Nesta quinta-feira, o Olympique de Marselha-FRA recebe o Red Bull Salzburg-AUT, no estádio Vélodrome, às 16h05 (de Brasília), pela partida de ida da semifinal da Liga Europa, para tentar encaminhar a volta a uma final continental após um longo hiato. A partida terá transmissão ao vivo da ESPN Brasil e do WatchESPN.
Único clube francês a ganhar a Uefa Champions League em toda a história, o gigante europeu está "adormecido" há alguns anos, mas começa a renascer graças a um craque do meio-campo: o genial (e controverso) Dimitri Payet.
Na atual edição da Europa League, o armador tem três gols e quatro assistências em nove jogos, sendo o grande responsável por colocar o clube de Marselha na semifinal do torneio.
No duelo de volta das quartas, por exemplo, ele teve atuação espetacular, marcando um gol, dando um passe decisivo e ajudando sua equipe a golear o RB Leipzig-ALE impiedosamente por 5 a 2.
Antes de ser o ícone que é hoje e ídolo absoluto da torcida do Olympique, porém, Payet passou poucas e boas na carreira - em boa parte por conta de seu temperamento difícil, que quase o fez colocar tudo a perder quando jovem.
A HISTÓRIA DE PAYET
Assim como vários outros jogadores da seleção francesa, Payet não nasceu na França em si. Ele é de Saint-Pierre, na Ilha de Reunião, território ultramarino francês na África, perto de Madagascar e das Ilhas Maurício.
Talentoso desde cedo, começou a carreira no Saint-Philippe, indo depois para um time maior da cidade, o Saint-Pierroise. Nesta equipe, rapidamente chamou a atenção e aí sim mudou-se para a Europa, depois que foi contratado pelo Le Havre, em 1999.
Em sua primeira chance em um time francês, porém, ele decepcionou. Acusado por treinadores de ter temperamento difícil e estar sempre desmotivado, passou quatro anos sem nunca se firmar no Le Havre. Sem contrato, foi dispensado e voltou a Reunião, onde acertou com o Excelsior.
Depois de um ano e meio jogando a liga local, no entanto, recebeu nova chance na França, para atuar no mediano Nantes.
Foi aí que sua carreira deslanchou, apesar de alguns percalços no início. Quando chegou, em 2005, Payet foi inscrito no time reserva do Nantes, que à época disputada a quarta divisão nacional, considerada uma liga amadora. Com isso, veio também o salário de jogador amador, que muitas vezes não chegava ao fim do mês.
Para solucionar esse problema, o meia resolveu levar vida dupla, trabalhando ao mesmo tempo como jogador de futebol e também como vendedor de uma loja de roupas da cidade para complementar a renda e tirar uma grana extra.
Há no YouTube, inclusive, um registro em vídeo de Payet ajudando clientes e mostrando como dobrar um suéter da maneira correta. Assista abaixo:
Foi no Nantes que Payet começou a explodir. Depois de boas passagens por Lille e Saint-Étienne, o armador foi contratado por 11 milhões de euros pelo Olympique de Marselha, time no qual se consolidou como um dos melhores do futebol francês.
Depois de duas boas temporadas pelo clube do sul da França, principalmente com assistências (foram 17 em 36 jogos da Ligue 1 em 2014/15, número só menor que o de Lionel Messi no Barça dentro as maiores ligas europeias), ele despertou a atenção do West Ham, da Inglaterra, que o levou por 15 milhões de euros (R$ 63,6 milhões, na cotação atual).
Na "Terra da Rainha", o francês não demorou para virar ídolo. Com muitos golaços de falta e assistências preciosas, fez ótima campanha com o West Ham, que por pouco não se classificou para a Champions League na temporada 2015/16.
Sua ótima forma rendeu chances com o técnico da França, Didier Deschamps, que andava desconfiado de seu futebol, e ele foi convocado para a disputa da Euro-2016. Teve ótima participação no torneio, fazendo inclusive o gol da vitória por 2 a 1 dos Bleus na difícil estreia contra a Romênia, no Stade de France. Contudo, terminou perdendo a final para Portugal por 1 a 0.
Na temporada seguinte, porém, a saudade de casa bateu forte, e Payet pediu para ser negociado de volta com o Olympique de Marselha. Após o West Ham relutar, ele chegou até a fazer greve e se recusar a entrar em campo pelos Hammers.
Não restou alternativa aos ingleses a não ser aceitar a proposta de 30 milhões de euros (quase R$ 130 milhões, na cotação atual) dos franceses, que repatriaram seu ídolo no final de janeiro de 2017 - a grana veio do empresário norte-americano Frank McCourt, que comprou a tradicional equipe em setembro de 2016.
Desde então, ele vem tentando ajudar o Olympique a se reerguer após anos no ostracismo, com o clube sendo eclipsado pelo hetacampeão nacional Lyon e agora pelo "todo-poderoso" Paris Saint-Germain, um dos times mais ricos do mundo graças ao dinheiro dos sheiks do Catar.
A atual Liga Europa pode ser a grande chance de Payet ajudar o gigante a acordar de vez.
