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Opinião: A atual situação de talentos femininos no cenário de LoL e VALORANT

O cenário de League of Legends vem perdendo nomes femininos gradualmente durante os últimos anos. E a grande pergunta que paira sobre nós é: por que?

Recentemente, Froskurinn, caster da LCS EU e posteriormente da LEC, anunciou em suas redes sociais que não renovaria mais com a liga europeia de LoL para o ano de 2021.

Ela não mencionou o porquê, apenas que não poderia revelar os próximos passos de sua carreira, mas que sempre teve uma grande vontade de atuar em cargos de gerenciamento e desenvolvimento.

Ainda falando sobre casters, Leticia Motta também é um exemplo nessa situação. A analista resolveu parar suas atividades no League of Legends e migrar para o Valorant, FPS da Riot Games.

HISTÓRICO RUIM

A comunidade de League of Legends tem um histórico pesado. Não é de hoje que os jogadores têm uma conduta errada in game e fora dele também. Conversando com Letícia Motta, ela pontuou que “a comunidade de LoL - e não só LoL, mas algumas outras também - não aceitam opiniões vindas de mulheres. As pessoas que estão ali não querem conversar com quem é novo e - principalmente - mulher, com quem tem uma opinião diferente, sabe?”.

E isso se reflete em querer diminuir as mulheres quando elas conseguem cargos altos ou quando pegam um rank alto, por exemplo. Os jogadores são tóxicos dentro e fora das partidas e, muitas vezes, algumas organizações também fecham os olhos para essas questões.

E não só isso: o cenário também conta com muitos casos de machismo e abusos sexuais.

Letícia Motta e Ravena Dutra fizeram parte do elenco do Depois do Nexus, da Riot Game, programa semanal de análise das partidas do CBLoL, em 2020 e Letícia comenta que “sempre que eu tava lá com a Ravena, no chat, tinha um monte de spam de gente falando besteira, e ninguém pedia respeito em relação a isso, sabe? Nossas vozes começaram a ficar mais fracas, metaforicamente falando.”

Também é possível falarmos sobre as jogadoras, temos como exemplo Gabriela “Harumi”, que foi contratada como suporte reserva do time da Rensga e Júlia “Mayumi”, também suporte reserva do time da INTZ. A palavra que une as duas é a mesma: reserva.

Nenhuma delas teve um lugar de destaque dentro de um time, de fato, e alguns casos até acabaram mal, como o caso de Mayumi, que processou a equipe profissional por assédio moral. As organizações ainda estão com muito medo de dar o protagonismo para as mulheres dentro desse cenário.

E O FUTURO DAS MENINAS NO LOL?

Mas todo esse histórico não quer dizer que o cenário feminino do LoL esteja perdido, ainda bem!

O CBLoL agora conta com um sistema de franquias, dando às organizações um pouco mais de respiro e certeza de permanecer no jogo. E, além disso, também foi criado a Liga Academy, onde as organizações contaram com um time secundário para jogá-la.

E, mesmo sendo secundário e em uma liga ‘menor’, nossa vitória foram as 5 meninas contratadas pelos times: Gabriela ‘Harumi’ continua na Rensga, agora jogando na Academy. Ariel ‘Ari’ e Larissa ‘Lawi’ foram contratações do Cruzeiro Esports. Elizabeth ‘Liz’ se junta ao time do Academy da LOUD. E Tainá ‘Yatsu’ veste a camisa da INTZ.

E a nova escalação de casters para o ano de 2021 pela Riot Games trouxe não só uma, nem duas, mas três mulheres incríveis para compor a equipe. Ravena Dutra, já conhecida e da casa, agora oficialmente comentarista, e Layze ‘Lahgolas’ e Maria Julia ‘Fogueta’, sendo as duas casters da Liga Academy.

Esses movimentos sugerem que não, o cenário feminino e a luta das mulheres por um espaço no cenário de League of Legends não está acabando, muito menos enfraquecendo. Sim, é uma luta diária e demorada, um longo caminho já foi trilhado mas ainda há muito mais pela frente, mas vamos juntas e, como estamos percebendo, com ajuda de quem importa.

MAS E O VALORANT?

O FPS da Riot Games tem mostrado para muitas pessoas que é possível incluir mulheres em espaços profissionais e que elas merecem muito mais do que um banco reserva.

É claro que o game e a comunidade não são perfeitos, mas, segundo Letícia Motta, “não existe muita soberba, sabe? Acho que, por que tá todo mundo começando, tá todo mundo junto criando algo, as pessoas estão se encontrando agora, então as pessoas estão mais dispostas a acolherem todo mundo, os jogadores estão mais dispostos a conversar e entender e respeitar as opiniões”.

Desde sua estreia, o Valorant tem recebido muitos campeonatos femininos, como o Rivals Women's Cup, Ascent Women's Cup e Girl Pwr VALORANT, por exemplo. E isso encoraja ainda mais as meninas a seguirem seus sonhos e irem atrás de uma carreira no cenário, seja como jogadora ou caster.

Falando em times, temos destaque para alguns como a line up feminina da Havan Liberty, que trás Bia, Let, Sayuri, Mittens e Blu os representando. Algumas meninas estão migrando do CS:GO também, como Mittens, que vê no game uma oportunidade de recomeçar sua carreira em um novo cenário.

A heptacampeã e maior equipe brasileira de Valorant em 2020, Gamelanders, também montou uma line up feminina com nomes de destaque como Naxy, Bstrdd, Drn, Daiki e Nat1, que também é outro exemplo de jogadora que migrou do CS:GO para o Valorant.

E quando falamos em caster, o Valorant também não fica para trás e tem figuras como Evelyn Mackus e Letícia Motta representando muitíssimo bem as meninas, fazendo um trabalho incrível e mostrando para as meninas que desejam se inserir nesse espaço, mais uma vez, que é possível sim.

O QUE FALTA PARA CRESCERMOS AINDA MAIS?

Falta empatia, falta organizações e empresas olharem para as meninas e não ficarem com receio de colocá-las em posições importantes, em times principais, em destaque.

O cenário é composto, em sua maioria - e estamos mudando isso - de homens, então, porque não dar voz a essas meninas? Se aproximem, ajudem, acolham. Falta amizade entre jogadores.

Parem pra pensar: quantas garotas você já viu fazendo duo em live com nomes grandes do cenário de LoL? E de Valorant?

Falta visibilidade e mostrar pra todo mundo que a gente veio pra ficar e que existem mulheres que merecem muito estarem no topo. Deem o espaço que as meninas merecem dentro dos games e do esports.

O cenário feminino vai crescer quando as premiações de campeonatos femininos crescerem também. Aumentem as premiações, invistam em jogadoras. Acreditem no potencial delas.