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CSGO: 'Ele traz tranquilidade e experiência', diz Peacemaker sobre Coldzera na Complexity

O brasileiro Peacemaker se tornou coach da Complexity em julho deste ano StarLadder

Depois de meses fora dos servidores competitivos e deixando os brasileirinhos ansiosos pelo seu retorno, Coldzera foi anunciado como suplente da Complexity no começo de setembro. Substituindo k0nfig, a chegada do brasileiro trouxe jogos animadores para os fãs da organização (e também do jogador) apesar de ainda não ter gerado muitos resultados positivos. Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o técnico também brasileiro, Peacemaker, fala sobre a chegada de Cold ao plantel.

Antes da entrada de Coldzera, NaToSaphiX era quem completava o elenco da Complexity dentro dos servidores, onde jogou junto da equipe a ESL Pro League S14. No entanto, já era sabido entre as peças da equipe de que a permanência do dinamarquês seria passageira: “Já sabíamos que ele seria somente para aquele campeonato”.

Buscando formas de aumentar as chances de ter um bom desempenho na BLAST Premier Fall Groups 2021 - campeonato no qual ficaram em 7º/9º lugar - e também no último RMR, a IEM Fall, para consequentemente apresentar uma boa campanha no Major, o nome de Coldzera foi um que sempre esteve na mente de Peacemaker.

“O Cold é um jogador que sempre foi uma opção para mim. Ele não é necessariamente um cara que faz exatamente a função que o k0nfig fazia dentro de jogo, então estamos tendo algumas adaptações quanto a isso, mas ele traz pro time coisa que estavam faltando um pouco, que é essa questão de experiência, tranquilidade, de ter um cara como segunda voz no jogo para ajudar o blameF”, comenta o treinador em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

A vontade de atuar juntos vem de muito antes: ambos os brasileiros já chegaram a morar juntos e, em meio a encontros durante os campeonatos, o desejo só aumentou. Peacemaker revela que “na época que a FaZe estava na situação de não saber quem seria o coach deles por conta da questão de banimento, eu cheguei a conversar com ele”.

Hoje a oportunidade finalmente chegou e, juntos na Complexity, o técnico e Cold formam uma dupla de brasileiros em meio a um elenco recheado de talentos de outros países em busca de uma vaga no PGL Major Stockholm.

“Atuar com ele hoje em dia no Complexity tá sendo muito bom porque ele é um jogador que tem muita experiência, que traz para a equipe coisas que por exemplo, embora a gente tenha um elenco que tem uma certa experiência, ele vem com uma bagagem de Major e tudo mais, que é importante para os objetivos que temos agora. Ele traz tranquilidade e experiência de como devemos jogar”, conta Peacemaker.

EXTRAINDO O MELHOR

A chegada de Cold à equipe tranquiliza o treinador quanto a um fator dentro de game para a equipe: ter uma segunda voz. Nesta era online, Peacemaker até pode dar direcionamentos à equipe durante os jogos, mas, assim que chegar o Major, tudo mudará. E para isso, ter um jogador experiente como Cold ajudando o capitão dinamarquês blameF será de grande ajuda.

Moldando-se às necessidades do time e claro, respeitando seus limites, Coldzera chega para adicionar à equipe não só com toda sua energia que motiva os companheiros, mas também com sua experiência adquirida nos anos que passou competindo.

“Embora eu como coach possa ajudar estando atrás quando a gente está online, a partir do momento que for ter um Major, eu não vou poder falar o tempo inteiro igual falo online. Então é importante ter alguém que eu sei que, se o blameF tiver alguma dificuldade, vai ter um cara para puxar a responsa. Ele sempre foi esse cara”.

Considerado o melhor jogador do mundo em 2016 e 2017, as campanhas do jogador após seus tempos áureos não tem gerado tanto hype, seja na MIBR ou na FaZe Clan. Buscando fazer o que essas organizações não puderam com o jogador, a dupla tem apostado em um estilo de jogo diferente do que Coldzera tem feito nos últimos anos e acreditam ferrenhamente de que esse é o melhor modo de extrair o máximo de seu potencial.

“O K0nfig sempre teve controle de mapa com o blameF e o poizon, então é um cara que sempre está na ação, que ganha bastante espaço - no lado CT também era o segundo AWP da equipe. Quando a gente trouxe o Cold - eu tenho essa visão e sei que ele compartilha dela - na época que ele jogou melhor nas equipes anteriores ele sempre foi o cara que jogou nas pontas, eu não gosto disso. Não acho que seja o melhor que você pode tirar dele porque ele é um cara que comunica muito, que ajuda muito”, analisa.

“Ele tem que estar no bloco, no controle de mapa junto com o capitão e com o AWP, é assim que ele consegue render mais. No lado CT ele encaixou perfeitamente porque ele já fazia algumas das funções do k0nfig então mudou pouca coisa. Sim, colocamos ele em algumas situações que ele não está necessariamente 100% confortável, mas ele está se adaptando super bem, principalmente do lado CT”, completa.

Adaptação é a palavra que descreve o time, não só por ainda estar se acostumando com o novo jogador, mas por não contar com um sistema fixo de funções dentro do jogo: “Hoje a gente não tem um sistema assim: o Cold é o entry fragger - que é o cara que vai na frente. O blameF mostrou na Pro League que ele tem total capacidade de fazer isso, não é algo que ele gosta de fazer, mas ele tem capacidade. Então estamos mesclando, quando não dá pra um ir o outro vai, quando dá o Cold vai. Enfim, o sistema está saudável, tá bacana de jogar”.

A COMPLEXIDADE DE SEU OBJETIVO

Já contando com a presença do jogador durante a BLAST Premier, onde foram eliminados pelo antigo time de Cold, a FaZe Clan, na repescagem do Grupo C por 2 a 1, a equipe mostrou jogos promissores e se dirige ao último RMR do ano buscando mostrar ainda mais. Começando com derrota para a Sinners em um 16 a 13 na IEM Fall europeia, os olhos de todo o elenco - e principalmente o de Coldzera e Peacemaker - estão vidrados na classificação para o Major.

“O principal objetivo da equipe obviamente é o Major, o es3tag por exemplo tenta se classificar para o torneio há anos - tem até meme que ele fala que não vai parar enquanto não conseguir classificar. Testamos algumas coisas na BLAST e depois dela não tivemos muito tempo para ajustar algumas coisas, mas foi um bom teste principalmente em questão de mapas, vamos vir com algumas surpresas em questão de map pool”, observa o treinador.

A busca da Complexity agora é de carimbar o passaporte para Estocolmo e largar para trás a campanha ruim protagonizada pela organização no ano de 2021, resultado de instabilidades causadas por uma grande variedade de problemas fora do controle dela, como a saída de oBo, problemas de vista de poizon e o acidente com a mão de k0nfig.

A ideia para os próximos confrontos é de evoluir jogo a jogo, entrar nos jogos com uma cabeça boa e focada no que tem que fazer, sem colocar pressão nas costas dos jogadores - uma vez que novamente terão de se adaptar.

“Estamos nos preparando sabendo que não estamos 100% preparados em todos os mapas, então temos que ser inteligentes na forma de preparar para jogar contra os adversários também, de se preparar para saber o que eles fazem, como podemos utilizar nossas táticas pra jogar contra eles e a experiência do Cold [a nosso favor]”, completa.

O próximo confronto da Complexity acontece nesta quinta-feira (30) contra a britânica ENDPOINT, previsto para começar às 17h45 (horário de Brasília). Os jogos serão transmitidos através do canal do streamer brasileiro Gaules e também no canal B da ESL.