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Semana MLB | Dodgers campeões fazem mal ao beisebol?

Dodgers faturam a World Series pela nona vez em sua história Getty Images

O time mais rico, de um mercado rico e glamouroso, que contratou o jogador mais caro, e que teve como consequência conquistar o primeiro bicampeonato seguido da Major League Baseball neste século. O Los Angeles Dodgers é a grande força da MLB no momento, com o elenco de superestrelas e um trabalho que já mostrou saber os caminhos para o título. Mas, pensando no beisebol como um todo, um time como esse é bom ou ruim?

Esse debate foi permanente ao longo da temporada. Em uma liga que não tem teto salarial para limitar o gasto dos clubes – prática comum no esporte americano –, ver uma franquia aproveitar seu potencial econômico para montar super elencos é algo que causa estranhamento ou até rejeição. Se esse grupo de jogadores se prova vencedor, já vem a acusação de “estar comprando o título” ou “precisamos implementar teto salarial”.

Claro que isso está acontecendo com os Dodgers. Ainda mais quando o acordo trabalhista da MLB está entrando em seu último ano, e a liga pretende forçar o sindicato de atletas a aceitar a implementação do teto salarial. Ter um time mais caro dominando a World Series é um argumento forte para defender o mecanismo.

O domínio dos Dodgers, porém, não deve ser visto apenas por esse prisma. É verdade que incomoda qualquer torcedor, em qualquer esporte, quando um clube gasta muito mais dinheiro que os outros e acaba conquistando títulos em sequência. Mas há muitas coisas a se considerar em torno da tal dinastia da equipe californiana, se é que já dá para chamar de “dinastia”.

O primeiro ponto importante é que, por mais que os Dodgers tenham a maior folha salarial da MLB, ela não é especialmente maior que as de New York Mets e New York Yankees. Além disso, outras franquias em grandes mercados ou com grandes torcidas, como San Francisco Giants, Chicago Cubs e Boston Red Sox, poderiam perfeitamente estar investindo mais no elenco do que têm feito nos últimos anos. Se há disparidade de resultados em campo, é porque os Dodgers têm gastado melhor seu dinheiro.

Outro ponto é se realmente a superioridade dos Dodgers sobre os demais é tão real. Na World Series de 2025, uma das melhores da história, o Toronto Blue Jays teria levantado o troféu se tivesse um pouco mais de sorte em um de cinco ou seis lances nos jogos 6 ou 7. Uma sequência de azares dos canadenses ou de participações brilhantes dos californianos impediu que o título ficasse no Canadá.

Tudo isso é debate técnico, que perde força se o domínio de uma equipe enfadar o público e levar a MLB a perder popularidade. Não é o que ocorre.

A MLB teve aumento da média de público nos estádios pelo terceiro ano seguido, mesmo com duas equipes – “Sacramento” Athletics e Tampa Bay Rays – mandando suas partidas em estádios de ligas menores. A audiência da TV na temporada regular também teve aumento, e, nos playoffs, ela foi consideravelmente maior. A World Series teve crescimento pelo terceiro ano seguido e teve mais audiência que as finais da NBA pelo quarto ano nos últimos seis. Isso porque os torcedores de uma das equipes, os Blue Jays, estão no Canadá e, portanto, sua audiência não é contabilizada pela TV americana.

Se formos considerar o alcance global da World Series, o jogo 7 teve mais de 50 milhões de espectadores, somando EUA, Canadá e Japão, maior audiência da liga desde 1991. O fato de cerca de 40% da população canadense ter visto a partida vai na conta da participação do Toronto, mas os quase 14 milhões de japoneses que acordaram cedo para ver a finalíssima é responsabilidade direta dos Dodgers, que contrataram estrelas do Japão para seu elenco.

Há bons argumentos para dizer que, no final das contas, os Dodgers estão fazendo bem ao beisebol. Primeiro, porque estão ajudando a criar a imagem de uma superestrela na modalidade (Shohei Ohtani) e a abrir definitivamente um enorme mercado (Japão). Segundo, porque estão colhendo os resultados de um trabalho bem feito na montagem do time, coisa que outras equipes muito ricas não têm sabido fazer e poderiam tomar os californianos como inspiração.

Claro, se esse domínio durar muitos anos, a MLB pode ficar com imagem de liga injusta ou previsível e acabar perdendo interesse do público. Mas, por enquanto, o que ocorre é justamente o contrário. E a tarefa das outras franquias é trabalhar melhor para competir cabeça a cabeça com os Dodgers. O Toronto Blue Jays mostrou que é possível.

O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta (vez ou outra atrasa para o sábado) uma nova edição

PROGRAMAÇÃO

A temporada 2026 da MLB começa em 25 de março com um jogo isolado entre New York Yankees e San Francisco Giants. No dia seguinte, todas as demais equipes farão suas estreias. Quem estiver com muita saudade das grandes ligas pode acompanhar o spring training, a pré-temporada. As primeiras partidas estão marcadas para 20 de fevereiro.

Além disso, 2026 é ano do World Baseball Classic, a Copa do Mundo da modalidade. O torneio conta com as grandes estrelas da MLB. O Mundial começa em 5 de março. O Brasil vai disputar a competição pela segunda vez na história, e estreia em 6 de março contra os Estados Unidos de Aaron Judge, Paul Skenes e Cal Raleigh. A final do WBC está marcada para 17 de março, em Miami.