Três ex-presidentes presos, um foragido e até um outro que se matou para não ir para a cadeia. Às vésperas de receber os Jogos Pan-Americanos, o Peru teve a sua própria Lava-Jato para investigar a relação da construtora Odebrecht com político e viveu – e ainda vive – o período político mais conturbado de sua história.
O Pan chegou até a ficar ameaçado de mudar de sede, mas acabou se mantendo e conseguiu algo impensável diante de tanta corrupção: fechou as contas dentro do que previa gastar. Segundo informações, o custo foi de 1,2 bilhões de dólares (R$ 4,5 bilhões na cotação atual).
Para se ter uma ideia, os Jogos ficaram proporcionalmente mais baratos que os de 2007, realizados no Rio de Janeiro. Aquela edição custou R$ 3,2 bilhões à época, mas o valor sobe para R$ 6,3 bilhões com a correção da inflação no período.
Mas, afinal, qual foi o segredo?
O Peru fez algumas manobras para conseguir o feito. E, curiosamente, a primeira delas foi gastar um dinheiro considerável. A organização desembolsou 70 milhões de dólares (mais de R$ 260 milhões) para recorrer a uma consultoria da Inglaterra, que recebeu os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.
Essa consultoria ajudou a ‘driblar’ os problemas de corrupção e manter os gastos na linha.
Importante notar que o Peru não teve uma construtora só para cuidar das obras. Foram várias diferentes e de países estrangeiros como Chile e Espanha.
Um passo fundamental foi aceitar que o país não tinha condições de fazer nada extremamente luxuoso. As instalações, claro, deveriam atender ao padrão mínimo de qualidade, mas não precisavam de muito mais que isso. Afinal, o Peru não tem intenções imediatas de se candidatar a competições ainda maiores, como as Olimpíadas. O Pan por si só já é considerado um evento enorme.
Prova disso é que Lima-2019 soube dar passos atrás quando preciso. Em meio à atrasos, a organização do Pan aceitou remodelar toda a construção da vila dos atletas.
A ideia inicial era de construir 39 prédios pequenos, entre oito e dez andares. No fim, foram feitas sete torres de 20 ou 19 andares.
A mudança nem parece tão significativa à primeira vista, mas foi responsável por economizar 20 milhões de dólares (R$ 75 milhões).
Sucesso das obras impressionou a própria organização
A volta por cima após atraso nas obras surpreendeu até a Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) e o Comitê Organizador (Copan).
“Sendo sincero, não imaginei o resultado que estou vendo aqui nem no melhor dos meus sonhos. Há dois anos estávamos com muita preocupação. O que fizeram é extraordinário. A Vila é incrível. Os distritos desportivos são de nível mundial. Os peruanos podem se sentir orgulhosos com o que está passando com o país”, disse Neven Ilic, presidente da Odepa.
“Pensei que não íamos chegar neste nível. Não perdemos o foco do objetivo principal, que isso era uma responsabilidade que o Peru tem”, completou Carlos Neauhaus, presidente do Copan.
O Pan de Lima terá a Cerimônia de Abertura na próxima sexta-feira (26), mas as competições começam já na quarta (24). O ESPN.com.br acompanha TUDO direto do Peru em TEMPO REAL!
