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Esposa de Phelps admite que temeu perder o marido para depressão: 'Por favor, podemos te ajudar?'

Há cinco anos, Michael Phelps admitiu que lutava contra uma depressão causada possivelmente pela aposentadoria após a Olimpíada de 2012 e que o levou ao vício em bebidas e jogos. O resultado, além da doença, foi uma condenação por dirigir sob efeito de álcool em 2014.

Para lidar com a situação, o nadador deixou a aposentadoria, voltou a treinar e a competir. Mostrou o melhor da velha forma, faturando cinco medalhas de ouro e uma de prata na Olimpíada do Rio, em 2016, quando fez a confissão citada no trecho acima.

Durante o tratamento, tudo parecia estar sob controle, mas ano passado dois acontecimentos abalaram bastante a saúde mental do famoso nadador, e deixaram a família temerosa com um possível comportamento autodestrutivo.

Segundo a esposa Nicole, Phelps sentiu bastante a trágica morte de Kobe Bryant, ocorrida em um acidente de helicóptero em 26 de janeiro de 2020. Ele também sentiu os efeitos do confinamento causado pela pandemia do novo coronavírus.

Em maio, no momento mais duro da quarentena, deu um impactante depoimento para Wayne Drehs, da ESPN. Tudo isso fez a esposa ligar o sinal de alerta e redobrar os cuidados com a saúde mental do marido.

“Depois que Vanessa [Bryant] perdeu Kobe, tudo que pude fazer foi olhar para Michael e ficar tipo: ‘Podemos ajudá-lo? Porque se eu perder você, não sei o que vou fazer'”, disse Nicole Phelps, 35, em depoimento exclusivo ao jornal “Today”, nesta quinta-feira (14).

“Michael é o pai e parceiro mais incrível que eu poderia ter”, acrescentou a esposa do nadador, com quem teve três filhos: Boomer, 4, Beckett, 2 e Maverick, 16 meses.

“Nicole me ama e quer ajudar. Ela quer que eu melhore”, disse Phelps ao jornal. "Mas ela está lutando sozinha. Ela também precisa desse apoio. Eu sei que é difícil para ela."

Para Nicole, o mais difícil é lidar com a dor da pessoa que sofre por depressão, especificamente com a dificuldade para conseguir entender e a frustração por não conseguir ajudar.

“Eu costumava pensar: 'Eu posso ajudá-lo. Eu posso ser sua terapeuta. Eu posso ser o que ele precisa'”, disse ao “Today”. “Mas o que aprendi é que você não pode entender como eles estão se sentindo, não importa o quanto você queira.”

Nicole disse que eles estão lutando juntos e ensinando aos três filhos a gravidade da doença.

“Os meninos querem estar perto de Michael quando ele está nos dias difíceis. Querem tentar fazê-lo feliz, especialmente Boomer. Então, dizemos: ‘Papai está passando por momentos difíceis e só precisa ficar sozinho’. Queremos que Boomer entenda que não é sobre ele, mas sobre Michael”.

Aos 35 anos, Phelps detém 37 recordes mundiais e também 28 medalhas olímpicas, das quais 23 são de ouro (13 em modalidades individuais e 16 em coletivas). Desde 2008 ele cuida da Fundação Michael Phelps, que busca desenvolver e ajudar jovens por meio da natação.