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Mês do Orgulho LGBTQIA+ - Douglas Souza, do vôlei e da seleção, jamais ficou 'dentro do armário', mas entende medo: 'O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo!'

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Mês do Orgulho LGBTQIA+ - Douglas Souza, do vôlei e campeão olímpico: 'O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo!' (0:59)

Ponteiro do Vôlei Taubaté e da seleção brasileira deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil; SportsCenter terá série especial nos dias 28, 29 e 30 de junho (0:59)

Ponteiro do Vôlei Taubaté, da seleção brasileira e campeão olímpico, Douglas Correia de Souza é daqueles casos ainda raros de atletas homossexuais que jamais estiveram ‘dentro do armário’. O jogador de 25 anos garante que sempre deixou claro sua orientação sexual e que lidou de forma “muito natural” com a questão, apesar do preconceito, mas entende o receio de colegas.

Esta reportagem é a primeira do conteúdo especial preparado pela ESPN Brasil para o Mês do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em junho (entenda o porquê abaixo), e que terá uma matéria por semana no ESPN.com.br e uma série a ser exibida dentro do SportsCenter nos dias 28, 29 e 30.

“Pra mim, sempre foi muito natural. Eu não tive essa coisa que muitos têm, que eles ficam muito tempo ali dentro de uma caixinha, que a gente chama de dentro do armário entre aspas, e do nada eles saem e falam o que são e o que realmente gostam, e aí eles tiram esse peso de cima. Eu não tive isso porque eu nunca escondi isso de ninguém, sempre fui muito natural com minha família, meus amigos, dentro do meu clube, então, pra mim, sempre foi muito tranquilo e natural”, afirmou o paulista de Santa Bárbara d’Oeste em entrevista exclusiva à ESPN Brasil, concedida à repórter Roberta Barroso.

Apesar da postura diferente, Douglas Souza entende perfeitamente o receio de colegas que também são jogadores de alto rendimento e preferem não assumir e/ou expor suas orientações sexuais publicamente. E ele é claro em sua explicação, que vem com argumentos fortes e até um certo desabafo.

“Acredito que pelo mundo sempre vai ter, não tem muito o que fazer. Infelizmente, no nosso dia a dia, no nosso mundo, na nossa realidade hoje, vou falar aqui no Brasil especificamente, o Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo”, disparou.

“E pra gente é muito complicado, é muito difícil você sair na rua, e você fica com esse medo. Você não pode andar de mãos dadas no shopping com a pessoa que você ama, ainda não é a nossa realidade. Então, sempre vai ter um pouquinho desse receio. Muita gente, com certeza, ainda sente isso”, complementou.

No entanto, o atleta, que se prepara para a disputa de sua segunda Olimpíada, a de Tóquio, após levar o ouro no Rio, em 2016, acredita que há uma evolução.

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Mês do Orgulho LGBTQIA+ - Douglas Souza, do vôlei e campeão olímpico: 'Eu nunca fiquei dentro do armário, nunca escondi de ninguém'

Ponteiro do Vôlei Taubaté e da seleção brasileira deu entrevista exclusiva à ESPN Brasil; SportsCenter terá série especial nos dias 28, 29 e 30 de junho

“Acredito que com os anos, a gente vai mudar. A gente está caminhando para isso, hoje em dia, com rede social, a gente está tendo muito mais voz para expor as coisas que acontecem com a gente, para lutar pelos nossos direitos de igualdade, e é isso, acredito que sim, sempre vai ter [receio de assumir], infelizmente, mas a gente está no caminho pra mudar.”

Por que junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+?

É algo histórico e vem desde 1969.

No dia 28 de junho daquele ano aconteceu um episódio que ficou conhecido como ‘Rebelião de Stonewall’, em Nova York. Foi uma reação da comunidade LGBTQIA+ que vivia/frequentava a vizinhança do Stonewall Inn, em Grenwich Village, à violência policial e à constante repressão jurídica que sofriam na época.