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João Menezes é ouro no Pan menos de um ano após ficar depressivo e quase abandonar o tênis

“O pessoal vê a pontinha do iceberg. Só a minha família sabe o que eu passei”.

A frase é de João Menezes, que surpreendeu a toda América e ficou com o ouro no tênis dos Jogos Pan-Americanos. A consagração vem sendo se olharmos a idade dele, apenas 22 anos. Mas quase também vem tarde demais. Alguns meses atrás, João estava depressivo e a um passo de deixar o sonho de ser um tenista profissional.

A história dele, ele mesmo conta.

“Eu sou João Menezes, natural de Uberaba, Minas Gerais. Do interior. Comecei a jogar por influência familiar, meu pai jogava, meu avô jogava. Eles iam para o clube e eu ficava brincando com a raquete. Minha família sempre foi apegada ao esporte. Para o futebol eu não levava muito jeito e fui para o tênis. Gostei, gostei, gostei e sempre fui uma pessoa que tem um compromisso muito sério com as coisas que eu faço, coloco bastante intensidade. E aí foi indo. Passa até um filme na cabeça, mas posso dizer que tudo está valendo a pena e é só o começo de uma grande caminhada que está por vir.

Dá para escrever um livro com as vezes que pensei em desistir. Foram quatro, cinco momentos de pensar que não vai dar. Eu tive muitas dificuldades. Primeiro quando eu saí de casa. Morei um ano em Uberlândia e até aí tudo bem. Mas mudei para Itajaí e fiquei quatro anos. A saudade pegou lá, a adaptação também. E como eu não tinha muito resultado era difícil. Tinha meninos da minha geração que ganhavam muito mais, eram muito mais badalados. E eu ficava em segundo, terceiro plano. Então era difícil me mantar bem, com convicção.

Fui tentar algo diferente e morei na Espanha por dois anos. Lá tive coisas muito boas, mas também coisas muito difíceis. Fiquei 10 meses sem ir para casa, fiquei um pouco depressivo. Dependia muito do resultado para estar feliz. Quando a vitória não vinha, ficava cabisbaixo. E no final o ano passado foi a principal vez que quase parei de jogar tênis. Mas assim: foi por muito pouco! Eu falei com minha antiga equipe de Itajaí e fizemos um acordo diferente, mais individual, mais especializado. A proposta foi muito boa e eu aceitei”.

Se precisava de vitória para ser feliz, João conta que elas não vinham. Lembra que chegou a vencer apenas dois jogos em 12 torneios disputados. A família, claro, foi fundamental para que ele não parasse.

“Eu nunca fui o juvenil mais badalado, nunca joguei um Sul-Americano por equipe na base pelo Brasil, nunca tive o melhor ranking. Mas talvez eu fui o que mais persistiu, o que mais trabalhou. Talvez também seja um pouco de sorte, acaso, mas posso dizer que o trabalho tem uma parcela grande”, diz, consciente de que não pode se vislumbrar com o bom momento.

Mas, afinal, o que mudou em Itajaí que o transformou em um tenista de elite nas Américas?

“Eu credito esse momento ao trabalho. Eu montei um time só para mim desde novembro do ano passado, para começar a pré-temporada. E estamos trabalhando muito firme em Itajaí (SC). Quando você se sente bem fisicamente, capaz de jogar em alto nível, você precisa jogar torneio. Não comecei muito bem, mas é a questão de confiança. Quando você bota na cabeça que pode jogar nesse nível, você começa a ir melhor. E acho que é essa deslanchada que está acontecendo comigo agora. E eu posso ir bem mais longe, tenho convicção disso”, explica

“No Brasil ninguém me conhecia. Antes dos Jogos Pan-Americanos, tenho certeza de que não tinham ideia de quem era. Agora pode mudar um pouquinho o cenário. Esse é o divisor de águas da minha carreira”, completa.

Claro que você pode ir mais longe, João. E sim, agora o Brasil te conhece: dono de uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos!