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Neymar e só 13 dias na seleção: faixa de capitão, acusação de estupro e fora da Copa América

Passaram-se 13 dias desde que Neymar se apresentou à seleção brasileira em Teresópolis. Até a manhã daquele sábado, saber se ele seria mantido ou não como capitão por Tite era a grande questão. Um tema absolutamente irrelevante diante do que viria exatamente uma semana depois, com a acusação de estupro contra o atacante. Já no início da desta quinta-feira, um novo capítulo para essa curta história: o fim do sonho de jogar a Copa América.

Eram exatamente 2h01 da madrugada quando a CBF anunciou oficialmente o corte do camisa 10. Uma ruptura no ligamento do tornozelo direito, sofrida horas antes no amistoso entre Brasil e Catar, em Brasília, selou o destino de Neymar, sem condições de se recuperar a tempo do torneio. Um ponto final em uma passagem rápida e para lá de tumultuada na seleção.

Dia 1: a chegada

A previsão era que Neymar só se apresentasse na Granja Comary na semana seguinte. Ele pediu, porém, para antecipar a chegada, causando até “ruído” com o técnico Thomas Tuchel no PSG. No Rio, desembarcou em seu helicóptero particular e já treinou com o grupo à tarde.

Foi também naquele sábado que Neymar conversou com Tite sobre os episódios ocorridos na final da Copa da França, com críticas públicas a companheiros e, mais grave, agressão a um torcedor. O treinador o comunicou, então, que ele deixaria de ser o capitão da seleção.

Dia 2 e 3: folga

O segundo dia de Neymar em Teresópolis durou pouco. Isso porque, naquele domingo, o time treinou pela manhã e foi liberado para folga. O atacante deixou a Granja novamente em seu helicóptero, dessa vez, dando “carona” para Fernandinho, Ederson, Richarlison e Allan. A representação só aconteceu na segunda, já no período da noite.

Dia 4: caneta e lesão

No retorno aos trabalhos, Neymar não conseguiu completar o treino com o grupo. Antes do fim da atividade, sentiu o joelho esquerdo, depois que tentou finalização, marcado por Thiago Silva. Antes disso, já havia chamado atenção no treino ao levar uma caneta do jovem Weverton Guilherme, lateral de 19 anos do Cruzeiro que completava os treinamentos.

Dia 5: mais uma vez fora

Os exames realizados no dia anterior já haviam revelado que Neymar não tinha lesão grave no joelho. Naquela quarta, porém, as dores persistiam, e o atacante fez apenas fisioterapia.

Dia 6: fora do treino, inscrito na Copa América

Ainda as dores e mais um dia em que Neymar não treinou com o grupo em campo. Assim como na quarta, ficou com trabalhos de fisioterapia, mas teve uma boa notícia: foi confirmado na lista final de inscritos enviada à Conmebol, naquela que era data-limite para as inscrições.

Dia 7: retorno aos treinos

Depois de perder dois trabalhos com o grupo, Neymar retomou os treinos em campo naquela sexta. Primeiro, pela manhã, acompanhado de preparadores físicos. À tarde, já com o time.

Dia 8: acusação de estupro

Naquele sábado, a seleção brasileira treinou pela manhã e ganhou folga pela tarde, quando Liverpool e Tottenham disputariam a final da Champions League. Neymar já não estava em Teresópolis quando surgiu uma bomba: em São Paulo, uma mulher registrou no dia anterior acusação de estupro contra ele, que teria acontecido em 15 de maio, em Paris, na França.

Ainda antes do retorno à Granja Comary, Neymar reagiu rápido à acusação e gravou vídeo publicado em suas redes sociais se defendendo. Para isso, expôs conversas que manteve com a mulher que o acusava, incluindo fotos íntimas que recebeu e uma que enviou.

Dia 9: polícia na Granja

Os desdobramentos de tudo que aconteceu no sábado também foram rápidos. Ainda na manhã de domingo, um carro da Polícia Civil compareceu à Granja Comary para colher informações sobre Neymar. Não se tratava, porém, de investigação sobre a acusação de estupro, mas sim um possível novo crime, desta vez, virtual, pela divulgação das fotos íntimas.

Em relação a seleção, Neymar ganhou apoio dos companheiros, mas, no treino, foi possível perceber uma mudança de semblante no atacante, que deixou os sorrisos e as brincadeiras.

Dia 10: novamente a polícia

Uma segunda-feira bastante agitada. Logo nas primeiras horas do dia, o Instagram removeu o polêmico vídeo de defesa de Neymar, depois de quase 20 milhões de visualizações. Também pela manhã, seu pai foi a um programa de TV e disse preferir “um crime virtual a um estupro”.

Na Granja Comary, o dia foi de entrevista coletiva do técnico Tite, a primeira desde a convocação em que se negou a responder perguntas sobre Neymar e a faixa de capitão. Desta vez, o camisa 10 foi ainda mais protagonista e acabou tema de quase todas as perguntas.

Já a noite, outra mudança extracampo: uma entrevista de um dos ex-advogados da mulher que o acusa revelou que ela, inicialmente, teria falado em agressão, não em estupro.

Dia 11: festa em Brasília

Nos bastidores, uma série de declarações marcou a terça-feira. Carinho da mãe e da irmã, voto de confiança do presidente da CBF e até uma fala polêmica de um dos vices da entidade. Já em assuntos relacionados ao futebol, Neymar foi confirmado por Tite como titular para enfrentar o Catar e, na chegada da seleção a Brasília, foi, de longe, o jogador mais aclamado.

Dia 12: turbilhão e lesão

As atenções, claro, estariam todas voltadas para Neymar no que seria seu primeiro jogo desde a acusação de estupro. Não por acaso, antes do jogo, o jogador foi às suas redes sociais e escreveu: “Uma das partidas mais difíceis da minha carreira, se não for a mais”.

O que ele não poderia prever é que, depois daquilo, surgiriam uma série de fatos novos relacionados ao seu caso: primeiro, uma imagem da suposta briga que teve com a mulher que o acusa; depois, a primeira entrevista de Najila Trindade, que reafirmou ter sido agredida e estuprada; e, por fim, o vídeo na íntegra do desentendimento.

Em campo, contra o Catar, Neymar permaneceu apenas 16 minutos. Depois de ser bastante aclamado pelos torcedores, o atacante torceu o tornozelo direito em lance no meio-campo e não teve condições de retornar. Deixou o estádio de muletas e partiu para fazer exames.

Dia 13: o corte

Já era quinta-feira quando Neymar deixou o hospital que foi levado para a realização de exames em Brasília. Retornou ao hotel em que a seleção está hospedada e precisou ser carregado para fora da van. Era um prenúncio do que viria pouco depois: com ruptura de ligamento do tornozelo direito, o maior astro do futebol brasileiro está fora da Copa América.