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Corinthians anuncia 'apagão de comunicação' às vésperas do Dérbi em combate à disseminação de ódio e fake news

Clube anunciou que promoverá um "apagão de comunicação" entre às 10h desta sexta-feira (22) e às 10h da próxima segunda (25)


O Corinthians anunciou nesta sexta-feira (22) que promoverá um 'apagão de comunicação', que consiste no silêncio do clube nas redes sociais e no departamento de comunicação entre as 10h de hoje e as 10h da próxima segunda-feira (25).

Segundo comunicado emitido em seu site oficial, a medida "visa a conscientizar a fiel torcida e a sociedade em geral a respeito do discurso de ódio, tornando o debate do futebol especialmente tóxico e chegando ao extremo do risco físico e trauma psicológico para os profissionais do esporte - atletas ou não - e suas famílias".

A posição do Corinthians é uma resposta às ameaças direcionadas a jogadores e familiares, além de dirigentes.

“Não podemos mais permanecer imóveis diante de um contexto que ameaça todos os clubes e jogadores. É preciso que a sociedade reflita sobre qual futebol quer para si, para suas famílias, para o presente e para o futuro”, afirmou Duílio Monteiro Alves, presidente do Corinthians, na nota.

A decisão do clube acontece na véspera do clássico contra o Palmeiras, marcado para este sábado (23), na Arena Barueri, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro.

Veja abaixo a nota publicada pelo Corinthians:

"O Sport Club Corinthians Paulista entra nesta sexta-feira (22) em uma das causas mais importantes de seus mais de 111 anos de história. O clube do Parque São Jorge vai se posicionar contra o clima de violência no ambiente do futebol e a disseminação do ódio e das fake news nas redes sociais por meio de um apagão de comunicação. Nenhuma postagem será feita pelas redes sociais do clube e nenhuma ação de comunicação será realizada entre as 10h desta sexta-feira (22) e as 10h da próxima segunda-feira (25).

Esta medida visa a conscientizar a fiel torcida e a sociedade em geral a respeito do discurso de ódio, tornando o debate do futebol especialmente tóxico e chegando ao extremo do risco físico e trauma psicológico para os profissionais do esporte - atletas ou não - e suas famílias.

Além disso, não deixamos de notar que há quem aproveite o estado de permanente indignação para monetizar a repercussão de fake news, seja nas redes sociais ou em parte da imprensa tradicional, como se viu na semana passada, quando a operação de nosso estádio foi acusada de racismo ao cumprir a lei e barrar dois menores desacompanhados que tentavam entrar para assistir a uma partida apresentando ingressos inválidos.

“Não podemos mais permanecer imóveis diante de um contexto que ameaça todos os clubes e jogadores. É preciso que a sociedade reflita sobre qual futebol quer para si, para suas famílias, para o presente e para o futuro”, afirma Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians.

Recentemente, os jogadores Cássio, Gil, Willian e Paulinho e seus familiares foram expostos a ameaças feitas por torcedores, fato que se repetiu em outros clubes. Esse ódio também se estende a dirigentes, árbitros e jornalistas, o que mostra a urgência de abordar o tema e enfrentar a situação de forma efetiva e abrangente.

Esta primeira medida do Corinthians será seguida por outras que envolverão todas as diretorias e todo o ecossistema do clube, de forma que imprensa, influenciadores, usuários e empresas de redes sociais também se engajem no necessário debate por um ambiente saudável para a prática, a vivência e a paixão pelo futebol profissional, dentro do espírito esportivo e democrático que guia o Corinthians desde sua fundação."