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Lesão de Fabrício Bruno escancara crise de departamento médico que relacionou jogadores sem condições no Flamengo

Departamento médico do Flamengo convive com críticas após seguidas lesões de diversos jogadores na temporada


O Flamengo vive um momento conturbado na temporada. Além de resultados ruins em campo, como o último da derrota por 1 a 0 para o Botafogo, a equipe sofre com diversos problemas físicos. O último foi o do zagueiro Fabrício Bruno. Como informou a ESPN, ele sofre com uma lesão séria no pé esquerdo e deve passar por cirurgia. O caso escancarou a crise do departamento do médico, que já relacionou atletas sem condição de jogo.

Além das baixas nas partidas e da convocação de jogadores longe da condição ideal, o estado físico de quem retorna de lesão é algo que preocupa. Diversos atletas acabaram se machucando novamente após uma recuperação de lesão antiga, como o zagueiro Pablo e o lateral Filipe Luís. O departamento médico chefiado por Marcio Tannure sofre questionamentos para comunicar com mais clareza o real estado de cada jogador.

Tudo começou ainda em 2021 com Pedro. O atacante entrou em atrito com o departamento médico do clube, que não informou o resultado do exame de centroavante após a vitória sobre o Juventude por 3 a 1, no dia 13 de outubro, e 'segurou' até onde conseguiu a informação da cirurgia do atleta. O camisa 21 ainda chegou a atuar lesionado contra o Athletico-PR, no dia 20 do mesmo mês. Irritado com toda a situação, ele decidiu realizar o procedimento para corrigir uma lesão no menisco do joelho direito fora do clube com um médico particular e esquentou o clima no Ninho do Urubu.

A segunda vez que um problema médico causou turbulência no Flamengo foi com Rodrigo Caio. O camisa 3 passou por um procedimento cirúrgico no dia 7 dezembro de 2021 no joelho direito. No entanto, como a ESPN informou em primeira mão na época, o zagueiro teve uma recuperação bastante complicada.

Em um primeiro momento, Rodrigo Caio precisou ser internado para se recuperar de uma infecção no local. O departamento médico optou por um tratamento com antibiótico na veia para acelerar a recuperação. No entanto, a medicação não fez efeito como o esperado, com Rodrigo Caio, inclusive, retornando ao hospital dias depois com febre em virtude do forte remédio tomado.

Se Pedro chegou a atuar após o exame diagnosticar uma lesão no joelho direito, Rodrigo Caio foi relacionado para a Supercopa do Brasil, no dia 20 de fevereiro, diante do Atlético-MG. Na ocasião, o Flamengo convocou Rodrigo Caio para a partida, mesmo com o atleta passando por uma situação delicada, marcada por cirurgias, internação e até rejeição aos antibióticos tomados de forma venosa com o intuito de acelerar a recuperação.

Em contato com a reportagem no dia 7 de janeiro, ainda com o zagueiro internado desde o dia 2 de janeiro para fazer uma lavagem no joelho direito, o departamento médico minimizou o problema do jogador e afirmou que ele não seria baixa para a reapresentação no dia 10 de janeiro. Discurso totalmente oposto à situação do zagueiro, que ficou internado 14 dias e quatro meses após tal mensagem ainda sequer atuou por um minuto que fosse.

O último da fila de poucas explicações foi Fabrício Bruno. Contratado do Red Bull Bragantino para ser o substituto de Rodrigo Caio, o atleta vivia bom momento e era titular absoluto de Paulo Sousa. No entanto, o drama começou na final do Campeonato Carioca. No primeiro jogo da decisão contra o Fluminense, no dia 30 de março, o zagueiro deixou o campo se queixando de dores no pé esquerdo.

Diante da importância do atleta, o Flamengo, já ciente de suas reclamações pela forte dor na região da planta do pé, mesmo assim o relacionou para o segundo jogo da final, no dia 3 de abril. Só que Fabrício Bruno sentiu logo no aquecimento e foi baixa. O departamento decidiu fazer um tratamento com corticóides que são considerados doping no futebol. Mesmo assim, não obteve melhora suficiente para um retorno. Como a ESPN informou, ele deve passar por uma cirurgia e ser baixa por mais tempo ainda.

