Creedence Clearwater Couto recebeu nome em homenagem à banda de rock norte-americana que fez sucesso nos anos 60 e 70
Em 13 de julho é comemorado o Dia Mundial do Rock. E um dos maiores hinos deste gênero musical certamente é "Have You Ever Seen The Rain", que foi a sexta música mais tocada nas rádios brasileiras em 1971, performada pela banda norte-americana Creedence Clearwater Revival. A influência do conjunto na década de 70 foi tanta que acabou servindo de homenagem no nome de um paulista de Ribeirão Preto, que viria a se notabilizar nos campos de futebol do Brasil no começo dos anos 2000.
Creedence Clearwater Couto teve passagens por Guarani, Marília, Figueirense, Santa Cruz-PE e Santa Cruz-RS. Em entrevista ao ESPN.com.br, ele contou o motivo de ter recebido o nome da banda, que também se notabilizou por hits como "Hey Tonight", "Proud Mary" e "Fortunate Son".
"Em relação ao meu nome, sempre foi e ainda é algo que impacta as pessoas porque é um nome diferente, ainda mais na minha faixa etária. Quando eu jogava ou era criança, ninguém conhecia, ninguém sabia o por quê. Realmente, no meio do futebol, a maioria das pessoas escutam pagode, samba, e eu curtia rock porque o meu pai tem uma influência musical muito grande, sempre gostou de rock, Abba, Bee Gees, Elvis, bandas muito boas que até hoje trago comigo. Eu nunca tive problemas com isso (nome), até pelo meu pai e minha mãe terem uma personalidade muito forte, sempre fui educado nesse ambiente, e lidava muito bem. As pessoas só perguntavam 'como?', não entendiam, isso acontece até hoje. Isso para escutar, imagina quando a pessoa vai escrever, raramente as pessoas acertam, só quem realmente conhece. Quando a pessoa acerta, eu até falo 'poxa, você acertou. Você conhece a banda?'".
"O meu pai que teve essa ideia em relação ao nome, claro que ele conversou com a minha mãe e teve, digamos, essa autorização, não sei como foi essa conversa na época. Foi uma banda que teve um sucesso estrondoso em um espaço muito curto de tempo, e com certeza marcou uma época da vida do meu pai, que foi a época que eu nasci", relembrou o ex-atleta de 43 anos e 1,94m.
Creedence revelou até que chegou a conhecer a própria banda quando eles vieram tocar no Brasil em 2012 e ele estava atuando pelo Santa Cruz, do Rio Grande do Sul.
"Tive a oportunidade de conhecer a banda, fui até Porto Alegre em um show deles, conheci o Stu Cook (baixista) e o Doug Clifford (baterista), são pessoas sensacionais, foi uma prazer conhecer a banda. Até eles ficaram espantados quando olharam o RG e viram o nome da banda ali, enfim, foi uma homenagem que o meu pai fez. Não só o futebol, mas também o nome, foram duas coisas que se uniram, se completaram, que sem dúvida repercutiram muito mais durante a minha carreira".
"Foi sensacional. Eu estava jogando no Santa Cruz, do Rio Grande do Sul, disputando o Campeonato Gaúcho, e eu estava muito bem no campeonato. Eles iam fazer um show em Porto Alegre, e eu recebi um convite da emissora local para que eu fosse até o show, eles foram me buscar, eu fui até o show. Camarote e tudo, eu fui até o camarim conhecê-los, e o pessoal explicou para eles que eu tinha o nome da banda, aí quando o Stu Cook, que é um dos fundadores da banda, viu, foi super atencioso, um cara extremamente educado, receptivo, pegou o meu RG, quis tirar foto, foi um momento extremamente bacana e muito marcante da minha vida. O meu pai era para ter ido e só não foi porque foi tudo muito rápido, meu pai tem medo de andar de avião e não daria tempo para que ele chegasse".
"Algo muito legal também é que, lá em Porto Alegre, só se fala de Grêmio e Internacional, Santa Cruz é um time do interior, e no final do show, o Stu Cook, como se tivesse terminado o show, ele pegou e falou que uma pessoa muito especial tinha ido até lá e entregado um presente muito especial para ele, ele agradeceu, apagaram-se as luzes como se tivesse terminado o show, só que se passaram 15 segundos e ele voltou com a camisa que eu tinha dado para ele, do Santa Cruz, e ninguém entendeu nada. Porto Alegre, cidade de Inter e Grêmio, o Stu Cook, do Creedence, com a camisa do Santa Cruz para finalizar o show com mais uma música, sem dúvida foi um momento extremamente marcante e muito feliz da minha vida."
Pelo nome não ser tão conhecido para quem não tem conhecimento da década de 70, Creedence Couto disse que sofreu um pouco com ele e até acabou ganhando um apelido de Pepe, lenda do Santos dos anos 60 junto com Pelé, quando jogava no Guarani.
"Isso acontece até hoje (risos). O pessoal começou a me chamar de 'Paulista' bem no início da minha carreira, eu saí de Ribeirão Preto e fui para o Iraty, do Paraná. Lá tinha um técnico chamado Joaquin Violin, e na hora de falar a escalação ele tinha um dificuldade muito grande em falar o meu nome. Ele falava 'poxa, até eu falar o seu nome já foi, não vou conseguir falar o que eu tenho para falar para você, vamos ter que encontrar um nome, um apelido, ou alguma coisa diferente para conseguir falar mais rápido e conseguir me comunicar de uma maneira mais eficiente'. E aí por ser do estado de São Paulo, de Ribeirão Preto, que surgiu esse apelido 'Paulista'. Que deixou de existir a partir do momento que eu fui para o Guarani, em 2002, que não havia mais sentido estar no Guarani, de São Paulo, e eu sempre gostei e gosto do meu nome, eu falei para o assessor de imprensa que gostaria de ser chamado pelo nome, a partir de setembro de 2002", disse o ex-jogador.
"O professor Pepe, que foi muito famoso, jogou no Santos, foi o meu treinador no Guarani, e na escalação ele sempre escrevia os nomes, aí chegou no número 9, e sempre que as pessoas, que eu sei que vai ser a minha vez, seja na chamada, nas escalações, e dava uma demorada, eu falava 'certeza que sou eu' (risos). Aí o Pepe, 'Cree...Cree...Cree...', 'Cree, vou te chamar de Cree, pode ser? Tudo bem para você?', eu falei 'claro, seu Pepe, sem problema nenhum' (risos)."
Como não poderia deixar de ser, Creedence disse ter uma relação especial com o gênero do rock. "Não só em relação ao rock. Eu acho que cada pessoa vai encontrar no seu estilo, seja no rock ou não, é igual o meu pai sempre diz: música é essencial na vida de uma pessoa. Não só por trazer vários momentos especiais à tona, mas por despertar algo especial em você, despertar algo nas pessoas que só a música é capaz de fazer. O rock tem esse poder na minha vida, tem essa intensidade, essa potência, escutar certas músicas e trazer essa continuação, te colocar para cima e te fazer pensar coisas otimistas e acreditar em tudo o que eu tenho como meta na minha vida."
