Se foi a Cleveland disposto a encontrar respostas, Carlo Ancelotti vai precisar de mais tempo antes de decidir o que fazer com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Em campo, um time modificado voltou a apresentar problemas e precisou da entrada de (novos) reservas para vencer o Egito por 2 a 1, neste sábado (6), no Huntington Bank Field, no último amistoso antes da aguardada estreia.
Bruno Guimarães fez o primeiro do Brasil em um calor escaldante nos Estados Unidos, mas Marquinhos, em recuo errado para Alisson, permitiu o empate a Ziko (sim, inspirado na lenda do Flamengo). A vitória só foi garantida após o intervalo, quando Ancelotti fez diversas mudanças, entre elas a entrada de Endrick, autor do gol da vitória canarinha.
A vitória quase foi ofuscada pela preocupação com Wesley. Titular absoluto da lateral direita, o jogador da Roma saiu machucado com só 15 minutos e, aos prantos, foi consolado por companheiros no banco de reservas. Ancelotti e a comissão técnica aguardarão resultados de exames médicos para descobrir a gravidade do problema.
Das novidades entre os titulares, somente Ibañez conseguiu se destacar. Marquinhos, Douglas Santos, Lucas Paquetá e Igor Thiago oscilaram muito e acabaram sacados no intervalo (com exceção do lateral-esquerdo). Na etapa final, Endrick foi o destaque natural, mas Léo Pereira e Bremer ofereceram segurança à defesa, enquanto Luiz Henrique manteve-se como um perigo constante.
O Brasil agora tem uma semana para ajustar o que precisa para estrear bem na Copa. Até enfrentar Marrocos no próximo sábado (13), no MetLife Stadium, a Seleção faz todas as atividades em Morristown, no centro de treinamento do New York Red Bulls. Ancelotti tem muito a pensar e a corrigir para que o primeiro passo no Mundial não seja em falso.
Brasil marca, entrega e desperdiça
O primeiro tempo da Seleção em Cleveland foi basicamente uma repetição dos últimos jogos, para o bem ou para o mal. Em apenas oito minutos, o Brasil criou perigo ao marcar a defesa egípcia sobre pressão. Na última vez que isso aconteceu, Bruno Guimarães desarmou, ajeitou para ele mesmo bater no canto esquerdo e abrir o placar no Huntington Bank Field.
Sair em vantagem tão cedo ofereceria o que o time de Ancelotti mais gosta de fazer, que é explorar espaços para contra-atacar. O problema é que o placar durou só dois minutos. Aos dez, Marquinhos foi recuar para Alisson, errou e deixou nos pés de Ziko, que, não com a mesma categoria do Galinho, bateu na saída do goleiro brasileiro para empatar a partida.
O gol do Egito esfriou qualquer ímpeto do Brasil, que passou um tempo perdido em campo e sem conseguir se impor. Para piorar, Ancelotti perdeu a válvula de escape pela direita: Wesley saiu machucado aos 15 minutos e, chorando muito, levantou até dúvida se terá condição de jogar o Mundial. Danilo entrou em seu lugar, o que alterou a dinâmica do time.
A Seleção só voltou a colocar a bola no chão e criar perigo nos 20 minutos finais, quando entrou outro problema que precisa de correção rápida: a dificuldade de converter as oportunidades.
Vinicius Jr. perdeu o segundo gol aos 25, quando decidiu chutar fraco em vez de só rolar para Igor Thiago, livre ao seu lado. Raphinha também desperdiçou a sua, em chute forte no canto direito que o goleiro Shobeir defendeu. A última tentativa foi aos 42, quando Igor Thiago recebeu de Casemiro, se enrolou com a bola e perdeu a chance do chute. Vini pegou a sobra, mas não aproveitou.
Do banco, sai uma nova solução?
Ancelotti voltou a mudar quase que por completo a Seleção de um tempo para outro. Weverton, Bremer, Léo Pereira, Fabinho, Danilo Santos, Luiz Henrique, Endrick e Matheus Cunha entraram nos lugares de Alisson, Marquinhos, Ibañez, Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá, Igor Thiago e Vini Jr. Apenas Douglas Santos, Raphinha e Danilo, que substituiu Wesley antes, permaneceram.
As trocas fizeram efeito imediato com mais um gol rápido. Em outra roubada no ataque, Raphinha – agora na esquerda – levou ao fundo e deixou mansinha para Endrick, de primeira, fuzilar o goleiro. Quarta vez que ele marca pela Seleção, o que nenhum centroavante fez desde a Copa de 2022. Seria hora de testá-lo desde o início? Agora, só em jogo para valer...
O gol do Brasil acalmou a partida. Nem a entrada de Mohamed Salah, absolutamente adorado pela torcida do Egito, ofereceu perigo à Seleção. Weverton, último testado por Ancelotti, praticamente não teve trabalho, a não ser em cortes de cruzamentos que vez ou outra passavam pela área verde e amarela.
No ataque, o Brasil passou a ser mais tímido. Martinelli e Alex Sandro substituíram Raphinha e Douglas Costa para dar um novo gás pela esquerda, mas pouco contribuíram para a construção de um placar mais confortável.
Próximos jogos da Seleção Brasileira:
Marrocos - 13/06, 19h (de Brasília) - Copa do Mundo
Haiti - 19/06, 21h30 (de Brasília) - Copa do Mundo
Escócia - 24/06, 19h (de Brasília) - Copa do Mundo
Próximos jogos do Egito:
Bélgica - 16/06, 16h (de Brasília) - Copa do Mundo
Nova Zelândia - 21/06, 22h (de Brasília) - Copa do Mundo
Irã - 27/06, 0h (de Brasília) - Copa do Mundo