Publicamente, o Flamengo não trabalha com prazo de retorno de atletas. Internamente, a volta é feita em etapas. O departamento médico, festejado pelas rápidas recuperações na temporada 2019, não deu mais entrevistas para qualquer veículo de mídia que não seja o oficial do clube.

Questionamentos internos

Durante o jogo contra o Altos, Rodrigo Caio foi relacionado, mas, mesmo com boa parte da equipe reserva em campo, não foi acionado. No jogo seguinte, Rodrigo Caio sequer ficou no banco para enfrentar o Talleres na Conmebol Libertadores, algo que causou estranheza. Arão atuou improvisado na zaga após lesão de Pablo e fechou o setor com Filipe Luís e David Luiz.

O mesmo se repetiu contra o Botafogo, quando Arão foi novamente deslocado para a defesa, sendo que Pablo e Rodrigo Caio estavam no banco. Improvisações em jogos importantes e com atletas da função no banco aconteceram com frequência durante o trabalho de Paulo Sousa e geram desde então questionamentos internos e externos sobre a real situação dos atletas, se estão em condição ou não de atuarem pelo Flamengo.

Pressão em cima de Marcio Tannure

Nas redes sociais, Márcio Tannure tem sido o maior alvo dos torcedores. Ele, que tem o cargo de Gerente de Saúde e Alto Rendimento, chefia todo do DM, que conta com os médicos Marcelo Soares e Fernando Bassan, além dos fisioterapeutas Marcio Puglia, Mario Peixoto, Laniyan Neves, Alam Santos e Fábio Feitosa e do fisiologia Pedro Menezes.

Quando a gestão Rodolfo Landim começou lá em 2019, Marcio Tannure estava a ponto de deixar o clube, que buscava uma 'limpa' em praticamente boa parte dos funcionários da gestão Bandeira de Mello, desafeto de presidente e também de Luiz Eduardo Baptista, o BAP, ex-vice-presidente de relações externas e um dos líderes da gestão atual. No início daquele ano, iniciava um desgaste com a preparação física chefiada por Alexandre Sanz. No entanto, Tannure ganhou a queda de braço com a chegada de Jorge Jesus, com quem criou uma forte ligação. Tannure era um dos maiores entusiastas no clube para um eventual retorno do técnico multicampeão em 2019 e 2020 para tentar tirar um pouco da pressão dos seus ombros, mas não obteve sucesso.

Na época, já que o Mister tinha uma comissão técnica completa, o português manteve apenas Betinho, segundo preparador da hierarquia da época em sua equipe e decidiu afastar Sanz. Um claro sinal de que Tannure estava fortalecido com o português. Durante aquele ano, o departamento médico do Flamengo foi constantemente elogiado pelo fato de o time aguentar uma forte sequência sem poupar jogadores e de entregar rapidamente os atletas em boas condições físicas após uma lesão.

Só que todo esse cenário se inverteu com a saída de Jorge Jesus. Em 2020, o DM se defendia com o argumento de a pandemia ter afetado e em muitos casos ser a causadora da queda de desempenho dos atletas, que acabaram passando por um longo período sem treinos e depois sem jogos. No ano passado, a preparação física recebeu muitas críticas ao lado do departamento médico durante um período de muitas baixas por lesões. No entanto, o setor foi reformulado com a chegada da comissão técnica de Paulo Sousa. Com isso, Tannure voltou a ser alvo solo dos torcedores.

Na preparação física, Betinho e Rafael Winicki deixaram o clube, enquanto Alexandre Sanz foi afastado do dia a dia, já que não pode ser demitido em virtude de ser eleito representante CIPA e ganhar estabilidade de dois anos. Atualmente, Lluis Sala e Antonio Gómez são os preparadores físicos de Paulo Sousa.