornou-se o "braço direito" do bigodudo, e estará mais uma vez ao seu lado no importante jogo deste domingo, às 17h (de Brasília), contra o Paraná, em Londrina-PR, pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O auxiliar, aliás, já trabalhou em uma ocasião como treinador principal. Foi no empate por 0 a 0 com o Bahia, em 2 de agosto, pela Copa do Brasil, enquanto Felipão ainda viajava de Portugal para o Brasil para iniciar seu trabalho.

E quem conhece Turra garante: ele reúne todas as condições para ser o técnico do Verdão no futuro.

VIDA E CARREIRA

Paulo Turra, hoje com 44 anos, nasceu no pequeno município de Tuparendi, de apenas 8,5 mil habitantes, no interior do Rio Grande do Sul.

Começou sua carreira de jogador na base do Caxias, em 1990, e teve sua primeira chance em um time grande em 1997, quando foi emprestado ao Botafogo e conquistou o Campeonato Carioca daquele ano pelo time alvinegro.

Em 2000, chegou ao Palmeiras, que vivia os últimos meses da era Parmalat, e ajudou o time a conquistar a Copa dos Campeões, garantindo vaga na Libertadores do ano seguinte, e ainda foi vice da Copa Mercosul, perdendo a final para o Vasco.

Após a campanha do vice na Libertadores 2001, Turra se transferiu para Boavista, de Portugal, time pelo qual disputou três temporadas e jogou até mesmo a Uefa Champions League, enfrentando clubes como Manchester United e Bayern de Munique.

Neste período, foi vice-campeão português e tornou-se ídolo da torcida, levando sua equipe também a uma semifinal da Copa da Uefa.

Em 2004, trocou de clube em Portugal e foi para o Vitória de Guimarães, que defendeu até 2006, quando foi para o Hibernian, da Escócia.

Em 2007, retornou ao futebol brasileiro, defendendo Sertãozinho-SP e Avaí e aposentando-se ao final do ano.

Na temporada seguinte, teve sua experiência fora das quatro linhas, trabalhando como auxiliar-técnico do Novo Hamburgo-RS. O primeiro desafio como treinador principal viria já em 2009, quando ele assumiu a equipe gaúcha de forma interina.

Nos próximos anos, rodou por várias equipes, fazendo seu melhor trabalho no Cianorte-PR, pelo qual ganhou a 2ª divisão do Paranaense em 2016 de forma invicta, recolocando a equipe na elite estadual.

Depois disso, resolveu estudar mais com treinadores experientes e partiu para ser auxiliar de Luiz Felipe Scolari no futebol chinês. Segue acompanhando o bigodudo desde então, e agora é o "braço direito" de Felipão no Palmeiras.

'ELE SERÁ TÉCNICO DO PALMEIRAS NO FUTURO'

O lateral direito Celsinho, do CSA, é amigo próximo de Paulo Turra. Ele fez parte do elenco do Cianorte que fez a grande campanha na Segundona paranaense de 2016 e só tem boas coisas a dizer sobre o hoje auxiliar de Felipão.

"É uma pessoa do bem, muito família e religioso. Ele faz amizade facilmente e se dá bem com todo mundo. Está sempre sorrindo e alegrando o ambiente. Tenho por ele enorme carinho e muito respeito", conta, em entrevista à ESPN.

"O Turra me convidou para jogar no Cianorte e ajudá-lo naquela campanha grandiosa que fizemos. Fomos campeões invictos e conseguimos o acesso. Ele fez história lá, tanto é que o pessoal da cidade tem um carinho enorme por ele", exalta.

Celsinho também é só elogios aos métodos de trabalho do gaúcho.

"É um cara que busca sempre a excelência e cobra muito dele mesmo e dos outros. O foco do Turra no trabalho é impressionante. Ele usa muitos vídeos e apresenta todos os detalhes do adversário, tanto os pontos fortes quanto os negativos. Como eu também gosto de estudar futebol, aprendi muito com ele. Levo todos esses ensinamentos comigo na carreira", salienta.

"Além dele estudar bastante o adversário, ele também pedia para que nós, atletas, estudássemos quem a gente iria enfrentar, que víssemos as características de todos os rivais. Quem quer buscar algo a mais, tem que fazer isso. E eu me identifiquei desde o começo com ele por causa disso. Quando eu entro em campo, busco analisar tudo o que for possível do adversário, para que a gente não seja surpreendido. Por isso eu sempre achei bacana trabalhar com ele", complementa.

O ala, inclusive, acredita que Turra reúne todas as condições para em breve alçar voos mais altos.

"Pode ter certeza que o Paulo vai crescer muito ainda no futebol. É uma pessoa que ama o que faz, e acredito que daqui alguns anos ele será o técnico do Palmeiras. Vai crescer mais e mais a cada ano", aposta, antes de explicar melhor.

"Hoje eu vejo, sim, o dedo dele no time do Palmeiras, consigo fazer essa leitura. Principalmente a questão da intensidade tanto na parte defensiva quanto ofensiva. Vejo coisas que a gente treinava muito no tempo do Cianorte: recomposição rápida, pressão no homem da bola...", observa.

Celsinho ainda conta como é a convivência com Turra e como ele gosta de se relacionar com o elenco.

"Ele é um cara muito família, religioso, e que gosta de suas origens gaúchas (risos). Adora um chimarrão e um bom café. É extremamente dedicado, acorda cedo para cumprir seus deveres. E tem aquele espírito gaúcho, de vibração, de garra, de dedicação, de querer vencer a todo momento", cita.

"Gosta de conversar ao pé do ouvido e de motivar, mostrar que quer sempre o melhor para o seu atleta. Cara de mente boa, focado no trabalho e no que faz, para que, no final, todo aquele esforço seja reconhecido", ressalta.

"No vestiário, também sempre foi um cara do bem. Sabia unir o grupo e discernir qual era o momento certo para fazer uma reunião mais séria com os atletas e qual era a hora certa de fazer um churrasco ou resenha. A união de todos esses fatores é o que eu acredito que será fundamental para o seu sucesso no futuro", finaliza.