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OPINIÃO: Quem disse que para ir longe era preciso ser o melhor? A Inglaterra avança!

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Bellingham vê número 10 em placa de substituição e 'recusa' a sair em Inglaterra x Suíça na Eurocopa (1:10)

Inglaterra e Suíça se enfrentaram pelas quartas de final da Eurocopa (1:10)

Estava aqui pensando. Como começar mais um texto de análise da Inglaterra nessa Eurocopa sem dizer que “faltou futebol para um elenco tão qualificado”? É um saco ser repetitivo mas não vai ter jeito. Desculpe a obviedade, fã do esporte.

Faltou futebol para um elenco tão qualificado. De novo. E ainda assim, os ingleses estão na semifinal. A vitória nos pênaltis sobre a Suíça não mostrou toda a evolução esperada, sequer foi merecida, mas fortalece o elenco para a fase mais decisiva do torneio. Mesmo criticados, faltam dois jogos para o título.

E quando digo que a evolução não foi plena, é porque se compararmos com os jogos anteriores, até que esse foi o menor pior. Em termos de movimentação ofensiva, o time fez mais e logo contra a seleção mais qualificada que enfrentou. Finalmente, Foden teve toda a liberdade que queria. Não jogou pela esquerda. Flutuou por dentro, tendo Bellingham ocupando mais a meia canhota com Trippier jogando bem em amplitude. Mainoo deu, novamente, mai dinâmica para o meio. Mas nada disso foi suficiente para que o volume de chances criadas fosse alto. Kane pouco participou do jogo.

Foram apenas nove finalizações no tempo normal. A primeira correta foi no minuto 80, justamente o gol de empate de Bukayo Saka. Aliás, precisamos falar sobre o camisa 7. O jogador do Arsenal foi o melhor do time na partida. Jogando como um legítimo ala pela direita, fechando em linha de 5 no momento sem bola e agudo o tempo todo na hora de atacar. Foi ele que tentou quase tudo o que a Inglaterra fez.

Saka também assumiu a responsabilidade na hora dos pênaltis. Tão massacrado - inclusive com atos racistas - após perder uma das cobranças que resultaram no vice da Euro em 2021 em pleno Wembley, ele não titubeou. Pegou a bola e cobrou o terceiro penal inglês em Dusseldorf. Aliás, batidas perfeitas somadas a uma grande defesa de Pickford para garantir a classificação à semifinal.

Southgate se viu pressionado o jogo todo. Com sua equipe atuando mal, teve que recorrer ao banco para tornar a Inglaterra mais ofensiva. Foi corajoso e chegou a montar a linha de 5 lá atrás com apenas um zagueiro de origem. No instante em que empatou o jogo, a linha tinha Saka (ala direito), Walker, Stones, Shaw (os zagueiros) e Eze (ala esquerdo). Foi a partir dessa formação que o time viveu seu melhor momento na partida.

Aos trancos e barrancos, a Inglaterra está na semifinal. É possível ganhar o título jogando esse nível de futebol? É, embora do outro lado da chave estejam seleções melhores.

São três dias para transformar desconfiança em motivação e vitórias apertadas em casca para uma equipe que está sempre abaixo do seu padrão, mas sobrevivendo a momentos de adversidades e encontrando saídas nas horas críticas. Em um torneio de tiro curto, isso pode fazer a diferença.

Quem disse que para ir longe era preciso ser o melhor? Essa é a história que a Inglaterra conta nessa Eurocopa.

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