Não é segredo nenhum que os torcedores da Rússia estão bastante desanimados para a Copa do Mundo de 2018.
Afinal, a equipe nacional vem de péssimos resultados recentes, em uma série de sete jogos sem vencer (quatro derrotas, três empates), e com a última vitória tendo ocorrido no já longíquo outubro de 2017 (4 a 2 sobre a Coreia do Sul, em amistoso). Uma pesquisa de um jornal local apontou que 90% dos habitantes não acreditam que o time passe da primeira fase.
E, além disso, um outro fator "complica" ainda mais a vida dos fãs russos para a abertura do Mundial, na próxima sexta-feira, às 12h (de Brasília), contra a Arábia Saudita, pela 1ª rodada do grupo A: a presença de um "pé frio" de carteirinha no estádio Luzhniki, em Moscou.
Mas não se trata do rock star inglês Mick Jagger, líder da banda inglesa Rolling Stones e famoso por dar azar aos times que acompanha em Mundiais. O nome em questão é o do apresentador e comentarista Viktor Gusev, que trabalha há muitos anos para o Perviy, principal canal de televisão da Rússia e é uma das caras mais conhecidas do esporte no país.
Segundo contaram diversos moscovitas à reportagem, Gusev é praticamente um "símbolo do azar" nacional. De acordo com os locais, uma partida da seleção em que ele trabalhe como comentarista é praticamente a certeza da derrota, assim como no caso de Jagger.
Não à toa, o rosto do homem de 62 anos, neto de um famoso poeta e filho de um importante professor da ciências biológicas da Universidade de Moscou, é frequentemente usado em memes nas redes sociais para ironizar os (muitos) tropeços da Rússia.
"Eu sinto um pouco de pena dessa situação, pois ele é uma ótima pessoa. Mas o que acontece: a seleção russa não é a seleção brasileira. Nós perdemos muitas vezes. E quando o time fica sem ganhar há algum tempo, isso vira uma grande piada", conta o jornalista Grigory Telingater, colaborador da ESPN na Rússia.
"Há diversas brincadeiras na internet sobre isso. Temos muitos memes e imagens engraçadas, fotos no Twitter, essas coisas", completa.
Segundo Telingater, o próprio Viktor Gusev conhece sua fama de "zicador", mas não dá bola e ainda tira sarro da situação. Assim como o canal de TV em que ele trabalha, que o escalou normalmente para trabalhar na Copa deste ano.
"Eu sei que ele conhece as brincadeiras sobre esse tema, mas ele mesmo brinca com tudo. Nos próprios comentários da partida diz que pode trazer azar, mas tudo na brincadeira", relata.
"Ele não se sente mal com esse tema e também não há qualquer influência para ele e nem para o canal em que ele trabalha", finaliza.
Brincadeiras à parte, Gusev é um jornalista bastante respeitado na Rússia.
Entre 1979 e 1991, ele foi repórter e editor da TASS, principal agência de notícias da Rússia, e também trabalhou para a RIA Novosti, outra agência do país.
Sua entrada para o mundo da TV começou no Mundial dos Estados Unidos, em 1994, e ele participou das coberturas das Copas daí em diante. Ao mesmo tempo, colaborou com importantes revistas esportivas, como a Match e a World Soccer.
Membro da Academia Russa de Televisão, ele também já foi condecorado com a "Ordem por Mérito à Pátria", maior honraria da nação.
