A Copa do Mundo de 2018 será um evento grandioso, mas que custou caro.
Segundo os últimos cálculos, o país gastou no total US$ 14,2 bilhões (R$ 52,57 bilhões) para sediar o evento. Deste montante, foram US$ 3,45 bilhões (quase R$ 13 bilhões) para a construção e reforma de estádios, um valor bem maior do que o investido pelo Brasil em 2014 neste mesmo quesito - de acordo com dados do TCU (Tribunal de Contas da União), foram R$ 8,3 bilhões.
"Nós gastamos muito dinheiro, e agora precisamos ter a certeza de que essa infraestrutura irá funcionar bem e depois ajudar no desenvolvimento do esporte pelo país", explicou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, quando questionado sobre o tema.
Mas, assim como os brasileiros, os russos ganharão diversos "elefantes brancos" para depois do Mundial: arenas mastodônticas e ultramodernas, mas que não possuem grandes clubes para utilizá-las, e nem perspectiva de realizar grandes eventos.
O principal caso é o Estádio Fisht, em Sochi. O campo de quase 48 mil lugares, e que custou incríveis R$ 2,884 bilhões, será a casa do minúsculo FC Sochi depois da Copa.
O problema é que a equipe não está em nenhuma divisão nacional, já que se licenciou momentaneamente para "pensar em novas estratégias de como conduzir o clube", sem dar previsão de volta. Antes disso acontecer, estava disputando a terceira divisão russa sem nenhum destaque.
Com isso, o segundo estádio mais caro do Mundial (só pede para o Krestovsky, casa do Zenit, que custou insuperáveis R$ 4,6 bilhões) pode ficar sem ter clube para jogar com o fim do torneio da Fifa, em um mico parecido com o da Arena da Amazônia no Brasil. Afinal, como um time minúsculo com o FC Sochi conseguirá bancar o alto custo de manutenção do Fisht?
Outros casos bizarros são os do Mordovia Saransk, que vai herdar a Arena Mordóvia (44.442 torcedores), do Rotor Volgograd, que passará a jogar na Arena Volgogrado (45.568 torcedores), e do Baltika Kaliningrad, que ganhou a Arena Kaliningrado (35.212 torcedores), só para citar alguns.
Esses clubes, todos da 2ª divisão, tiveram médias de público ínfimas na última temporada (a do Rotor, por exemplo, foi de 3.701 torcedores/jogo, enquanto a do Baltika foi de 7.977 torcedores/jogo), e devem seguir atuando com arenas às moscas, mas agora bem mais caras que suas casas anteriores.
E até mesmo times de 1ª não conseguem encher suas novas casas. O Rubin Kazan, por exemplo, teve média de apenas 9.706 torcedores/jogo na última Premier League russa, deixando a moderna Arena Kazan, com capacidade para 45.379 fãs, vazia e triste.
Ainda está indefinido quem vai pagar essa conta no final, mas o indicativo é que Putin terá que colocar a mão no bolso.
Em fevereiro deste ano, durante reunião na Federação Russa de Futebol sobre a preparação para a Copa do Mundo, os governadores de várias regiões que também ganharam novos estádios, como Nizhny-Novgorod e Samara, além dos locais citados anteriormente, deixaram claro que esperam que Moscou assuma a gestão e os custos dos gigantescos estádios.
Segundo os cálculos, o custo dessas arenas pode chegar a US$ 8 milhões (R$ 29,6 milhões) por ano, algo totalmente inviável também para cidades como Mordóvia e Ekaterimburgo.
EXCEÇÕES
Já entre as exceções, aparece a Arena Otkrytiye, em Moscou, que virou a nova casa do gigante Spartak, um dos clubes mais importantes do país e que consegue ao menos encher as arquibancadas, algo que outras equipes não chegam nem perto de fazer.
A reportagem da ESPN esteve na arena nesta segunda-feira e ouviu de torcedores locais as opiniões sobre o dinheiro investido na construção de estádios. Alexander Vovk, de 41 anos, por exemplo, crê que a grana é bem gasta por Putin e sua trupe.
"Acho que é um grande passo para o esporte russo. Para mim, o fato de termos poucos times fortes é que antes não havia lugares decentes para eles treinarem e jogadorem", afirmou.
"Agora, por causa da Copa do Mundo, nós teremos muitos novos estádios, que certamente vão ajudar a espalhar melhor o futebol russo, criando times fortes em outros pontos do país", salientou.
Natalia, esposa da Alexander, porém, discordou frontalmente.
"Só concordo com o dinheiro que foi usado na construção de estádios para os times que têm torcida, como o Spartak. Nos outros casos, acho que foi um grande desperdício de dinheiro", reclamou.
A Arena Otkrytiye tem capacidade para 45.360 torcedores e sediará cinco jogos da Copa, até as oitavas de final.
Depois, continuará pertencendo ao clube alvirrubro, que levou um total de 452.836 pessoas às arquibancadas no último Campeonato Russo, média de 30.189 por jogo.
