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MLB: a história do torcedor dos Cubs que virou 'vilão' e foi perseguido em Chicago

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Documentário 'Catching Hell', sobre o torcedor que atrapalhou os Cubs na final da Liga Nacional de 2003, é destaque no ESPN App (1:28)

Você pode assistir à produção, disponível sob demanda, quando e onde quiser (1:28)

Quando o Chicago Cubs venceu a World Series em 2016, um histórico jejum de 108 anos terminou na MLB. Mas não só. Era a erradicação de mais uma das tradicionais "maldições" do beisebol. E também do inferno vivido por um torcedor: Steve Bartman.

Bartman foi alvo de fúria coletiva em 2003, na final da Liga Nacional. Os Cubs venciam o Florida Marlins (atual Miami Marlins) por 3 a 0 no jogo seis e por 3 a 2 na série. Estavam próximos de retornar à decisão da Major League Baseball depois de 58 anos.

No oitavo inning, após rebatida de Luis Castillo, a bola voou em direção ao setor onde ele estava. Como outros torcedores, tentou agarrá-la. Não conseguiu. Ao mesmo tempo, impediu o outfielder Moises Alou de pegá-la e, consequentemente, de eliminar o rebatedor dos Marlins.

Alou irritou-se. Era a chance dos Cubs ficarem a apenas quatro eliminações da World Series. Foi o ponto de partida para começar uma perseguição poucas vezes vista no esporte. Bartman virou alvo de cervejas e pizzas. Foi xingado pelo estádio. Precisou ser retirado pelos seguranças. E teve a vida revirada pela imprensa como um criminoso.

Os Cubs? Naquele mesmo inning, sofreram oito corridas e perderam o jogo seis por 8 a 3. Na noite seguinte, também perderam o jogo sete. Não seria em 2003 o fim da maldição e do jejum que acompanhavam a franquia.

Essa história sobre torcida, raiva coletiva e a necessidade procurar um bode expiatório é tema do documentário "Catching Hell", produção da série 30 for 30 que está disponível para você ver quando quiser no ESPN App.

Você pode ver todas estas produções e muitas outras quando e onde quiser no ESPN App.

A MALDIÇÃO DOS CUBS

Para entender a perseguição, é necessário entender os Cubs. Campeões da World Series em 1907 e 1908, o time de Chicago chegou em mais sete decisões até 1945. Perdeu todas.

Os momentos mais próximos de retornar à final foram em 1984, 1989 e em...2003. Nas três ocasiões, o time foi derrotado na série decisiva da Liga Nacional.

O incidente com Bartman em 2003 foi mais um sinal para a torcida da "maldição" que afetava o clube. Em 1945, William Sianis foi convidado a se retirar do jogo 4 da World Series. Seu bode de estimação, Billy, o acompanhava no jogo - e estava incomodando os outros torcedores.

Irritado por ser expulso, William teria declarado: "Os Cubs nunca mais irão vencer".

A PERSEGUIÇÃO

Com a franquia há 95 anos sem vencer a World Series e há quase 60 sem ser finalista, a expectativa em 2003 era gigante. Os Cubs não eram cotados no começo da temporada. A temporada de "conto de fadas" só reforçava que o jejum estava próximo de terminar.

Mas assim como a expectativa era grande, o temor também era. Os Cubs sempre tropeçavam no final. Tinha uma "maldição". Era bom demais para ser verdade.

Quando Bartman atrapalhou Alou, e quando Alou se irritou, o clima no estádio mudou subitamente. O time vencia por 3 a 0. Estava a cinco outs de ir para a World Series. E, em uma sequência de erros no campo, levou a virada.

A expectativa deu lugar à frustração, e a culpa recaiu violentamente sobre Bartman. Ele impediu os Cubs de vencerem o jogo, reclamavam os mais exaltados.

Depois de ser retirado do estádio - escondido -, ele ainda foi perseguido pela imprensa. Quem era ele? O que fazia? A mídia não só descobriu detalhes, como acampou em frente a sua casa.

Bartman se recusou a falar - mas pediu desculpas em comunicado escrito. Virou um conto da cidade.

E não ajudou em nada o fato dos Cubs perderem o jogo sete. A história foi reforçada. Seu nome virou alvo de debate em programas de TV. Fora da imprensa, recebeu ofertas para fazer propagandas e aparições públicas (todas negadas). Se tornou meme. E no Halloween de 2003, fantasia.

Uma vida virada de cabeça para baixo por tentar pegar uma bola.

O PRESENTE

Em 2017, meses após vencerem a World Series, os Cubs resolveram presentear Bartman com um anel de campeão.

"Nós esperamos que isso encerre um capítulo infeliz da história que se perpetuou durante nossa missão de ganhar uma esperada World Series. Apesar de nenhum gesto poder aliviar completamente a pressão pública que ele sofreu por mais de uma década, nós sentimos que era importante Steve saber que ele tem sido e continua sendo completamente abraçado por esta organização. Depois de tudo o que ele sacrificou, nós estamos orgulhosos por reconhecer Steve Bartman com esse presente hoje", escreveu o atual campeão da MLB à época.

E ele aceitou o presente.

"Apesar de não me considerar merecedor de tamanha honra, eu fico profundamente tocado e sinceramente agradecido por receber um anel oficial do Chicago Cubs campeão da World Series de 2016. Eu sou completamente consciente do significado histórico e aprecio o simbolismo que o anel representa em níveis múltiplos. Estou aliviado e espero que a saga do incidente da foul ball de 2003 em torno da minha família e de mim finalmente acabe. Eu humildemente recebo o anel não apenas como um símbolo de umas das conquistas mais históricas do esporte, mas como um importante lembrete de como nós devemos nos tratar na sociedade hoje", disse Bartman, em comunicado.

"Minha esperança é a de que nós todos possamos aprender de minha experiência para ver esportes como entretenimento e prevenir novos bodes expiatórios".