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Mês do Orgulho LGBTQIA+: Rogério Sampaio, campeão olímpico e hoje diretor do COB, vê 'hora da luta' contra a desigualdade

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Mês do Orgulho LGBTQIA+: Campeão olímpico e diretor geral do COB: 'A possibilidade de competição deve ser igual para todos' (1:12)

Ouro no judô em Barcelona-1992, Rogério Sampaio deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil, que terá série especial sobre o tema nos dias 28, 29 e 30 de junho no SportsCenter (1:12)

Rogério Sampaio, ouro no judô em Barcelona-1992, é atualmente o diretor-geral do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). E o dirigente e ex-atleta, com 53 anos de idade, passou por vários temas relacionados à diversidade no Mês do Orgulho LGBTQIA+, do 'tradicional' Japão como país-sede da Olimpíada à lembrança de como se lidava com a questão na sua época de tatame.

Esta reportagem é a segunda do conteúdo especial preparado pela ESPN Brasil para o Mês do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em junho (entenda o porquê abaixo), e que terá uma matéria por semana no ESPN.com.br e uma série a ser exibida dentro do SportsCenter nos dias 28, 29 e 30.

“O olimpismo tem como princípios básicos a compreensão mútua, a igualdade, a solidariedade e o fair play. Então, nada mais justo que usarmos estes valores, valores do esporte, para abraçar as diferenças. O esporte é inclusivo em sua essência, não faz distinção de raça, crença ou orientação sexual”, começou Rogério Sampaio nesta entrevista exclusiva à ESPN Brasil, concedida ao repórter Mendel Bydlowski.

Para o ex-judoca, há uma evolução acontecendo no que diz respeito à diversidade. E isto tem se dado também dentro das ações olímpicas.

“... Toda essa flexibilização faz parte do dia a dia do movimento olímpico. Então, nós entendemos que as questões LGBTQ devem ser discutidas em um amplo debate, e a partir do momento que haja um consenso, nós [iremos] aumentando a representatividade e inspirando outras pessoas. Então, é uma bandeira coletiva que hoje faz parte do movimento olímpico.”

Rogério Sampaio também lembrou de sua época de disputa, deixando claro como a questão da diversidade mudou e evoluiu muito, já que no seu tempo qualquer atleta com uma orientação sexual que não fosse a hetero, em geral, preferia o anonimato. Para ele, estamos no "momento de enfrentar estas desigualdades".

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Mês do Orgulho LGBTQIA+: Ouro no Judô e diretor geral do COB vê 'tradicional' Japão pronto para sediar Olimpíada que traz discussão sobre 'novos temas'

Medalhista em Barcelona-1992, Rogério Sampaio deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil, que terá série especial sobre o tema nos dias 28, 29 e 30 de junho no SportsCenter

“Na minha época, os casos de atletas LGBTQ não eram tão normais. A gente sabia que quando algum atleta tinha uma opção sexual como esta, geralmente a tinha de maneira sigilosa... E acho que é o momento que estas desigualdades sejam enfrentadas, e que a possibilidade de competição seja igual para todos, para grupos LGBTQ... Não vejo por que deva acontecer diferenciação entre qualquer participante [SIC]”, disse.

Por fim, o diretor-geral do COB discorreu sobre o 'tradicional' Japão ser o país-sede das Olimpíadas justamente em um momento de afirmação e luta pelo respeito à diversidade.

“O Japão sempre foi muito tradicional em relação aos seus valores. Ao mesmo tempo, é um país que sempre se abriu para outras culturas, desde a Segunda Guerra Mundial que o Japão consegue se manter um país tradicional e ao mesmo tempo se abrir para novas tecnologias", afirmou, para encerrar na sequência.

"E acho que organizar os Jogos Olímpicos é também demonstração de se abrir para o mundo, pessoas de mais de 200 países estarão presentes nos Jogos, e acho que esta edição traz uma discussão sobre novos temas, e o Japão não realizaria os Jogos se não estivesse aberto para este debate, esta discussão... Então, cada vez mais nós vamos enxergar de maneira normal e natural a participação de qualquer atleta, seja qual for a sua opção sexual [SIC].”

Por que junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+?

É algo histórico e vem desde 1969.

No dia 28 de junho daquele ano aconteceu um episódio que ficou conhecido como ‘Rebelião de Stonewall’, em Nova York. Foi uma reação da comunidade LGBTQIA+ que vivia/frequentava a vizinhança do Stonewall Inn, em Grenwich Village, à violência policial e à constante repressão jurídica que sofriam na época.