Romênia diz que propôs divisão e não quis 'tomar' medalha de americana na ginástica: 'Parem com ataques'

Ana Barbosu (à esquerda) e Jordan Chiles (à direita), personagens de polêmica na final do solo da ginástica artística nas Olimpíadas de 2024. Naomi Baker/Getty Images/John Nacion/Getty Images

A final do solo da ginástica artística nas Olimpíadas de 2024 já teve 'dois resultados', um com a americana Jordan Chiles recebendo a medalha de bronze e o atual, com a romena Ana Barbosu no pódio - e nenhum deles parece ter agradado quaisquer partes. Mesmo 'beneficiando' sua atleta, a Federação Romena (FRG) disse que nunca quis 'tomar' a medalha da adversária e que o desfecho proposto foi de dividi-la.

Inicialmente, Chiles havia ficado em terceiro lugar no aparelho com uma nota de 13.666, no entanto, a equipe americana pediu reavaliação da dificuldade de sua série, que foi aceita. Com isso, subiu para 13.766 e passou Barbosu, que fez 13.700. A Romênia, então, entrou com recurso, também aceito, e a nota voltou para 13.666, dando o bronze à sua competidora.

O argumento usado pela FIG (Federação Internacional de Ginástica) foi de que a reavaliação solicitada pelos Estados Unidos se deu após o limite estabelecido de um minuto. A USA Gymnastics, no entanto, contestou a decisão e disse ter evidências de que o pedido foi feito em 47 segundos, dentro da janela. Esse recurso foi negado, informou a Federação Americana, que agora recorrerá ao Tribunal Federal Suíço.

Com isso, a medalha é de Barbosu, mesmo que tenha sido Chiles que subiu no pódio e fez uma foto histórica com Rebeca Andrade e Simone Biles. Nem a ginasta, nem sua equipe, porém, se agradaram com o desfecho. Ana jogou a responsabilidade para "as pessoas no comando", enquanto a Federação Romena preferiria que Barbosu, Chiles e Sabrina Maneca-Voinea, também penalizada, ficassem com o bronze.

"A iniciativa de conceder medalhas de bronze a Jordan Chiles, Ana-Maria Bărbosu e Sabrina Maneca-Voinea foi proposta pelos advogados da Federação Romena de Ginástica, com a aprovação prévia da Federação", manifestou-se a entidade em nota. "A liderança da FRG, por meio de seus representantes, tomou todas as medidas necessárias para chegar a esse consenso".

Proposta de título dividido na ginástica partiu de várias 'frentes'

E essa proposta não teria vindo somente do lado romeno, já que a federação enfatizou que a equipe americana, por meio de seus representantes, também trabalhou por esse objetivo, "considerando as dificuldades técnicas encontradas pela Federação Internacional de Ginástica", pontuou.

Uma das maiores 'expoentes' dessa alternativa foi Nadia Comaneci, maior ginasta da romena. Ela teria sofrido ataques desde o começo do caso, bem como Chiles, Barbosu e Maneca-Voinea. Isso fez com que a FRG, praticamente, implorasse para que as envolvidas no caso fossem respeitadas.

"Apelamos a toda a comunidade do esporte, tanto no país quanto no exterior, para que PARE com os ataques contra as ginastas Jordan Chiles, Ana-Maria Barbosu e Sabrina Maneca-Voinea, e especialmente contra Nadia Comăneci, cujo apoio sempre foi a favor de todas as três atletas/três medalhas", ressaltou a federação em nota. "A FRG nunca concordou em tirar uma medalha", concluiu.

Toda a polêmica afetou, especialmente, Chiles, que deu uma pausa nas redes sociais com toda a repercussão negativa em seus perfis - algo repudiado justamente por sua adversária, Barbosu, que chamou os ataques de "ódio doloroso".

Se o caso ter outra reviravolta, será pelo apelo da USA Gymnastics ao Tribunal Federal Suíço, ainda com a "evidência em vídeo" de cumprimento da janela de um minuto para pedir revisão. O clima não é muito agradável para a FIG em suas redes, pois usuários cobram responsabilidade e até um pedido de desculpas por toda a polêmica.