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Ex-Palmeiras que foi treinado por Felipão hoje é xodó na Floripa da Europa

Em 2010, Chico era um dos volantes que mais se destacavam no Campeonato Brasileiro. Com apenas 22 anos, ele era titular do Atlético-PR, que lutava por uma vaga na Libertadores do ano seguinte. Com as boas atuações, o jogador despertou a cobiça de vários clubes grandes do Brasil, além de uma equipe da Espanha.

"Tinha recebido uma proposta do Bétis-ESP e estava quase tudo certo, mas depois eu não fui. Não quis ir para lá. Naquela época veio Atlético-MG e Inter tentaram a negociação, mas eu preferi o Palmeiras", disse o jogador, ao ESPN.com.br.

O volante havia jogado contra o time alviverde em um duelo no Pacaembu.

"O Felipão e o Galeano me ligaram querendo saber se eu teria interesse de jogar lá. Não pensei duas vezes porque ia trabalhar em uma grande equipe com um grande treinador. Eles entraram em contato com o Atlético-PR e se acertaram", relatou.

O volante chegou ao Palestra Itália no começo de 2011 e viu um elenco que tinha nomes famosos como Marcos, Valdívia e Kléber Gladiador. "Fui muito bem recebido por todos e grupo era unido. Eu e o [zagueiro] Henrique ficávamos escutando modão de viola e jogando videogame nas concentrações", contou.

Chico também gostava de jogar truco com o goleiro Marcos nas horas livres.

"Ele é gente boa demais e uma pessoa fenomenal. O Marcão tinha os parceiro dele, geralmente, um dos goleiros do Palmeiras. Só que eu não tinha parceiro e trouxe um cara do time rival: o Rhodolfo, que estava no São Paulo e era meu amigo dos tempos de Atlético-PR."

Os vencedores tinham o direito de dar piparotes nas orelhas da dupla perdedora. "O Marcão ficava direto com a orelha vermelha de tanto levar peteleco (risos)", garantiu o volante.

Nos tempos de Palmeiras, Chico tinha um famoso Gol "bolinha" ano 1995 que ganhou o singelo apelido de "Queimadinho", após pegar fogo no estacionamento.

Jogou nos maiores rivais do PR

Chico começou no futebol em Pato Branco-PR e passou pelo PSTC, de Londrina, antes de chegar à base do Atlético-PR. O jogador estreou nos profissionais em 2006, em uma derrota por 3 a 2 contra o Grêmio, na Arena da Baixada. Logo em seguida, foi efetivado pelo técnico Vadão. Ele passou a se destacar e virou titular a partir de 2008.

"Os melhores momentos que vivi lá foram o título do Paranaense em 2009 na Arena da Baixada e o Brasileiro de 2010. Ficamos em quinto lugar e brigamos até o final pela Libertadores, mas naquela época só iam os quatro primeiros", contou.

Ele fez parte de uma geração que tinha nomes como Rhodolfo, Manoel, Márcio Azevedo e o goleiro Neto. Depois de três temporadas de destaque no Atlético-PR, Chico foi para o Palmeiras, em 2011. No meio do ano seguinte, ele viveu um dilema quando foi para o Coritiba.

Como ele havia jogado pelo time paulista na primeira Copa do Brasil, não poderia atuar na final entre Coritiba e Palmeiras.

"Se o Palmeiras vencesse eu seria campeão, mas se o Coritiba ganhasse eu jogaria a Libertadores do ano seguinte. Foi uma dúvida difícil", contou, aos risos.

Apesar de ter sido revelado no principal rival do Coxa, Chico acredita que conseguiu respeito no Couto Pereira.

"Eles chegaram com um projeto muito bacana e eu decidi voltar para para Curitiba, uma cidade que conhecia bem. Eu queria ter mais oportunidades para jogar. Foi uma vitoria pessoal, para mostrar que eu poderia ser o Chico do Coritiba e que as pessoas me elogiassem ou criticassem pelo meu futebol. Foi o que consegui."

Na 'Floripa da Europa'

O volante permaneceu no Couto Pereira até o meio de 2014, quando foi contratado pelo Gaziantepspor-TUR.

"Um amigo do meu empresário que trabalhava na Turquia levou meu DVD para o treinador do clube, que tinha um ex-auxiliar do Fenerbahçe. Eles gostaram e entraram em contato com Alex perguntando a meu respeito. Deu tudo certo", contou.

No começo, o brasileiro precisava dar um jeito para se adaptar à cultura de Gaziantep, uma cidade de maioria muçulmana.

"Eu não falava inglês ou turco. Quando ia almoçar eu aprendi logo a falar 'sem pimenta' em turco. Foi a melhor palavra que aprendi porque antes eu não conseguia comer", contou.

Depois de apenas uma temporada, Chico se transferiu para o Antalyaspor-TUR. O clube fica em uma regiões mais turísticas da Turquia.

Meus amores.. my loves.. aşklarım.. 🌞 🏖 🏊‍♀️❣️😎

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"A cidade aqui é linda, tipo uma Florianópolis do Brasil. É praiana, moderna e tem vários turistas. Para quem é estrangeiro facilita muito. O pessoal é muito respeitador. É muito bom de viver porque tem muita segurança e não tem assalto. Vale a pena conhecer."

De acordo com o volante, o Antalyaspor é equipe que tem um centro de treinamento moderno e um estádio novo. Além disso, virou xodó dos torcedores turcos por ter jogado com um ídolo do país.

"Os torcedores são fanáticos. Quando você fala que é brasileiro eles gostam por causa do Alex, que fez uma história muito bonita. Ele abriu as porta para os jogadores. Quando falo que sou do Brasil o primeiro nome que eles falam é o do Alex. Se eu digo que joguei com ele aí que todo mundo quer tirar ainda mais fotos (risos)."

"Quero ficar mais duas temporadas na Turquia antes de retornar ao Brasil para atuar por mais dois anos. Por enquanto, são esses os meus planos."